Flamengo levanta Carioca com facilidade no pavimentar de 2019

CHUTE CRUZADO: Pedro Henrique Torre

Difícil tratar como obrigação um campeonato em que há rivais e duelos a disputar, com possibilidade de o improvável acontecer. É futebol, oras. A fumaça rubro-negra que encheu o Maracanã na tarde deste domingo, no entanto, indicou que não era mesmo dia de reviravoltas. Uma vitória de 2 a 0 sobre o Vasco de forma até tranquila, uma vez mais, para selar o 35º título carioca da história do Flamengo. Um confirmar da trivialidade imaginada desde o início da temporada. Ao levantar a taça, o time deu o primeiro passo em 2019 para navegar em águas tranquilas.

Dada a disparidade técnica entre as equipes e com o resultado do jogo de ida, a partida de volta acabou por se tornar um tanto quanto desinteressante. A festa era apenas rubro-negra e somente vascaínos ansiosos por um milagre poderiam, mesmo, crer em uma virada. A questão é justamente o que agrava o futuro de Vasco, Fluminense e Botafogo: o Flamengo acabou por levantar a taça sem grande esforço. Esteve longe de uma grande exibição na finalíssima: bastou ser elétrico e muito interessado no jogo de ida. Cumpriu mera formalidade no Maracanã. Ainda assim, venceu pelo mesmo placar.

Jogadores do Flamengo comemorando título Carioca 2019 - Foto: Celso Pupo / Fim de Jogo
Talvez por isso o Vasco tenha tido tamanhas oportunidades na partida. Alberto Valentim, corda no pescoço, tentou tirar coelhos da cartola. Sacou o jogador de referência no ataque, deixando Maxi López e Tiago Reis no banco. Pôs um trio veloz, com Marony centralizado, Yan Sassé à direita, Lucas Santos à esquerda. Pikachu mais pelo meio. Ocorre que o Vasco, de fato, jogou quando o Flamengo assim permitiu. Talvez distraído com a vantagem, talvez com a cabeça já na LDU. Fato é que o Flamengo começou o jogo com a força máxima possível, mas em rotação inferior ao último jogo. No 4-2-3-1 de Abel Braga, Diego centralizou, Arrascaeta esteve à esquerda, Everton Ribeiro à direita. Gabigol à frente, centralizado. Mas cabia justamente ao camisa 9 embaralhar as ações. Sair da área, ir ao lado direito, abrindo espaço para que Diego e Everton Ribeiro entrassem na área. Uma movimentação menor do que o quarteto do jogo de ida. Com isso, chamava Castán e Danilo Barcelos para o baile, desarrumando a defesa vascaína.

Foi em uma dessas investidas que Gabigol, impedido, iniciou uma jogada justamente à direita. Depois, ao retomar a bola, continuou a desafiar Danilo Barcelos com o jogo dos pés. A pancada o fez ir ao chão e permitiu ao Flamengo abrir o placar. Em dois toques, Arrascaeta recebeu e achou Willian Arão na área, com finalização de cabeça de rara felicidade. Um tiro. O relógio marcava apenas 15 minutos e, de novo, o Flamengo já estava em vantagem contra o Vasco. 1 a 0. 3, no agregado. A missão vascaína parecia impossível. O time passou por mais apuros quando Gabigol trocou a direita pela esquerda. Passou a infernizar Cáceres com a movimentação. Diego a Gabigol. Gabigol a Diego. As duas pararam em Fernando Miguel. Desta vez, Arrascaeta entrava na área. Mas o Flamengo tinha menos fluidez do que na última semana. Estava menos elétrico. Já tentava cadenciar o jogo, baixar seu ritmo. Dar a bola ao Vasco.

Que aceitou. Desde o início, o time de Alberto Valentim optou por pressionar o Flamengo em sua saída de bola. Tentar dificultar o jogo rubro-negro. Mas ao avançar tanto tinha a obrigação de matar a jogada do rival na raiz. Com a qualidade técnica rubro-negra, a bola ultrapassava o meio e ganhava espaço às costas para acelerar. Foi na reta final do primeiro tempo que o time cruzmaltino avançou ainda mais em bloco e passou a pressionar o Flamengo na saída da defesa. Conseguiu complicar. Mais pelo quase desinteresse rubro-negro pelo andar da partida. Renê salvou boa oportunidade de Pikachu, já próximo à linha do gol. O primeiro tempo, no entanto, terminou como em todo confronto entre rubro-negros e vascaínos no Estadual: com superioridade em preto e vermelho.

No retorno do intervalo, Valentim, de novo, tentou tirar cartas da manga. E causou estranheza ao sacar Lucas Santos, habilidoso e rápido, talvez a maior válvula de escape do time no primeiro tempo, prendendo Willian Arão e Pará, evitando a triangulações entre a dupla e Everton Ribeiro, um dos pontos altos do Flamengo de Abel. Valentim pôs Maxi López centralizado, com Marrony por trás, Pikachu à direita e Yan Sasse à esquerda. Ainda que pesado, Maxi causa maior preocupação à defesa, naturalmente. Faz bem o pivô mesmo com todo o corpanzil, buscando tabelar com Pikachu e Marrony. A rigor, o Vasco entrou bem mais no jogo do que na primeira etapa. Ocupava mais o campo de ataque, tentava tramar jogadas. Rondou muito a intermediária de um Flamengo que, já a essa altura, planejava apenas o contra-ataque. Parecia nítido já ter a mente no duelo contra a LDU, dali a três dias.


Não por soberba. Os fatos apresentavam um Flamengo tecnicamente superior que, ao banho-maria, controlava a decisão sem grande esforço. Seria ali permitido correr até riscos, ceder finalizações. O agregado de 3 a 0 permitia ao time o relaxamento. A qualquer ameaça bastaria elevar novamente o nível, a rotação. Não foi necessário. Pois o Flamengo ainda assim era mais perigoso. Gabigol saiu na cara de Fernando Miguel em passe de Arrascaeta e, completamente impedido, driblou o goleiro, fez o gol, comemorou e…viu a festa encerrada graças ao VAR, com reparação de erro incrível da arbitragem. Valentim, de novo, tentou. Insistiu. Tirou Cáceres, passou Pikachu à lateral e centralizou Bruno Cesar. Dos pés do meia saiu ótima chance do Vasco, talvez a melhor do jogo. Um cruzamento da esquerda para Maxi, que antecipou bem a Rodrigo Caio. A defesa espetacular de Diego Alves impediu o gol vascaíno. Estava aí a diferença: mesmo quando o Vasco se esforçava ao máximo e, a duras penas, encontrava um espaço, a qualidade técnica do Flamengo conseguia se sobrepor.

Ficou claro, ali, que não havia mais chances para o Vasco. Os gritos de olé brotaram da arquibancada e a massa, em transe, celebrava um título que já parecia sacramentado desde o primeiro jogo. O gol de Vitinho em enfiada de bola açucarada de Diego – claramente em busca de passes mais verticais em 2019, talvez consequência direta da forte concorrência no elenco – fez o estádio explodir de vez. O 35º título carioca rubro-negro evita o borbulhar da pressão que fatalmente ocorreria sem a taça, como em 2018. Sem grande exibição e com o freio de mão puxado, o Flamengo voltou a vencer o Vasco por 2 a 0, teve 53% de posse, 339 passes trocados contra 290 do rival, 11 finalizações após sofrer 18 delas – oito no alvo. Uma conquista de taça até fácil.

Com exibições corretas de atletas contestados – casos de Renê e Arão – e o trio de meias em campo. Claro, a enorme disparidade técnica contribuiu para um título ser alcançado sem frio na barriga. Mas ela já existia em 2018. O time ainda será testado na temporada. Já apresenta um resgate de alma, deixando a apatia no passado. Apresenta defeitos – inconsistência defensiva – e virtudes – fulminante ao atacar. O quadro ficou bonito com o levantar de taça de Juan, um monstro de raízes rubro-negras no apagar das luzes da carreira. Na busca da festa na favela completa em 2019, porém, esse deve ser apenas o primeiro passo.

Ao levantar a taça, o time deu o primeiro passo em 2019 para navegar em águas tranquilas.

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