Rosenberg diz que camisa do Flamengo vale mais que do Palmeiras

FOLHA DE SÃO PAULO: Corinthians e Palmeiras se enfrentam neste sábado (2), às 17h, pelo Campeonato Paulista, mas a rivalidade entre as equipes começou a esquentar há duas semanas, quando o diretor de marketing alvinegro, Luis Paulo Rosenberg, anunciou o BMG como novo patrocinador do clube.

Na ocasião, ele fez uma provocação à Crefisa, parceira do time alviverde. Exaltou que o banco não tem pretensão política no Corinthians, em referência ao desejo da dona da Crefisa, Leila Pereira, de presidir o Palmeiras. A empresária é conselheira do clube e deve concorrer à eleição presidencial em 2021.

“O Palmeiras tem uma relação afetiva com o patrocinador. Tem mais que a mera busca de lucro. No meu, não”, afirma o dirigente em entrevista à Folha. “Aqui, a relação vai ser mais profissional, menos emotiva”, acrescenta.

Foto: Divulgação
No contrato assinado com o BMG, o Corinthians vai receber uma parcela fixa anual de R$ 12 milhões, mais 50% do lucro obtido pelo banco com novas contas abertas por torcedores do time.

Esse valor fixo foi alvo de críticas, sobretudo, na comparação com o valor do acordo do Palmeiras com a Crefisa, que prevê R$ 81 milhões por ano.

Para Rosenberg, o valor pago pela patrocinadora do rival está fora da realidade do futebol brasileiro. “É evidente que o que está acontecendo com a camisa do Palmeiras é um artificialismo”, afirma.

Na parceria com o BMG, o dirigente espera receber anualmente, pelo menos, a metade do que o rival ganha de seu patrocinador. "Se eu não achasse que o Corinthians vai ganhar, por baixo, R$ 80 milhões [em dois anos], eu não teria feito esse contrato", diz.
Além do banco, o time do Parque São Jorge possui outros seis patrocinadores em seu uniforme: Nike, Pro Evolution Soccer, Universidade Brasi, Joli, Poty e Positivo.

Como surgiu o interesse do BMG de patrocinar o Corinthians? Foi um namoro longo. Cada vez que a gente se encontrava, eu, o Andrés [Sanchez, presidente do Corinthians], e os executivos do banco, falava-se nisso. Eles têm um ex-diretor, chamado Allan Barros, que criou uma agência de novos negócios voltada para o BMG. A ideia de fazer o "Meu Corinthians BMG" é dele. E aí nós começamos a trabalhar nessa ideia.

Durou quanto tempo essa negociação?
Uns quatro meses. Se é um acordo tradicional, a gente negocia um preço e uma taxa de licenciamento. Mas, quando eu sinto que eu vou aportar uma contribuição decisiva... Quanto maior for a minha confiança no modelo de negócio, menos eu quero dinheiro garantido e mais eu quero participação. Nesse negócio com o BMG, vale ter uma participação grande.

O modelo é semelhante à parceria do São Paulo com o Banco Inter?
Não. É pouco o que eles repassam para o clube. Estou chutando, mas eu acho que é cerca de R$ 6 milhões. Eles têm algum bônus, talvez pelo número de assinaturas. Nesse nosso modelo não.Aliás, nunca vi um banco dar uma participação desse tamanho. E em um contrato de cinco anos. Qual é o interesse do Corinthians? Quanto a usar o peito da camisa, eu cago solenemente. Até a última hora eu tinha uma outra opção de [patrocínio] papai e mamãe. Eles me davam X milhões e colocavam o nome por dois anos. Isso aqui [mostra o peito], não é o meu foco. O foco é nos 50% [de participação nos lucros do BMG com as contas de corintianos]. Esse 50% eu quero no maior prazo possível porque eu só vou ser banqueiro naquele período.

Por que o banco dá uma participação tão alta para o clube?
 É claro que ele [BMG] fica puto de me dar 50%. Se você pensar bem, em uma associação em que um entra com o capital e o outro entra com o marketing, é no máximo 30% a 70%. Eles aceitaram porque eles perceberam que não iriamos aceitar menos e pensaram: “se eu der 50%, esse cara [Rosenberg] vai ralar a bunda para trazer contas nesses cinco anos e ele vai formar uma puta base de clientes”. No sexto ano, isso é 100% deles.  Qualquer um dos dois que quiser sair, pode sair. Mas, nos primeiros dois anos, não tem conversa. Se o BMG quiser sair, ele me paga sobre a minha base mais dois anos. Em dois anos, não dá para sair.

O Andrés Sanchez afirmou que o clube já recebeu os R$ 12 milhões fixos de 2019 e de 2020. Correto?
É, ele interpretou assim. Na verdade, é o seguinte. Eu botei a mão em R$ 30 milhões. O dinheiro vem de duas fontes: uma é a parcela de R$ 12 milhões e outro o lucro, que varia. Se você quiser dizer que eu já recebi dois anos e meio, por isso R$ 30 milhões, você diz. Se você quiser dizer que eu recebi lucro adiantado, você diz.

Mas o banco precisa discriminar quais valores eles estão repassando ao Corinthians.
Então, ele me deu R$ 30 milhões e diz o seguinte: eu tenho um contrato sacramentado pela CVM, a CVM tomou conhecimento que eles vão pagar R$ 12 milhões todo ano. É o que está inscrito lá. Se eu tiver R$ 30 milhões a receber, são R$ 12 milhões fixos e mais R$ 18 milhões. É isso.

Por que você diz que “o Andrés interpretou dessa forma”?
Eu sei que eu recebi R$ 30 milhões deles como adiantamento. [Em 2019] eles têm que me pagar efetivamente R$ 12 milhões e o lucro do primeiro ano. Se o projeto for uma merda e não der lucro aí ele me adiantou duas anuidades e meia. Agora, se der zero, nós estamos loucos. Mas, essencialmente, é o equivalente a duas anuidades e meia.

Quando você falou [na apresentação do patrocínio] que os R$ 30 milhões eram um “voto de confiança”, deu a entender que eram R$ 12 milhões deste ano e R$ 18 milhões como uma previsão de lucro. Não está correto, então?
Não. Onde já se viu alguém pagar R$ 12 milhões logo na assinatura? Nem a Leila paga. Seria pago em 12 vezes. Todo contrato é assim. A confiança que eu falei é porque eles pagaram isso logo de cara. E banqueiro não arrisca. Se eles estão fazendo isso... E mais, quanto ele vai enfiar de divulgação? Então, essa descrença de falar em zero ou R$ 12 milhões. Eu não ia vender por R$ 12 milhões se eu tinha uma proposta de R$ 30 milhões.

De qual empresa era essa outra proposta?
Não conto quem quis contratar comigo e não contratou porque ele perdeu. E eu não vou deixar que alguém que tentou fazer negócio com o Corinthians saia com fama de perdedor. Mas, sobre o negócio com o BMG, todo mundo do mercado que me liga fala “puta que pariu, que negócio”. E vocês ficam nesse negócio de só R$ 12 milhões.

Por que o Corinthians não citou esses R$ 12 milhões logo de cara?
Mas, no dia da apresentação, você estava lá, e o presidente do BMG falou.

Ele não citou valores.
Claro, ele disse que estava sob condição de sigilo e não podia falar. Se ele conta para a imprensa antes de contar para a CVM e para o Banco Central, ele está morto. Agora, que diferença faz divulgar ou não divulgar? Para mim, aquilo [R$ 12 milhões] é bosta. Se eu não achasse que o Corinthians vai ganhar, por baixo, R$ 80 milhões, eu não teria feito esse contrato. Eu teria feito o certo de R$ 30 milhões. Agora, do jeito que ficou, eu fico com R$ 80 milhões, que é o que eu estou projetando no mínimo de lucro, mais R$ 24 milhões. Isso, em dois anos, claro. Aí ficou gostoso.

Mesmo assim, o torcedor precisa comprar a ideia.
Tem algumas pessoas que dizem que eu joguei toda a responsabilidade na torcida. Eu examino a qualidade do produto, a seriedade da empresa e o que ele vai oferecer. Nessa hora, eu cumpri meu dever. O marketing tem de entrar na alma do corintiano, descobrir o que ele quer. Se o cara não quiser, não vai. Claro, o negócio pode dar certo ou errado. Mas o meu papel é apresentar para o consumidor. Quer? Não quer? Vamos para outro. Então, não tem isso “de jogou para a torcida”. Eu não quero que ninguém faça com o BMG o que o Bradesco oferecer melhor. Está louco? Agora, eu sei como é o comportamento do corintiano.

O Corinthians pediu para o BMG para colocar taxas para os seus serviços menores do que as da Crefisa?
Não. Nós vamos colocar uma taxa extremamente competitiva. Eu estou falando de um banco que quer crescer. Por isso que, quando a gente discutiu o plano de negócio, disse para conferir bem esse número.

O BMG já atua no futebol há muito tempo, por que essa parceria é tão diferente?
O diferente é a parceria no resultado. Isso eles nunca fizeram. É isso que vocês não estão vendo. Nós passamos de analógico para digital e vocês ficam perguntando onde estão os ponteiros.

Você acredita que o Corinthians possa receber do banco mais do que o Palmeiras recebe da Crefisa?
Eu não tenho ideia. O Palmeiras tem uma relação afetiva com o patrocinador. Tem mais por de trás do relacionamento do que a mera busca pelo lucro. No meu, não. Agora, o Palmeiras tem uma instituição financeira mais limitada do que um banco como o BMG. Aqui, o leque vai ser muito maior. Aqui, a relação vai ser mais profissional, menos emotiva. Eu não tenho nenhuma simpatia, nenhuma relação emocional com o banco. O fato de ele ter tido outros negócios com o futebol foi muito bom para eles entenderem.

Como o Corinthians espera ter uma receita de R$ 40 milhões com um produto se o lucro líquido do banco inteiro, em 2017, foi de R$ 26 milhões apenas?
O balanço do banco mostra o lucro operacional. Ali não tem, por exemplo, amortização de um prejuízo que ele tomou em empréstimos do passado. Lá não tem o pagamento de um financiamento de agências que ele construiu. Então, eu não vou trabalhar com o lucro do banco. Eu vou trabalhar com o lucro da plataforma Meu Corinthians BMG.

Para gerar a receita que o Corinthians espera a plataforma teria de gerar um lucro maior até do que o do próprio banco? Pode ser.

Houve algum problema com o BMG após a polêmica dos R$ 12 milhões?
Não. Depois da assinatura do contrato, a gente saiu para jantar. Fomos comemorar. E eles estavam e extasiados pela repercussão com a torcida. E a gente disse para eles que o Corinthians é uma montanha russa. Hoje você está subindo macio, com uma brisa maravilhosa, mas espera, não é assim o nosso cotidiano. No dia seguinte, deu aquela reviravolta, mas eles reagiram muito bem.

O patrocínio da Crefisa ao Palmeiras é prejudicial para o futebol? Pode criar um desequilíbrio?
Ninguém tem de se meter no que o Palmeiras quer para ele. Não tem mal nenhum. Além disso, quanto mais forte for o meu adversário, mais eu ganho jogando com ele. Eu jogo com um Palmeiras forte, arrecado R$ 6 milhões. Contra um Palmeiras de merda, arrecado R$ 2,5 milhões. Quanto mais camisa do Palmeiras tiver na rua, mas o meu torcedor também vai querer usar a dele. Mesmo as brincadeiras que eu faço, de chamar o estádio de pneu de carro deitado, é só para alegrar. Mas é evidente que o que está acontecendo com a camisa do Palmeiras é um artificialismo. Como pode a camisa do Palmeiras valer mais do que a camisa do Flamengo? Você não tem a mesma exposição de marca no Palmeiras que teria no Flamengo. Isso é a paixão da dona [Leila Pereira, dona da Crefisa].

O Corinthians venderá os naming rights, ainda neste ano?
Não depende de mim. Se você me perguntar se eu estou negociando com gente séria, eu estou. Você está sentindo as negociações mais concretizáveis do que no passado? Estou. Você está com um negócio que dá para resolver em 15 dias? Não.

Como pode a camisa do Palmeiras valer mais do que a camisa do Flamengo? Você não tem a mesma exposição de marca no Palmeiras que teria no Fla.

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