Flamengo se livra de fardo e agora pode pensar em voos maiores

O GLOBO: Por Carlos Eduardo Mansur

Terminou ontem uma etapa curiosa da temporada. Por três longos meses, nos pegamos frequentemente lamentando que os principais times do país enfrentam rivais tão desqualificados que se torna difícil ter um parâmetro realista do que os espera no Campeonato Brasileiro. Depositamos expectativa nas finais, nos clássicos, até nos lembrarmos que a cultura nacional conduziu tais jogos para o terreno da disputa física, da valentia, afastando as equipes de suas características. Há testosterona de mais e ideias de menos.

Aproxima-se o Brasileiro para responder se os espetáculos pobres da reta final dos Estaduais pelo país são um retrato fiel do buraco em que nos metemos, com ideias pobres e pouca disposição para a generosidade com o espetáculo, ou se é a pressão por resultados que condiciona tanto os times. O Maracanã não foi diferente. A final carioca, previsivelmente vencida pelo Flamengo, foi também uma fábrica de interrogações.

Abel Braga e Diego com troféu de campeão Carioca pelo Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
Ao contrário do jogo de ida, no Nílton Santos, em que o domínio rubro-negro se deu em todos os aspectos do jogo, a sensação deixada ontem foi outra: a de que a diferença está muito mais na qualidade técnica dos jogadores, na capacidade de resolver problemas, de criar gols a partir de menos oportunidades, do que propriamente no lado coletivo, no aspecto tático. Neste, um Vasco corajoso pressionou, finalizou mais e raramente se viu dominado.

O que gera a principal das interrogações: por que este Flamengo tão mais dotado tecnicamente não conseguiu uma imposição à altura de sua maior capacidade? Talvez por uma combinação de fatores. O Flamengo de Abel Braga ainda busca se adequar a uma nova identidade de jogo, de soluções mais rápidas, chegando em menos passes até o gol. Ontem, tinha uma escalação que pedia mais controle, toque, associações. Mas o time teve raros momentos de controle, fosse retendo a bola, fosse defendendo bem. Além de permitir finalizações demais ao Vasco, o rubro-negro ainda voltou a sofrer num jogo em que teve sua saída de bola marcada. Mas chegou aos gols porque tem qualidade técnica, individualidades, e porque aos poucos os espaços surgiram graças à vantagem que veio do primeiro jogo.

Houve outros fatores a condicionar a final carioca. A rivalidade, assim como no resto do Brasil, por vezes gera pouca disposição para o jogo e muita energia canalizada para as discussões. E produz uma divisão de atenções: joga-se com a carga do dilema entre buscar a vitória e evitar os danos da derrota. No Brasil, o temor de ver o rival tripudiar se sobrepõe à alegria da vitória.

Algo que torna o Campeonato Estadual algo muito peculiar para o Flamengo. O torneio tornou-se um fardo, já que os créditos obtidos com uma conquista não sustentam a paz por uma temporada inteira, e nem seria justo que o fizessem; já a derrota, diante da disparidade econômica que marca o futebol carioca atual, produz uma crise capaz de comprometer o projeto esportivo no terceiro mês do ano.

Ou seja, é como jogar movido pelo que se pode ganhar, mas principalmente pelo que não se deseja perder: paz, ambiente, continuidade de trabalho. O apito final do Carioca traz duas boas notícias para o Flamengo: a vitória e o fim do campeonato. Agora, o rubro-negro passa a competir apenas nas instâncias para as quais seu elenco foi construído. Para corresponder às expectativas num nível de exigência mais alto, seja o Brasileiro ou a Libertadores, precisará melhorar. Porque o mesmo Flamengo que fez ótimo jogo contra a LDU, dominou o Vasco na ida da final, sofreu nos Fla-Flus, não se impôs ontem, oscilou nestes três meses. A boa notícia é que há qualidade técnica para brigar por todas as taças.

A boa notícia é que há qualidade técnica para brigar por todas as taças.

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