Não há jogo tão fácil que o Flamengo não consiga complicar

ESPN FC: Por João Luis Jr

Imagine o cenário. Aos 15 minutos do segundo tempo, vitória parcial por 3x0 num clássico, contra a equipe reserva de um rival. A torcida vibra nas arquibancadas, as famílias sorriem em casa, as operadoras de celular lutam para manter estável o tráfego de dados enquanto os memes feitos na ferramenta Paint movimentam os grupos de Whatsapp.

Quais seriam as perspectivas mais prováveis? Meter mais um só pra se garantir, seja qual for a sua definição de goleada (pra alguns 3x0 já é, pra outros só de 4x1 pra cima)? Segurar o placar em respeito ao “co-irmão”? Tentar enfiar o pé e fazer uma goleada histórica já que daqui a 20 anos ninguém vai se lembrar quem colocou titular e quem colocou reserva, apenas que um time fez 5 gols e o outro nenhum?

Bruno Henrique em Flamengo x Fluminense - Foto: Lucas Merçon
No caso do Flamengo a resposta foi, é claro, nenhuma das anteriores. Porque diante da vantagem de 3 gols contra uma equipe tricolor que, apesar de corajosa e com alguns bons valores (João Pedro parece ser muita bola, Ganso passa a sensação de estar jogando enquanto segura um copo de chopp mas ainda tem uma técnica acima da média) era composta por reservas, o Flamengo fez o que o Flamengo se acostumou a fazer nas últimas duas ou três temporadas diante de jogos que são ou se tornam fáceis: decidiu parar de jogar bola.

Porque sim, o Flamengo havia, durante vários momentos dessa tarde de domingo, jogado bola, e até bastante. Seja com belas jogadas de Éverton Ribeiro, com o incansável Bruno Henrique, com a movimentação de Gabigol, com a assistência açucarada de Diego, com Pará chegando ao extremo de acertar dois cruzamentos num espaço de menos de 72 horas, o Flamengo criou oportunidades e apesar dos vacilos pontuais pressionou o adversário e fez por merecer a vantagem dos 3 gols.

Mas num dado momento a equipe rubro-negra apenas desistiu da partida. Atacantes que estavam indo em direção ao gol decidiram tentar dribles exóticos pra trás, zagueiros que estavam isolando bolas da defesa decidiram apenas rebater bem devagarinho pra frente da área, meio-campistas que estavam marcando e armando jogadas aparentemente concluíram que os últimos 30 minutos da partida poderiam ser dedicados a uma mesa redonda sobre como as adaptações de jogos de videogame para o cinema ainda não conseguiram realmente dar certo.

O Fluminense chegou a realmente colocar a vitória do Flamengo em risco após o segundo gol? Na prática não, verdade. Mas existe algo de muito errado no fato da equipe rubro-negra não apenas tomar dois gols do time reserva tricolor como também ser capaz de tirar o pé dessa forma num clássico, como numa espécie de projeção astral coletiva em que as almas dos jogadores foram embora e apenas seus corpos ficaram em campo? Com certeza sim.

E diante do fato de que no meio de semana enfrentaremos novamente o clube das Laranjeiras, mas dessa vez a versão titular da equipe, resta torcer para que Abel Braga explique ao time do Flamengo que, não apenas o jogo só acaba quando termina, como se espera que você jogue com um nível parecido de atenção e dedicação durante toda a duração dele. Afinal, ao contrário de peladas de colégio, ou de jogos no campeonato de Fifa do pessoal do trabalho, futebol profissional não acaba quando um time faz 2x0 ou 3x0.

O Fluminense chegou a realmente colocar a vitória do Flamengo em risco após o segundo gol? Na prática não, verdade.

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