Flamengo precisa frear os gastos

GOAL: Raisa Simplicio

O Flamengo passou alguns anos se reestruturando financeiramente, no entanto, os grandes títulos não fizeram parte do roteiro Rubro-Negro nas últimas temporadas. Com discurso agressivo de que era preciso fazer o clube da Gávea voltar a ser campeão, a nova diretoria, presidida por Rodolfo Landim, adotou a estratégia de investir forte no início do ano para que pudesse ficar mais próxima dos objetivos.

E assim foi feito, Arrascaeta, Gabigol, Bruno Henrique e Rodrigo Caio chegaram para compor o elenco que já era considerado forte. Mas para contar com esses nomes, o clube precisou gastar e gastar bastante. Os preços e as condições impostas principalmente pelo Cruzeiro fizeram o Flamengo demonstrar força, pagando um valor astronômico no uruguaio em parcelas bem próximas umas das outras.

Rodolfo Landim e Marcos Braz - Foto: Alexandre Vidal
Criou-se uma ideia falsa de que o Flamengo é muito rico, o que não é verdade. Prova disso é que se planejou para contratar cerca de seis a sete reforços, trouxe quatro e ainda ficou faltando o zagueiro, considerado uma das prioridades. O foco estava voltado para Dedé, mas depois da dura negociação por Arrascaeta e os altos valores exigidos pelo time Celeste ficou difícil, faltou dinheiro.

O Flamengo é sim um clube que veio se estruturando financeiramente, que paga em dia, que tem boas condições para seus atletas e pôde fazer alguns investimentos. Mas para trazer os grandes reforços no início do ano, apostou na força para atrair investimentos. Vale lembrar que, o Rubro-Negro perdeu dois patrocinadores, Carabao e Caixa, o último era o master e estampava o peito dos jogadores, e agora precisa urgentemente de parceiros, mas vê dificuldade em atingir os valores imaginados no início do ano por conta do incêndio que deixou dez vítimas fatais no Ninho do Urubu.

Se clubes de futebol já não são prioridades das grandes empresas, atrelar o nome a uma marca que está envolvida em uma polêmica e estampando as páginas policiais diariamente é mais complicado. Por outro lado, em caso de títulos importantes este ano, o Flamengo pode colocar no bolso uma grana alta, com a Copa do Brasil, por exemplo, o campeão pode embolsar até 70 milhões de reais. Na Libertadores, as cifras chegam próximo a casa dos 50 milhões.

No meio de tudo isso, o Flamengo ainda precisa pagar a indenização das vítimas do incêndio, a proposta feita pelo clube foi negada pelo Ministério Público, o que demonstra que o Rubro-Negro ainda pode ter dificuldades para chegar a um acordo por valores, mais um fator que obriga a diretoria a evitar gastar dinheiro neste momento.

Por tanto, a ordem é clara: não criar mais dívidas. O que não quer dizer que o Flamengo vai fechar os olhos para o mercado, mas para que alguém chegue ao clube neste momento somente vindo de graça ou por um valor muito baixo. A janela do meio do ano, por exemplo, pode ser importante para no sentido não só de ter a possibilidade de trazer jogadores sem contrato como também de negociar alguém, o que já é visto como grande possibilidade por parte da diretoria.

Os preços e as condições impostas principalmente pelo Cruzeiro fizeram o Flamengo demonstrar força.

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