Jornalista culpa o Flamengo por arritimia cardíaca sofrida por Abel

COSME RIMOLI: "Sentiu um incômodo na região torácica no segundo tempo. Não se sentiu bem e pediu um auxílio nosso. Fizemos o atendimento inicial e achamos por bem levarmos ele para o hospital.

"Abel pediu para dizer para a torcida do Flamengo que está bem e agradeceu o carinho das redes sociais."

Essa é a versão oficial do Flamengo sobre o mal estar de Abel Braga, ontem, no Maracanã, após a vitória sobre o Fluminense por 2 a 1. Forma palavras do médico Gustavo Caldeira.

"No final do jogo ele sentiu um mal estar. A gente deixou ele pronto. Monitoramos. Deixamos pronto para uma ambulância para qualquer situação de emergência.

Abel, técnico do Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
Levamos para o vestiário. Saiu de lá estável. Trouxemos para cá que é um hospital de referência. Ele já fez alguns exames, se alimentou. E amanhã (hoje) serão feitos novos exames.

Se é arritmia? Sim. Arritimia cardíaca.

É um quadro que ele já teve anteriormente. Quatro anos atrás, mais ou menos. Já conhecíamos o quadro. Já sabíamos.

Não é que seja hipertenso. Ele tem arritmia.

A questão é o ritmo cardíaco dele.

No campo ele estava pálido, teve um mal estar rápido. Mas estava atento, orientado.

Depois levamos para o vestiário e começamos a monitorar e vimos que ele tinha alterações (no batimento cardiáco) e decidimos trazê-lo para o hospital."

Palavras do também médico do Flamengo, João Marcelo.

A verdade é que Abel Braga provocou um susto imenso ontem no Maracanã.

Homem muito forte para os seus 66 anos, ele teve de ser amparado por membros da Comissão Técnica para não cair. Ele passou mal ao final do jogo, quando houve o pênalti para o Flamengo, cobrado por Everton Ribeiro, aos 49 minutos do segundo tempo.

No vestiário, Abel Braga foi submetido a um eletrocardiograma. E ficou evidenciada a arritmia no seu coração. Quadro que, se mantido, pode provocar um infarto. Uma ambuluância ficou de prontidão, para qualquer emergência.

Enfraquecido, o treinador saiu de cadeira de rodas até o carro que o levou a um hospital, onde passaria a noite. E hoje se submeteria à uma bateria de exames.

Infelizmente, a situação vivida por Abel não é nova no futebol brasileiro.

Nem no Flamengo.

Em maio de 2016, Muricy Ramalho teve uma fortíssima arritmia. Era um quadro que ele já havia tido, mas não tão intenso.

Os médicos foram claros. A função de treinador estava sendo estressante demais para sua saúde. E recomendaram parar de trabalhar nesta função. Muricy tinha 60 anos. Pressionado pela família, ele capitulou. Virou comentarista esportivo.

"Quando o cara vai para aquele quartinho (UTI), cheio de fios no nariz, no peito, você não sabe se é dia ou se é noite. Você pensa na vida e fala "não posso mais voltar aqui". Fiquei com medo e isso faz a gente pensar mais na vida", confidenciou o técnico.

"O que eu tenho não é grave. Muita gente tem arritmia, mas quando ela se repete, é perigosa. Estou cuidando da saúde, e a tendência é que eu não volte a ser treinador. Pode ser outro tipo de função. Este ano eu não trabalho mais, está decidido. Pode ser que eu não volte para ser treinador porque meu problema de arritmia é estresse, é emocional, e não tem jeito de eu ser mais ou menos. Sou intenso no que faço. Outro tipo de pessoa poderia dominar, mas não é o meu caso.  Não deixo passar nada, trabalho demais e isso me prejudica muito.

"A pior função, a que dá mais estresse, é ser treinador.

O cara não ganha jogo, só perde.

Não fica feliz, só aliviado.

Eu acompanhei de perto o que o Telê (Santana) sofreu (isquemia).

Não aproveitou a vida, a família.

Só trabalhou.

Não quero isso para mim.

Não serei mais treinador", anunciou um mês depois, em maio de 2016.

Em janeiro, Renato Gaúcho se submeteu a uma cirurgia.

Ele também sofria com arritmia cardíaca.

Foram quatro anos convivendo com o problema.

Até que não houve mais jeito.

Ele fez uma ablação (cauterização), queimou os nódulos que traziam focos de arritmia.

Foi operado pelo cardiologista Leandro Zimerman.

Tudo foi tratado de maneira muito discreta em Porto Alegre.

Cuca está pronto para assumir o São Paulo na próxima semana.

O treinador se afastou do futebol desde dezembro.

Ele passou muito mal no Santos, no dia 23 de setembro, em uma partida diante do Cruzeiro.

Teve também arritmia.

Sentiu fortes dores nas costas e no peito. E dormência nos braços. Uma importante artéria coronária estava obstruída.

Ele soube que precisaria colocar um stent, tubo de metal, para garantir o fluxo sanguíneo.

A cirurgia foi feita em dezembro, em Curitiba, pelo renomado médico Constantino Constantine.

A princípio, ele queria que o treinador voltasse a trabalhar em maio.

Mas a péssima fase do São Paulo fez com que pressionasse o médico, queria porque queria voltar antes.

E conseguiu a antecipação.

Voltará um mês antes, no dia 2 de abril.

Já envolvido na disputa da semifinal do Paulista, contra o favorito Palmeiras.

Abel Braga, Muricy Ramalho, Renato Gaúcho, Cuca.

Quatro dos principais treinadores do país com problemas cardíacos.

Muito menos do que a tendência família de Cuca, por exemplo, a questão está no stress agudo da profissão.

Ricardo Gomes já teve dois AVCs. Um no São Paulo e um no Vasco, que quase custou sua vida, com grave hemorragia no cérebro.

"A tensão que um técnico passa é enorme. Ser julgado o tempo todo. É uma situação sem saída. Todos são humanos. Há a necessidade de o futebol perceber que eles também precisam ser constantemente monitorados. Se submeter a exames constantes, como são os atletas", diz o coordenador da Seleção Brasileira Feminina de Futebol e médico, Marco Aurélio Cunha.

São raríssimos os treinadores que fazem check up anualmente.

E mais ainda os que buscam auxílio psicológico para trabalhar.

Muitos estão acima do peso, como Abel Braga.

Esses são de ponta, de clubes grandes. Tudo fica ainda mais agudo o problema com os técnicos de clubes menores, das categorias de base.

Os dirigentes precisam perceber.

O risco que correm ao colocar todo o planejamento, muitas vezes envolvendo dezenas de milhões de reais, como o Flamengo, que gastou mais de R$ 100 milhões nesta temporada, em uma pessoa completamente estressada, insone, sem alimentação regrada.

Além da responsabilidade com a saúde do seu funcionário.

Chega de amadorismo...

Esses são de ponta, de clubes grandes. Tudo fica ainda mais agudo o problema com os técnicos de clubes menores, das categorias de base.

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