Coração sob pressão

GILMAR FERREIRA: Em julho de 2018 o técnico Beto Campos, de 54 anos, campeão gaúcho pelo Novo Hamburgo em 2017, morreu enquanto dormia, vítima de um infarto fulminante.

No último dia 21, o técnico Ademir Fonseca, de 56 anos, ex-volante do Botafogo nos anos 80, foi submetido às pressas a duas intervenções cardíacas.

Operações de emergência após o treinador sofrer um infarto durante um treino do Uberlândia, na Segunda Divisão do futebol mineiro.

Ficou em estado grave, mas se recupera bem.

Apenas dois exemplos a ilustrar uma verdade que está escancarada e só não enxerga quem não quer: o futebol está adoecendo os técnicos brasileiros.

Abel, treinador do Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
O mal súbito de Abel Braga é apenas mais um sinal evidente do quão doentio está sendo a pressão sobre os treinadores.

Por alto, nos últimos seis anos, pelo menos outros quatro treinadores tiveram problemas cardíacos - só para lembrar dos casos mais famosos.

Osvaldo de Oliveira (Botafogo), Muricy Ramalho (Flamengo), Cuca (Santos) e Renato Gaúcho (Grêmio)...

Todos em decorrência da pressão que sofrem à beira do campo.

Sempre obrigados a conquistas, os técnicos são cobrados pelo funcionamento de uma estrutura que bem maior do que a capacidade que eles têm.

Aos 66 anos, Abel Braga é o segundo, nos últimos três anos, a baixar enfermaria na Gávea, vítima de arritmia cardíaca.

Em 2016, Muricy Ramalho sucumbiu à pressão e, aos 61 anos, saiu de cena pela mesma razão.

Porque é até uma questão aritimética: como o clube disputa de três a cinco competições por ano, a chance de insucessos é maior do que a de vitórias.

Principalmente à frente de times com grandes investimentos, como no caso específico do Flamengo.

E sem um executivo que poupe o treinador de desgastes que não sejam aqueles restritos ao chamado campo e bola.

Pois não pensem vocês que a arritmia de Abel Braga é um fato isolado, surgido do nada, porque não é.

A pressão por grandes conquistas é hoje muito mais do que meta a ser atingida.

E a caminhada com tantas armadilhas no caminho não é das mais fáceis - o coração de Abel que o diga.

Por isso custo a crer que os médicos que hoje acompanham o técnico nestes procedimentos para conter a arritmia o liberem para a labuta tão rapidamente.

Embora não reclame, ele tem se sentido sobrecarregado e a obrigação assumida de levar o time ao título da Libertadores acelera o desgaste.

É mais um que se não dosar a medida, sairá de cena antes do esperado...

Principalmente à frente de times com grandes investimentos, como no caso específico do Flamengo.

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