O melhor do Flamengo é o que o Abel não gosta

RODRIGO MATTOS: A vitória na estreia na Libertadores em Oruru mostra que, neste início de 2019, o melhor Flamengo é o Flamengo que ainda toca a bola, que tenta controlar o jogo, que respeita pelo menos em parte as características construídas nos últimos três anos.  Um time diferente do arquitetado pelo seu próprio técnico Abel Braga que pretende ver a equipe vertical ao extremo, muitas vezes postada atrás e reativa ao adversário.

A diferença é perceptível na atuação rubro-negra nos dois tempos diante do San José, na Bolívia. Em uma metade, uma equipe que se defendia e tentava alongar bolas para correria de atacantes e, em outra metade, uma que articulava o jogo de forma minimamente organizado.

Ressalte-se que a vitória rubro-negra é fruto de grande contribuição do goleiro Diego Alves. O San José, time de limitados recursos técnicos, foi capaz de arrematar 14 vezes na meta rubro-negra, o dobro do time carioca. E estiveram quase iguais na posse de bola com leve vantagem para os bolivianos.

Diego Alves, Ronaldo e Léo Duarte comemorando vitória do Flamengo na Libertadores - Foto: Alexandre Vidal
Como explicou em boa entrevista ao colega Mauro Cezar Pereira, Abel quer um Flamengo mais "reativo", que não rode a bola. Ora, tudo que os bolivianos queriam na altitude era um jogo lá e cá, correria, sem ninguém controlar a bola. Quem tem menos qualidade técnica prefere o jogo corrido em um campo ruim. E o Flamengo deu isso ao San José no início.

Contribuiu para superioridade boliviana no primeiro tempo a atuação apagada de Arrascaeta, mal encaixado mais à direita do campo. Além de Diego Alves, Rodrigo Caio, Léo Duarte e Cuellar se encarregaram de manter o empate com boas atuações porque, se houvesse gol, seria boliviano.

A troca de Arrascaeta por Éverton Ribeiro mudou o Flamengo. Mas não é culpa apenas da má atuação do uruguaio. Com Éverton Ribeiro e Diego, e um ponta a esquerda no caso Bruno Henrique, o Flamengo voltou à formação de 2018. Os jogadores já estão acostumados às funções, foram treinados por Barbieri e depois por Dorival Jr em que pese as mudanças como a saída de Paquetá.

As entradas de Bruno Henrique e Gabriel acrescentaram ganhos técnicos, tornaram o time mais incisivo. O desenho tático e as posições, no entanto, são bem parecidos. Encaixado, o Flamengo criou dois lances de gol e fez um deles, postou-se melhor e sofreu menos. Tornou-se um time que faz sentido.

Não se está aqui dizendo que o Flamengo foi brilhante no segundo tempo. Óbvio que não foi. Mas, em circunstâncias difíceis da altitude, era uma equipe competitiva para a Libertadores, tudo que não mostrara no início.

Essa atuação, assim como outras ocorridas neste início de temporada, gera um dilema para Abel Braga. Ele vai insistir em adaptar o Flamengo ao seu estilo de jogo de reação e velocidade pelas laterais? Ou pretende encontrar uma forma de respeitar a característica do elenco rubro-negro?

Ele vai insistir em adaptar o Flamengo ao seu estilo de jogo de reação e velocidade pelas laterais?

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