Dyogo chora ao recordar tragédia: "Não gosto nem de lembrar"

GLOBO ESPORTE: Uma semana após o incêndio que matou 10 de seus amigos, Francisco Dyogo Alves ainda busca respostas. Aos 15 anos, vivenciou de perto a maior tragédia da história do Flamengo, perdeu colegas e, por pouco, não morreu.

A feição está abatida, e os sorrisos são raros. Talvez um pouco pela timidez, característica forte na personalidade de Dyogo. As presenças dos pais Francisco e Francisca, no entanto, confortam e o descontraem. Eles chegaram de Fortaleza há uma semana, no dia da tragédia no Ninho do Urubu e, desde então, não desgrudam do caçula.

Poucas horas após receber alta e deixar o hospital, Dyogo reencontrou em um shopping seu amigo e conterrâneo Cauan, outra vítima do incêndio. Em seguida, foi com os pais a uma churrascaria e depois conversou com o GloboEsporte.com. Clinicamente ele está bem, mas ainda tem dificuldade de falar sobre a tragédia.

- Estou tentando esquecer um pouco o que aconteceu, levantar a cabeça e seguir em frente. Meu quadro de saúde é muito bom, estou melhorando e logo logo estarei 100%. Vou passar uns dias com a minha família e voltar a fazer o que eu amo, que é jogar futebol. É difícil falar sobre o que aconteceu. Não gosto nem de lembrar. Estou conversando com um psicólogo e vou seguir em frente – disse o goleiro, que completou 15 anos em janeiro.

Foto: Reprodução
Relembrar a tragédia, de fato, emociona o garoto. Dyogo recorda expectativa vivida na noite de 7 de janeiro, poucas horas antes do incêndio. Os meninos treinariam pela primeira vez no Maracanã, na tarde do dia 8. Mas o incêndio interrompeu o sonho.

- Estávamos bastante unidos, na maior resenha no quarto, brincadeiras e tal. No outro dia treinaríamos no Maracanã, era nossa primeira oportunidade de treinar lá. Todos estavam muito felizes. E aconteceu... Ficamos até tarde falando sobre isso, brincando, zoando... – neste momento, ao ser perguntado sobre o dia do incêndio, Dyogo se emociona e chora. Por respeito e a pedido da família, o GloboEsporte.com não abordou mais o assunto.


Dyogo deixou a família atrás do sonho no Rio

Dyogo tem muito mais a falar. Apesar de novo, está no futebol há uma década. Começou aos 5 anos em Fortaleza, passou pelo futebol de salão, foi atacante, mas firmou-se como goleiro. Aos 9, foi para o Estação. Conquistou torneios, ganhou prêmios e despertou a atenção de grandes clubes. Passou em testes no Cruzeiro e no Fluminense, por exemplo. Esteve próximo de ir para as Laranjeiras, mas balançou com a proposta de última hora do Flamengo. Aos 14, deixou a família no Ceará atrás de um sonho no Rio de Janeiro.

- Matamos um leão por dia. Deus tem um propósito. Lá na frente vou conseguir realizar meus sonhos. Fica a lição. Nunca desisti dos meus sonhos. Estou ganhando força para superar tudo isso e chegar ao meu objetivo. Meu sonho é ser jogador, estou trabalhando para jogar no (profissional) do Flamengo e chegar um dia à seleção brasileira.

Cauan: de rival a irmão

Ainda em Fortaleza, conheceu Cauan, hoje seu grande amigo. Jogavam em clubes adversários, o que acirrava a rivalidade. Além disso, eram vizinhos de bairro. Quis o destino que estivessem juntos e escapassem com vida da tragédia no Ninho. Nesta sexta, o abraço no colega foi mais forte do que o habitual.

- Éramos rivais, tivemos alguns atritos (risos). Eu perdia, ele perdia também, mas na maioria das vezes eu ganhava (risos). Morávamos pertinho, já éramos muito amigos. Rever meu amigo foi muito importante, vê-lo bem, vivo. No hospital ficamos juntos, um leito de frente para o outro. Hoje teve um abraço especial – disse Dyogo, que contou ter se emocionado com as homenagens da torcida do Flamengo, nesta quinta, no Maracanã.

- Vi as homenagens, assisti do quarto do hospital. Queria muito ter ido ao jogo. Mas por recomendação médica decidiram que eu ficasse de repouso. Me emocionei com as homenagens, com as fotos dos meus amigos. Fiquei muito emocionado.

Dyogo e os pais seguem no Rio de Janeiro nos próximos dias, uma vez que o jovem ainda é acompanhado pelos médicos do Flamengo. No início da semana, ele segue para férias em Fortaleza. Mas avisa: voltará ainda mais forte em busca do sonho.

Aos 15 anos, vivenciou de perto a maior tragédia da história do Flamengo, perdeu colegas e, por pouco, não morreu.

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