Um dia o Flamengo vai aprender a jogar a Libertadores. Um dia...

ESPN FC: Por João Luis Jr.

Sua colega que faz gato mesmo tendo dinheiro pra pagar a conta de luz. Seu amigo que chega numa mulher mesmo sabendo que ela é casada. Seu irmão que quando vai pra praia cinco da tarde compra aquele espetinho de camarão que está fermentando no sol desde as seis da manhã. O que essas pessoas têm em comum com o Flamengo na Libertadores? Simples: elas também têm uma imensa vontade de, sem absolutamente necessidade nenhuma, se colocar em situações extremamente arriscadas e desagradáveis.

Porque ainda que a dificuldade da Libertadores, os riscos da altitude ou mesmo a catimba típica do futebol sul americano possam servir como explicação para uma derrota ocasional, uma eliminação esporádica, um revés pontual, apenas algum tipo de problema motivacional, psicológico até mesmo espiritual mais grave consegue explicar a capacidade do Flamengo de, ano após ano, criar para si mesmo as situações mais bizarras, absurdas e patéticas quando se trata da disputa da Libertadores da América.

Cuéllar durante LDU x Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
São eliminações absurdas em grupos fáceis, são derrotas dentro de casa contra adversários mais fracos, são viradas ridículas sofridas em partidas onde claramente era exigido muito mais esforço para perder do que para manter a vitória. E é impossível não lembrar desse passado traumático diante da atual campanha do Flamengo na Libertadores desse ano.

Primeiro porque mais uma vez não pegamos um grupo formado exatamente pelos 3 primeiros colocados da Champions League. Se o San José é uma equipe cujo principal jogador se chama “ar rarefeito”, a LDU está longe de apresentar um grande futebol e o Peñarol é um time capaz de levar 3 gols do já citado San José.

Mas mesmo assim o Flamengo conseguiu se complicar, é claro. Após a boa vitória fora de casa contra os bolivianos e a obrigatória vitória no Maracanã contra os equatorianos, os corajosos atletas rubro-negros conseguiram tirar da cartola uma derrota contra os uruguaios, apenas para logo depois iludir novamente a torcida com uma bela goleada sobre o San José.

Porém nessa quarta-feira, diante da LDU, precisando apenas de um empate para garantir a classificação e contando com a colaboração do outro duelo do grupo, que gerou exatamente o resultado necessário para as ambições rubro-negras, o Flamengo fez o que aparentemente ele melhor sabe fazer na Libertadores: fracassou da maneira mais absurda e bizarra possível.

Porque foram erros táticos, como a decisão de Abel Braga de colocar atuando defensivamente um time que claramente não sabe se defender. Foram erros coletivos, como a marcação frouxa, a displicência no toque de bola, a absoluta falta objetividade na partida. E foram, é claro, erros individuais, que vão desde a nossa já famosa ausência de laterais até a atuação apagada de Arrascaeta, o sumiço de Gabigol e Éverton Ribeiro, a cláusula de contrato que impede Diego de fazer um passe sem antes conduzir a bola por cinco metros.

E foi assim que, mais uma vez, o Flamengo transformou o que poderia ser uma jornada tranquila em mais um drama na Libertadores. Precisamos de apenas um empate para nos classificar? Sim, claro. Mas é um empate fora de casa, contra o Peñarol, num cenário em que, se a LDU vencer o San José, a equipe uruguaia vai precisar jogar com unhas e dentes pela vitória para se classificar. É um resultado impossível? Claro que não. Mas é com certeza muito mais complicado do que havia qualquer necessidade de ser.

Então ainda que a noite obviamente seja de tristeza e irritação, o que sobra é torcer. Torcer para que nosso treinador entenda que retrancas só funcionam para times que sabem marcar, para que nossa equipe aprenda que existe uma grande diferença entre controlar o jogo e rodar a bola sem destino pelo campo e para que cada um dos jogadores perceba que muitas equipes já ganharam a Libertadores atuando de forma cuidadosa e sem dar show, mas ninguém até hoje ganhou a maior competição da América jogando de forma covarde e dispersa. E dificilmente nós vamos ser os primeiros.

Então ainda que a noite obviamente seja de tristeza e irritação, o que sobra é torcer.

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