Abel Braga conta sua história ao elenco após tragédia no Flamengo

GLOBO ESPORTE: Por Eric Faria

É incrível como o destino é capaz de unir pessoas em alguns momentos. Um dos primeiros pensamentos que tive ao saber da notícia da morte dos 10 meninos no Ninho do Urubu foi como o técnico do time profissional, Abel Braga, reagiria ao acontecimento. Há menos de um ano, ele sofreu um golpe como àquelas dez famílias: perdeu um filho jovem de maneira inesperada.

A dor dessa perda nunca passa. Nunca vai embora. Só que mesmo assim, diariamente, ele costuma nos ensinar com o lema: “perdi para a morte, não vou perder para a vida”. E assim ele segue sendo o cara que sempre foi. Íntegro. Honesto. Amigo dos amigos. Generoso. É daqueles caras que você gosta de graça. E faz questão de tê-lo por perto.

Os dois primeiros parágrafos explicam o que vem a seguir. As dez famílias que perderam o que tinham de mais importante na vida jamais estarão sozinhas. Talvez nenhum outro técnico nesse momento entenda mais o que se passa no coração daqueles pais que nunca mais poderão à noite dizer: “durma bem, meu filho.”

Jogadores e Comissão Técnica do Flamengo unidos após tragédia - Foto: Alexandre Vidal
As lembranças estarão pra sempre com todos nós. Esses meninos de um jeito triste entraram para a história do Flamengo. Todos eles sonhavam com a camisa rubro-negra, com o Maracanã lotado. Não será mais possível. Assim como todos esses pais e mães também sonhavam em ver os filhos realizados. Não será possível.

No sábado, Abel e os profissionais do Flamengo estiveram novamente no Ninho do Urubu. Lá rezaram e se emocionaram juntos. O técnico contou a sua história. Ali, há ídolos que são pais, que são filhos, que são irmãos. A capa de super-herói dos gramados só dura 90 minutos. E os ídolos sabem o que aqueles meninos sonhavam porque um dia sonharam como eles.

O técnico que sofreu e sofre como os pais. Os ídolos que eram inspiração para os meninos que foram embora e que seguirão como espelho para os que ficaram. Tomara que o destino que foi tão cruel quando decidiu interromper dez caminhadas ainda no início, pelo menos, possa ter acertado ao por os mais fortes ali para segurarem essa pancada.

Não é à toa que Abel Braga seja chamado carinhosamente de Abelão. O aumentativo nunca fez tanto sentido. As dez famílias vão precisar de alguém capaz de segurá-los pela mão e os ajude a não “perder da vida”.

No sábado, Abel e os profissionais do Flamengo estiveram novamente no Ninho do Urubu. Lá rezaram e se emocionaram juntos.

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