Maurício Souza fala de trabalho no Flamengo e projeto de carreira

SPORTV: Um dia depois de completar 45 anos, o carioca Maurício Souza comanda o sub-20 do Flamengo na estreia da inédita, para o clube, Copa do Brasil, diante do Ceilândia, nesta quinta-feira. Campeão da Copa São Paulo em 2018, ele tem nos ombros o peso de dirigir um clube acostumado a formar grandes jogadores, e a toda a pressão por resultados que faz parte do DNA rubro-negro. Esse peso não pode cair para os jogadores, que não podem ser comparados à maior geração de pratas-da-casa que o Flamengo formou, ao longo dos anos 70, e que chegaram ao auge no Mundial de Clubes em 1981. Será que a base rubro-negra repetirá o feito um dia? "Possível é, mas vai ser muito difícil repetir aquele 1981."

Foto: Divulgação
ENTRE AS CANETAS - É possível sonhar com a repetição de um elenco como o que o Flamengo teve no início dos anos 80, em que 90% do time era de pratas-da-casa, e todos craques, um tempo em que o lema era "craque o Flamengo faz em casa"?

MAURÍCIO SOUZA - Possível é, mas acho muito difícil. Aquela geração era maravilhosa, com grandes jogadores em todas as posições, vai ser muito difícil repetir aquele ano de 1981. Esperança sempre vamos ter, afinal o Flamengo é um clube formador. Na época, as transações de jogadores também demoravam mais a acontecer, eram menos frequentes, assim aumentava a possibilidade de atuação no profissional.

E.A.C. - Quais são seus esquema tático e modelo de jogo favoritos? Prefere montar um time e seguir com ele até entrosá-lo, ou monta o esquema e roda o elenco, com todos prontos para executá-lo?

M.S. - Primeiro é preciso conhecer as características dos meus jogadores para entender como eu vou posicionar a equipe para defender e atacar. A estrutura funcional se faz mais presente na fase defensiva. Gosto do muito do 4-4-1-1 e do 4-1-4-1 para defender, e atacar no 4-3-3. Mas são apenas números, é importante saber defender e atacar em várias estruturas. Vejo com mais relevância o modelo de jogo, e gosto de um jogo controlador, de jogar com a bola. Trabalho minhas equipes para entender e atuar em todas as fases do jogo, quero boas atuações. A característica dos jogadores e a estratégia da partida vão determinar a predominância de fase, mas ser forte em todas elas nos faz competitivos. Não sou de me adaptar muito ao adversário, tenho minhas ideias de jogo e entendo que, se bem treinadas e executadas, são capazes de trazer resultados, independentemente do comportamento do adversário. É primordial entender que o ataque está diretamente relacionado ao tipo de defesa imposta pelo adversário, assim como o contrário também. O jogo é conceitual. É muito importante observar o adversário, pontos fortes, fragilidades, e levar essas informações à minha equipe e traçar algumas estratégias para a partida. Mas prefiro sempre dar ênfase ao nosso jogo. Acredito na informação para todos. Gosto de ter todo o elenco pronto e capacitado quanto às questões táticas. Aquele que tiver maior entendimento e conseguir aliar isso à parte técnica vai estar mais apto a jogar. Mas a atenção e a busca pela evolução tem de ser para todo o elenco. E isso é papel fundamental do treinador.

Por que as seleções sub-20 não têm tido tanto sucesso como antes, e como ainda têm as mais jovens? Qual o impacto de ficar fora de dois Mundiais consecutivos?

Alguns fatores não contribuem para o sucesso da seleção, sem fazer comparações com outros países ou querendo arrumar justificativas. Mas é claro que alguns fatores atrapalham o processo. Jogadores saem muito cedo para o exterior e alguns deles não são liberados. Outros que já estão no profissional no Brasil também não são liberados para os períodos de convocação, e atuam pouco nos clubes. E acabam chegando sem ritmo. São problemas que não justificam, mas são reais e atrapalham o processo.

Quais são os técnicos em quem você se espelha e por que?

Cito o Pep Guardiola como top, pela qualidade que dá às suas equipes na fase de construção, e pelo modo como se apega aos detalhes do jogo, me fascinam os detalhes. O Maurizio Sarri pela forma como estrutura suas equipes defensivamente. Abel, Felipão, Mano e Tite pela capacidade de liderança e pela forma como vêem o jogo. Renato Gaúcho me impressiona pela capacidade de extrair tecnicamente o melhor de cada atleta. Adorei ter acompanhado de perto o trabalho do professor Dorival Júnior, extremamente capacitado em todos os aspectos. Temos nomes novos chegando, com vasto conhecimento tático e metodológico, como Zé Ricardo, Barbieri, Marcelo Cabo, Andre Jardine, Roger Machado, Odair Hellmann, Fábio Carille... E não poderia deixar de citar o Ricardo Lucena, treinador de futsal e um dos maiores que conheci. Sempre esteve à frente do seu tempo, me ensinou muito. E ainda o Eduardo Húngaro, de quem tive o prazer de ser auxilar-técnico no Botafogo, e que hoje é coordenador-técnico das categorias de base do Vasco. Ele me ajudou demais no início de minha carreira. Sem eles eu não teria chegado até aqui.

Qual o seu plano de carreira? Já se sente maduro para assumir um time profissional? É melhor começar num clube grande, ou se auto-testar em um com menos pressão? Qual a sua meta profissional?

Eu busco ser um profissional melhor todos os dias. Quero fazer todas as licenças da CBF, leio artigos, troco informações com amigos da profissão e vivo futebol. Foi realizador demais ter vivido como auxiliar duas Libertadores, um Brasileiro e um Carioca, por Botafogo e Flamengo. Estou muito feliz no sub-20 do Flamengo, quero continuar fortalecendo meu nome na base do clube, ajudar na formação de bons profissionais, ganhar títulos importantes para a base do clube... Não tenho medo do desafio profissional, mas também não tenho pressa. Não vejo possibilidade de escolha, como recusar um grande clube? Como dizer não? Caminho na minha carreira para que esse dia chegue e eu me encontre completamente preparado. Sonho em ser treinador de equipes profissionais, mas tudo tem um tempo certo para acontecer. Só não podemos nos acomodar.

Será que a base rubro-negra repetirá o feito um dia? "Possível é, mas vai ser muito difícil repetir aquele 1981."

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