Flamengo de Abel Braga é um verdadeiro castelo de areia

GLOBO ESPORTE: Contrastes que se transformam em um gigantesco ponto de interrogação. O que é o Flamengo de 2019?

Expectativa x Realidade; O que está no papel x O que é visto em campo; e muitas vezes Resultados x Performance. O favoritismo atribuído ao time que estreia no Brasileiro neste sábado, às 21h (de Brasília), no Maracanã, diante do Cruzeiro, se dá muito mais sobre o que todos sabem que este Flamengo é capaz de fazer. Não pelo que tem feito.

A derrota por 2 a 1 para LDU na altitude de Quito apenas faz piscar mais forte um alerta vermelho desenhado desde o início da temporada. O campeão carioca assusta muito mais seus torcedores do que os rivais. O desempenho prestes a completar quatro meses de temporada escancara isso.

Abel Braga tirando selfie com a torcida do Flamengo - Foto: Cris Dissat / Fim de Jogo
A rigor, o Flamengo teve poucos grandes desafios ao longo de 2019 e demonstrou fragilidade em quase todos eles. As análises feitas por este repórter falam muito mais de um time sem brilho e refém de talentos individuais do que de boas atuações.

Fatores não faltam para exemplificar a inconstância de um Flamengo que teve tanto tempo para aparar arestas, testar formações, tornar-se seguro e chegou a Quito como um amontoado de jogadores fora de posição. Não é de hoje que Rodrigo Caio e Cuellar são os melhores e mais regulares do time.

Ainda assim, o rendimento do setor defensivo é abaixo da crítica. Conforme mostrou levantamento do site FutDados, nenhum outro clube da Série A foi vazado em tantas partidas como o Flamengo - e ainda há de se ressaltar grandes atuações de Diego Alves.

A equipe de Abel Braga vê maio bater na porta sem ser seguro defensivamente e nem letal ofensivamente. O Flamengo tinha o dever de iniciar o Brasileirão focado em uma boa arrancada, em confirmar o favoritismo mostrando força contra rivais do quilate de Cruzeiro, Inter e São Paulo, mas a preocupação maior é o Peñarol.

Serão dez dias sob o fantasma de mais uma eliminação precoce na Libertadores quando - em condições naturais - a competição só deveria voltar a chamar a atenção no sorteio das oitavas dia 15. E não adianta relativizar colocando a culpa na altitude.

Flamengo em 2019:
22 jogos
14 vitorias
5 empates
3 derrotas
44 gols marcados
18 sofridos

Um Flamengo organizado deveria fazer valer a melhor qualidade técnica e ditar o ritmo das partidas em Quito e em Oruro. Não foi o que aconteceu. Longe disso. O que se viu foi um time milionário recuado diante de adversários que cresceram muito por causa desta postura.

O 1 x 0 na Bolívia maquiou uma atuação ruim de um time que precisou do goleiro em noite inspirada contra um San Jose com mais de 20 finalizações. O roteiro não era novo e se repetiu no Equador. A diferença é que a LDU é um pouquinho melhor.

O tão criticado Abel Braga justifica as cobranças do torcedor quando chega ao Brasileirão sem time definido. Seja em peças ou na função desemprenhada por estas peças, o Flamengo é uma grande caixinha de surpresas. Quase sempre desagradável.

Para me ater ao jogo contra a LDU, trocar Bruno Henrique, Gabigol e Éverton Ribeiro de posição é muito mais tirar o poder de fogo da equipe do que qualquer tentativa de surpreender o adversário. Não foi a primeira vez que não deu certo. Já tinha ficado claro na derrota para o Peñarol no Maracanã.

Não é à toa que Gabigol não deu certo na Europa. Não acompanhar lateral e cumprir funções defensivas era o principal dos questionamentos na Itália e em Portugal. Contra o Peñarol, a expulsão se deu muito por essa ineficiência. Por que insistir?

Para não ser injusto, o Flamengo chega ao Brasileirão com uma grande atuação diante da LDU e um belo segundo tempo na primeira final com o Vasco. É muito pouco.

E é bom que se tenha em mente: não é resultado, é desempenho. Não é falar em jogar bonito, mas em ter consistência e dar segurança ao torcedor do que esperar quando for ao estádio.

Classificar diante do Peñarol é completamente possível e, para mim, provável. Mas o Flamengo precisa mais do que isso.

O atual vice-campeão começa o Brasileirão carregando nas costas um favoritismo que não dá para fugir. É uma questão de cifra, de elenco, de tradição. Mas mudando um pouco o chavão do futebol, não custa lembrar: lampejos individuais ganham jogos, mas não campeonatos.

A equipe de Abel Braga vê maio bater na porta sem ser seguro defensivamente e nem letal ofensivamente.

Postar um comentário

[facebook]

FlamengoResenha

{facebook#https://www.facebook.com/xresenhacrf} {twitter#https://twitter.com/FlaResenhaNews} {google-plus#https://plus.google.com/u/0/107993712547525207446} {youtube#https://www.youtube.com/channel/UCiHkjDj2ljgIbiv_zUvdG6g/videos}

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget