Com erro de apito, Fla não vence mas vê talento de Arrascaeta

CHUTE CRUZADO: Pedro Henrique Torre

Difícil discordar de quem dizia que o duelo entre Flamengo e Volta Redonda numa noite de um sábado chuvoso no Rio de Janeiro não valeria tanto assim. Reta final da Taça Rio, time reserva. Mas havia, sim, um motivo: Arrascaeta. Se não houve gols – muito graças ao apito desastroso que anulou um tento legal de Hugo Moura – observar a facilidade com que o uruguaio dá passes e acha companheiros em campo, ainda que desentrosado, valeu o ingresso. O meia esquenta os motores e indica que será presença obrigatória no time principal em breve.

O clamor pela presença da contratação mais cara da História do clube já existe. Há quem considere aberração o camisa 14 ainda estar fora. Mas há, também, pontos a considerar. No imbróglio de sua saída do Cruzeiro, o meia perdeu dias de pré-temporada. Fisicamene, começou atrás. Pela frente, jogará eliminatórias sul-americanas e Copa América enquanto a maioria dos companheiros estará à sua espera, treinando. Convém, claro, dosar energia para a exigência do ápice da temporada quando, de fato, as cartas estarão na mesa. Por enquanto, ainda não estão. É apenas março. E Arrascaeta, aos poucos, já demonstra que será imprescindível. A entrada na equipe deverá ser natural, mesmo após o ótimo desempenho diante da LDU, pela Libertadores.

Arrascaeta e Diego em Flamengo x Volta Redonda - Foto: Alexandre Vidal
Abel Braga quase repetiu a equipe do clássico contra o Vasco, uma semana antes. Com mudança no posicionamento. Em vez do 4-1-4-1 foi ao 4-2-3-1, de fato centralizando o uruguaio e com Ronaldo mais plantado, auxiliando Piris da Motta. Mas a diferença primordial ocorreu nas pontas: em vez de Vitinho e Everton Ribeiro, os garotos Vitor Gabriel e Lucas Silva. É possível que os dois sejam até mais jogadores do que Vitinho e Everton Ribeiro no futuro. No presente, não são. Estão longe. Buscam apenas rodagem e ainda demonstram nervosismo na equipe profissional. Demoram a tomar decisões ou são afobados. De um extremo ao outro. Apesar disso, o início não foi ruim. Havia Arrascaeta.

No papel, ele jogaria centralizado. A rigor, ficou entre meio e esquerda. Instintivamente, Arrascaeta dá passos para seu habitat, se aproximando de onde estava Vitor Gabriel. Parece se entender melhor ali. A visão, no entanto, vale para o campo todo. Diante de um Volta Redonda que indicava um 4-1-4-1 e já recuava depois de tentar marcar a saída de bola nos minutos iniciais, o meia teve espaço para circular. Pela direita conseguiu dar agilidade ao jogo. É o maior trunfo do camisa 14: é objetivo. Passes verticais, buscando servir os companheiros. Pela direita, pôs Ronaldo dentro da área com passe certeiro. Em seguida, recebeu de Piris, matou no peito e, de primeira, surpreendeu a defesa do Voltaço ao achar Uribe entrando na área pela direita. As duas chances claras só não viraram gol por incompetência nas finalizações e, também, boa presença do goleiro Douglas Borges.

Não era, claro, uma partida soberba. Com Trauco na lateral, o Volta Redonda tentou apostar na velocidade de Douglas Lima pelo setor, buscando sempre as costas nos avanços do peruano. Conseguiu superioridade algumas vezes – uma delas num bom cruzamento para cabeçada perigosa de João Carlos. O Flamengo buscou trocar passes, jogar mais ao chão, triangular pelos lados do campo como tem sido nos últimos jogos. Mas Vitor Gabriel e Lucas Silva, a partir da metade do primeiro tempo, trocaram a paciência pela afobação. Buscavam cruzamentos pelos lados. Foram 28 da equipe só no primeiro tempo. Vitor perdeu também boa chance na área quando recebeu bola açucarada de Trauco. A finalização, de canela, parou de novo em Douglas Borges.

O primeiro tempo sem gols não provocou mudanças no Flamengo. O time continuou com a postura da reta final da primeira etapa. Troca de passes até a intermediária seguida de cruzamentos para a área. Uribe, em noite ruim, parecia um novato como os garotos nas pontas. Errava tempo de bola, finalizações. Arrascaeta, ainda centralizado, era mais discreto. Fazia o jogo andar, mas de maneira menos objetiva com um Volta Redonda mais agrupado. Menos espaços. Abel, então, tentou esgarçar a marcação rival com a troca de Lucas Silva por Diego. Com o camisa 10 centralizado, Arrascaeta circulou mais pelo meio. Com a saída de Vitor Gabriel e Rodinei adiantado à ponta direita, passou ao seu habitat. Não há dúvidas de que rende melhor na esquerda. Enxerga os companheiros com rara precisão. Por baixo e pelo alto. Por ali levantou bola na cabeça de Uribe, que parou no travessão. Também por ali dominou bola e, desequilibrado, quase fez um golaço, impedido com defesa magistral de Douglas Borges.

A vitória só não chegou com a superioridade de um Flamengo que teve 66% da posse de bola* e finalizou 19 vezes diante do Volta Redonda por que o rebote de um chute de Diego mandado por Hugo Moura às redes foi injustamente anulado, por impedimento. A arbitragem também derrapou ao ignorar pênalti no braço de Luiz Paulo após cabeçada de Rodinei, um inusitado capitão até a entrada de Diego no jogo. O Flamengo não venceu. Mas viu mais um esquentar de motores de um Arrascaeta que diz que a titularidade será inevitável. Foi o que valeu o ingresso.

O Flamengo viu mais um esquentar de motores de um Arrascaeta que diz que a titularidade será inevitável. Foi o que valeu o ingresso.

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