Entenda como o Flamengo tenta diminuir os custos do Maracanã

EXTRA GLOBO: Com diplomacia, o Flamengo já iniciou os contatos com as entidades responsáveis para reduzir os custos dos jogos do Estadual no Maracanã. Nos últimos dias, o vice de marketing Gustavo Oliveira e o vice de relações externas Luiz Eduardo Baptista estiveram na Federação de Futebol do Rio para tratar sobre o tema, que segue em debate também junto a concessionária Maracanã. A sinalização inicial é entender com a Ferj todo o funcionamento do estádio, para saber onde atacar e se vale a pena manter o atual contrato, assinado até 2020.

Com a concessionária, as conversas se restringem a ajustes que não firam o contrato vigente, por enquanto. Nele, estão algumas das explicações para que, de uma receita elevada em função de um público também alto, o clube lucre tão pouco. A principal explicação é que o Flamengo assumiu sozinho os custos de operação, que nos contratos anteriores eram divididos com o Maracanã.

Torcida do Flamengo - Foto: Divulgação
Antes, com receitas acima de R$ 300 mil, o Maracanã assumia as despesas sozinho. Abaixo disso, havia a divisão. Um exemplo: em 2015, no jogo contra a Cabofriense, o clube lucrou 18 mil de uma receita de R$ 309 mil. Este ano, contra o mesmo adversário, ganhou R$ 23 mil de uma receita de mais de R$ 1 milhão. A diretoria atual entende que pode fazer ajustes mesmo com o contrato atual em vigor. Ele foi aprovado na gestão do presidente Eduardo Bandeira de Mello, com negociação protagonizada pelo então diretor-geral Bruno Spindel .

A reportagem do EXTRA buscou uma posição da nova gestão e do diretor, mas a informação de bastidor é que os dirigentes não querem fazer críticas publicas às entidades com as quais dialogam de forma pacífica no momento, em busca de soluções. O presidente Rodolfo Lanfim não esconde, no entanto, que não era a favor do contrato atual, e votou contra sua assinatura por quatro anos no Conselho Deliberativo.

A ideia do Flamengo hoje é que as três partes envolvidas tenham vantagens no modelo de contrato vigente. Na prática, a Ferj é quem se dá melhor. A entidade fica com 10% livre da receita total. Mais cerca de R$ 25 mil de quadro móvel, além do valor pago ao delegado do jogo. O Flamengo calcula que o custo da entidade chegue a 20% da receita e não tem acesso à lista de fornecedores.

Uma alternativa imediata analisada no clube é revisar os preços para os clássicos nas finais da Taça Guanabara. O valor já aumentou para o Fla-Flu deste sábado e deve ser mantido no mesmo patamar em caso de decisão contra o Vasco - a partir de R$ 100 para não sócios.

Segurança eleva gastos

O detalhe é que nestas partidas a segurança é maior. E este item encarece muito o espetáculo. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, há um efetivo no limite para assegurar a segurança com agentes privados, uma vez que a PM não faz mais a revista dos torcedores. A cada 250 presentes, é necessário um agente privado. A empresa é a mesma que sempre atendeu ao Maracanã, a Sunset, e há dificuldade para buscar alternativas.

Sem poder mexer no efetivo de segurança, o Flamengo deve ajustar o preço do ingresso, mas não quer perder o apelo para o torcedor ir ao Maracanã. A meta é manter a média alta de público e atrair sócios-torcedores. O foco no momento, portanto, é com as despesas de limpeza, luz, as contas do estádio, ainda elevadíssimas. O clube estuda todas as frentes inerentes ao espetáculo para cortar gorduras, mas sabe que esbarra na Federação, a dona da competição, e na concessionária, dona do palco.

- Todo mundo tem que fazer uma parte, Ferj, Maracanã, Flamengo. Tem que sair bom para os três - diz uma fonte do clube presente nas negociações.

Dessa forma, a ideia em relação ao preço do ingresso, parte que cabe ao clube e que pode ajudar a equilibrar as finanças, é decidir pontualmente, de acordo com a partida. No caso da Libertadores, já há um horizonte de jogos mais rentáveis, que na avaliação do clube podem compensar as perdas no Estadual. Mas os pacotes já estão à venda.

O ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello deu sua posição sobre as contas do Maracanã. Segundo ele, o problema não é o contrato novo que foi assinado no fim de sua gestão.

- O contrato do Maracanã é melhor que o anterior, mas está longe de ser uma solução definitiva, que só virá quando o Flamengo for o titular da concessão do estádio e puder fazer as intervenções que tornarão a operação rentável - afirma Bandeira, lembrando que o estádio próprio deve ser a solução caso não haja nova licitação:

- Se o governo do RJ efetivamente desistir de promover uma nova licitação, a solução será partir para a compra de um terreno e a construção de um estádio próprio. Nesse caso, infelizmente o Maracanã tenderá ao abandono e ao sucateamento - opina.

Além do borderô

Em nota divulgada esta semana, a concessionária informou que os únicos valores pagos diretamente ao Maracanã são o aluguel de R$ 120 a R$ 150 mil e contas de consumo - R$ 150 mil de provisão, mas cerca de R$ 95 mil de valor real depois da medição - como gás, energia e água, que os clubes pagam somente pelo valor consumido durante as partidas.

De acordo com o comunicado, a simples leitura do borderô das partidas mostra apenas parte dos recursos que são movimentados durante um jogo de futebol.

"As receitas dos times de futebol mandantes durante os jogos no estádio não se resumem apenas à bilheteria da partida. Pelos contratos estabelecidos entre o Maracanã e o clubes, estes recebem percentuais das receitas de alimentos e bebidas, bem como valores oriundos da venda de camarotes", lembra a concessionária, que aponta o custo operacional designado no borderô na linha 18 como fornecedores de responsabilidade dos clubes.

"A linha 18 (custo operacional) é referente a valores que o clube paga diretamente a fornecedores como segurança, limpeza, orientadores, etc. Esse efetivo é dimensionado pelo próprio time em consonância com os órgãos públicos. A negociação com cada empresa é feita diretamente pelos grupos".

O Flamengo não divulga quanto é nem para onde vão os recursos com vendas de alimentos e bebidas, além dos camarotes.

Antes, com receitas acima de R$ 300 mil, o Maracanã assumia as despesas sozinho. Abaixo disso, havia a divisão.

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