Sonhos destruídos por irresponsabilidades

TORCEDORES: Por Luiz Ferreira

Sonhos de criança costumam ser os mais bonitos e tocantes. Adultos também sonham, mas não com o entusiasmo e a pureza delas. “Quando crescer quero ser médico, astronauta, professor, tocar guitarra na TV, ser ator, construir casas…” Muitas delas também sonham em ser jogador de futebol. Querem ser o Ronaldinho, o Cristiano Ronaldo, o Messi, o Neymar, o Mbappé, levantar taças e marcar gols. Ser o melhor do mundo. E ser a inspiração de outras crianças.

Zico, Pelé, Maradona, Cruyff, Garrincha, Beckenbauer, Romário, Zidane, Maldini, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Marta, Carly Lloyd, Formiga, Cristiane, Printz, Sissi, Mia Hamm, Hope Solo. Todos foram crianças, todos tinham seus sonhos e batalharam muito para realizá-los. Uns foram mais longe do que os outros. Mas todos lutaram e fizeram sacrifícios. Como muitos jovens fazem hoje em dia.

Foto: Gilvan de Souza
No entanto, vivemos num tempo em que sonhos são interrompidos e dilacerados por tragédias diárias. Muitas delas provocadas por nós mesmos. São as barragens mal feitas e mal cuidadas que se rompem. São as chuvas fortes que apagam nossas ruas cheias de lixo. São os incêndios que queimam planos até as cinzas. De crianças e de adultos.

O incêndio no Ninho do Urubu foi mais um capítulo da nossa sina de tragédias diárias. Dez vidas ceifadas pelo fogo. Dez pessoas que poderiam ser nossos filhos, sobrinhos, conhecidos e amigos. Jovens que tinham sonhos. Sonhos de ser um Ronaldinho, um Romário, um Neymar, um Zico. Um Pelé.

Mas a grande verdade é que somos uma sociedade mimada e estranha. Não queremos seguir regras. Seja no Ninho do Urubu, no ninho do pássaro ou com qualquer ninho que seja. E quando as consequências da nossa leviandade aparecem, nos travestimos de “arautos da moralidade” para realizar as nossas caças às bruxas e tirar o nosso lucro com as tragédias nossas de cada dia. Temos muita fachada e pouco conteúdo. O ato de “lacrar” parece ser mais importante do que aprender com nossos erros e repará-los para que ninguém mais sofra por causa deles. Para que nenhum sonho seja destruído pela nossa falta de cuidado. No entanto, passam-se alguns meses e já entramos novamente nesse ciclo vicioso, leviano e cruel.

Precisamos refletir. Refletir muito. Técnico do Atlético-MG, Levir Culpi foi muito feliz quando afirmou que vamos ver uma série de medidas sendo tomadas nos CT’s da base agora que tivemos essa tragédia lá no Ninho do Urubu. Tal como aconteceu após o incêndio da Boate Kiss, em 2013. De repente, como se fosse num passe de mágica, todos as boates do Brasil e todos os seus frequentadores começaram a se preocupar com segurança. Mas bastaram alguns poucos meses para que o quadro voltasse a ser o mesmo de antes. E o ciclo seguia.

Adianta alguma coisa fazer caça às bruxas e fazer linchamentos reais e virtuais sem corrigir a própria conduta diante das leis e regras que existem? É enxugar gelo. O que aconteceu no Ninho do Urubu é o retrato da nossa sociedade. Tragédias que destroem sonhos em todos os lugares e todos os dias. E que poderiam ter sido evitadas se fossemos um pouco mais atenciosos e menos levianos.

Muitos jovens ainda vão aparecer com muitos sonhos. Para cada um deles, deixar a sua terra natal e morar num Centro de Treinamento (mais confortável do que o próprio lar em alguns casos) e longe dos familiares faz parte do sonho de ser jogador de futebol. Seja no Ninho do Urubu, no CT do Real Madrid ou do Manchester City. Tudo terá valido a pena daqui a alguns anos, quando o sucesso chegar em forma de fama, gols e títulos. E quando isso acontece, não vemos ninguém falar em medidas de segurança ou melhores condições de trabalho. Chamamos isso de “superação”, “vontade de vencer” e “sucesso”. Se alguém aparece pra reclamar, falamos em vitimismo, frescura e preguiça. Amigo, nós mesmos negligenciamos essas mesmas regras todos os dias. Afinal, vivemos numa sociedade que acredita piamente que os fins justificam os meios. Só consertamos a fechadura depois que a porta foi arrombada e esquecemos dela depois de algum tempo. Até que um novo arrombamento aconteça.

Sonhos são alimentados e cultivados por jovens em todos os lugares, em todas as profissões e a todo momento. Meninos e meninas que querem ser um Romário, um Cristiano Ronaldo, uma Marta ou uma Carly Lloyd. Ou cientistas, astronautas, atores e atrizes. Alguns sonham em descobrir a cura para o câncer e outros em melhorar a vida das suas famílias jogando futebol. É o que move a vida. Sonhar e correr atrás desse sonho.

Este que escreve só espera que as famílias sejam confortadas e abraçadas, que os responsáveis pelo ocorrido no Ninho do Urubu sejam punidos e, principalmente, que todos nós aprendamos com nossos erros e finalmente tenhamos mais cuidado, empatia e carinho com o próximo daqui pra frente.

Chega de destruir sonhos com as nossas tragédias de cada dia. Chega de tragédias. Chega de tristeza. Chega.

Chega de destruir sonhos com as nossas tragédias de cada dia. Chega de tragédias. Chega de tristeza. Chega.

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