Flamengo com o cabelim na régua

REPÚBLICA PAZ E AMOR: Reclamei muito da desimportância do Fla-Flu que decidia a semifinal da Taça Rio, que valia mesmo quase nada. Pensei em fazer algo de mais útil na noite de quarta-feira. Mas o banho nos cachorros ficou pra outra oportunidade. Após os mais de 100 minutos de futebol, choro e porrada que rolaram no gramado do Maraca sou forçado a reconhecer que foi um dos maiores Fla-Flus da semana.

Com muitos dos ingredientes que fazem o futebol atrair as multidões. Principalmente as cenas lamentáveis durante e depois do jogo. É isso que o torcedor que ver: garra, comprometimento, sangue nos olhos e desrespeito às regras que ordenam o pacto social. Ainda mais num campeonato meia-boca como o Carioca, que precisa atrair novos espectadores, esses itens são de rigor. Quando não tem o pessoal reclama.

O Flamengo titular sem Fosforito não encontrou dificuldade pra se impor sobre os terceirenses. Timinho once, timinho ever, o Flor encaixou o regulamento n’alguma cavidade corporal ignorada e ficou naquela cerinha sem vergonha que é cultivada com zelo nas Laranjeiras desde os tempos do Preguinho. Mesmo chegando pouco na frente o domínio do Flamengo na meiúca era tranquilo e incontestado, com Everton Ribeiro organizando o baba e mostrando suas superiores qualidades de articulador. O ataque dos caras também chegava pouco e nossa defesa tava dando conta do recado sem maiores esforços.

Everton Ribeiro no Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
Destaque absoluto pro Renê, em uma das maiores atuações, creio eu, de toda sua carreira. Difícil dizer se Renê estava puro. Atuante, dinâmico, puxando a saída de bola pela esquerda com clarividência e velocidade inauditas, Renêzinho “Meu Amigo” gastou a bola no Maracanã. E foi justamente premiado com um belo gol, pegando na veia uma bola ajeitada pelo Bruno Henrique (tava puro também não) e mandando a nêga pro fundo do barbante com muita categoria. Há muito tempo não via um lateral esquerdo com a camisa do Flamengo jogar tão bem. Arrisca até de ter sido a maior atuação das esquerdas brasileiras no ano.

Mas o Flamengo foi pro intervalo já com um jogador a menos. Bruno Henrique se empolgou, entrou com excesso de masculinidade numa dividida com um tricolor e antes mesmo que ameaçasse ocupar o lugar de fala da vítima foi excluído do folguedo pelo bom tecnicamente, mas fraco na disciplina, Marcelo de Lima Henrique, conhecido integrante da Raça Fla. O bom Marcelo no 2º tempo seria mais uma vez ludibriado pelos notoriamente antiesportivos tricolores que forçaram a barra num lance absolutamente normal na área do Flamengo e acionaram a maquina de maldades de seu famigerado Departamento Jurídico.

O lance deu em nada e Diego Alves já se preparava para bater o correto tiro de meta quando de um momento para o outro, do nada, e sem nenhuma razão aparente, emissoras de TV, rádio e influenciadores digitais, praticamente ao mesmo tempo, colocaram em ação uma virulenta campanha de desmoralização do árbitro. Os tricolores, em surto punitivista, exigiam o VAR. Das arquibancadas quase se podia ouvir os telefonemas iracundos de Chico Buarque, Lulu Santos e Fernanda Montenegro para exercer pressão sobre os íntegros membros da Comissão de Arbitragem da FERJ. A conspiração tapetense relâmpago surtiu efeito e o árbitro, acuado, assinalou aquele pênalti ilegítimo, ilícito, espúrio e extralegal.

Para os tricolores o VAR é um quiosque do STJD à beira do gramado. Mas antes ainda do advento do VAR não foi sempre assim? Essa é a tradição nas Laranjeiras (nome de bairro de machão). O que fez então o Flamengo punido injustamente? Fez o que qualquer brasileiro com sangue nas veias faz quando o arbítrio ameaça as liberdades e os direitos individuais. Partiu pra cima delas sem medo, pra defender a Nação, cônscio de que lutava o bom combate. E nessas situações o universo conspira a favor dos justos. Por isso jamais devemos lamentar uma expulsão, pois sempre é um a menos para errar. Jogando com 10 o time se agigantou, cada um botou mais 10% na roda e em pouco tempo a conta estava paga e o Flamengo dominava as ações. Valeu, Bruno Henrique, até errando você está acertando, meu craque.

Espremido por um Flamengo empolgado, talvez pelo descompromisso e pela consciência de que Taça Rio vale nada, o Flor se movimentava apenas em seu campo defensivo. De onde seus jogadores davam bicudas magistrais sem qualquer direção. Em um dos muitos raids do ataque rubro-negro acabaram cometendo um pênalti escandaloso, explícito, quase violento. Everton Ribeiro, com a frieza de um Itto Ogami, o ex-kaishakunin do xogunato Tokugawa, botou a gorduchinha debaixo do braço, a colocou na cal e, com olhar de quem só tinha 1 par de oitos, executou o razoável goleiro tricolor. 2 x 1, fatura liquidada, Flor eliminado. Um grande dia.

A despeito de seu baixo valor de face, podemos dizer que foi um Fla-Flu que manteve as feições clássicas. De um lado um time grande se comportando como corresponde, atacando e buscando o gol. Gerando uma energia contagiante que incendiou os corações. Todos viram, não é mito, está na súmula, a certa altura o Abel trocou um volante por um atacante! Foi um momento sensacional e memorável. Do outro lado um time pequeno com seus 11 come-e-dorme assustados atrás da linha da bola, se defendendo ao melhor estilo timinho, para o deleite de sua minúscula e bissexta torcida que fazia uma festa estranha com gente esquisita enquanto empatavam.

Ora, meus amigos, os Fla-Flus são assim desde o tempo em que o Mário Filho usava calças curtas e enchia seu irmão caçula e pervertido de cascudos. Não é de hoje que o Florminense representa o antijogo das elites que apoiam a estratificação social enquanto o Flamengo é o time dos ideais libertários e democráticos da mulambada lutando para vencer a íngreme cordilheira da linha da pobreza. Não adianta rebatizar de Nova Política, é o velho adversário de sempre.

Agora fica a grande preocupação para a decisão da importante Taça Rio. O Abel (melhoras pra ele) é um cara de grupo, que sempre diz que todos tem que ter sua oportunidade. A grande dúvida é se Abel mandará a campo o time da Contabilidade, o time da Manutenção ou se dessa vez vai dar aquela chance pra rapaziada do RH.

Mengão Sempre

Agora fica a grande preocupação para a decisão da importante Taça Rio.

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