Restavam tão poucos dias...

ESPN: Fabio Chiorino

Esse dia talvez nunca acabe. O celular apitou logo cedo, muito antes do despertador. Era a informação de um incêndio no CT do Flamengo, no Rio de Janeiro, que carrega consigo um apelido que só deveria representar aconchego. O Ninho do Urubu.

Uma das maiores tragédias do futebol brasileiro, um dia de luto para o esporte mundial: um incêndio no Ninho do Urubu tirou a vida de 10 jogadores das categorias de base do clube, além de deixar três feridos.

Não houve tempo para o desencontro de informações. A lista, ainda sem os nomes, apontava dez mortos e três feridos. Aos poucos chegavam imagens do fogo varrendo o alojamento de jovens de 14, 15, 16 anos. Jovens, não. Meninos. Todos vindos de fora do Rio de Janeiro, buscando uma oportunidade para mudar a própria vida e a de tantos familiares de origem e jornada humilde. Não deu tempo. Uma curto-circuito em um ar condicionado e adeus.

Pessoas se lamentando em tragédia no CT do Flamengo - Foto: Divulgação
O vídeo que circulou durante todo o dia nas redes sociais, gravado por um dos sobreviventes, mostra uma cena recente, que destoa de todo o dantesco quadro desenhado com tintas sombrias. Os garotos cantam o hino do clube, se abraçam, celebram sem motivo aparente. Feliz por estarem lá, juntos, percorrendo um caminho de sonho que tantos buscam e poucos realizam. Dentro de um contêiner, lá estão eles. Felizes.

As investigações, que já começaram nesta sexta-feira, são obrigatórias, mas incapazes de reverter o luto. E no Brasil, quase nada é conclusivo. Apenas a dor. Latente, intermitente, feroz. O Flamengo planejava em pouco tempo transferir os garotos para outro alojamento. Mais moderno e estruturado, condizente com o momento do clube, que, após reorganizar suas finanças, aumentou o patamar de suas ambições dento de campo e olhava para gente. Agora, precisará olhar para trás e dar todo o suporte possível aos familiares das vítimas.

As lágrimas continuarão a cair por muito tempo. E, por ora, a bola não deve rolar no Rio. Não há razão para isso e haverá a hora certa para seguir em frente. Tudo o que importa no momento cabia dentro daqueles contêineres. O Rio de Janeiro, de beleza tão propagada pelo mundo, perdeu hoje todas as suas cores.

Uma vez Flamengo. Para sempre Jorge, Vitor, Christian, Pablo, Bernardo, Arthur, Athila, Gedson, Rykelmo e Samuel.

O Flamengo planejava em pouco tempo transferir os garotos para outro alojamento. Mais moderno e estruturado, condizente com o momento do clube.

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