Em 2009, Marcelo Salles era observador técnico do Flamengo

GLOBO ESPORTE: Acostumado a dar sequência a técnicos interinos nos últimos anos, como aconteceu com Andrade, Jayme de Almeida, Zé Ricardo e Maurício Barbieri, por exemplo, o Flamengo resolveu apostar em mais um após a saída de Abel Braga. A bola da vez é Marcelo Salles, filho do ex-lateral-esquerdo Marco Antônio, que fez história no Fluminense e foi campeão mundial com a Seleção em 1970. Apelidado de "Fera" pelos próprios jogadores, ele é auxiliar fixo da comissão técnica e vai assumir o time provisoriamente nos últimos quatro jogos antes da Copa América.

Mas quem é esse interino ainda novo, de 41 anos, que vai "tapar buraco" até a chegada de um novo treinador, assumirá a equipe sábado diante do Fortaleza e terá jogos complicados pela frente, como o clássico contra o Fluminense no Brasileirão e a partida de volta das oitavas de final da Copa do Brasil com o Corinthians? Sem tempo a perder, ele comandou o seu primeiro treino na última quarta-feira no Ninho do Urubu.

Foto: Divulgação
Embora seja um nome pouco conhecido de grande parte da torcida, Marcelo "Fera" Salles tem mais de 10 temporadas de Flamengo, onde começou no ano 2000 ainda nas categorias de base do clube. Chegou ao profissional em 2004 como preparador físico com PC Gusmão, depois passou para observador técnico, analista de desempenho e auxiliar técnico. Trabalhou com vários treinadores no período, mas virou pupilo mesmo de Andrade e Joel Santana.

Em 2009, na campanha de campeão brasileiro, o "Fera" tinha a missão de municiar Andrade com o maior número de informações possíveis sobre os adversários e montar a parte tática das preleções. O técnico, que no ano seguinte levou ele para trabalharem juntos novamente no Brasiliense, mostra-se grato até hoje ao amigo e acredita que aquela campanha foi uma grande lição:

– Ele me ajudou bastante. É um cara que tem conhecimento grande em fazer preleções e tem esse lado forte de trabalhar com informática, números. Passava para ele o que queria da parte tática, em termos de posicionamento, e ele montava. Formamos uma boa dupla e acredito que foi um grande aprendizado para ele, de conhecer realmente o que é o Flamengo, o DNA de sempre atacar. Pode até perder, mas atacando o adversário, que a torcida vai reconhecer o trabalho.

Com Joel Santana, a relação é ainda mais antiga. Começou em 2005, quando o técnico chegou para cumprir a missão de evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Deu certo, e a confiança foi tanta um no outro que viraram uma espécie de unha e carne. Onde o técnico foi depois, levou o "fera" como o seu auxiliar: foi assim no Cruzeiro, Bahia, Vasco, Boavista e no próprio Flamengo:

– É um cara competente, experiente, estudioso... Um técnico da nova geração que vem gradativamente. Passou por Boavista, Nova Iguaçu... Vários clubes, fora os anos e anos dentro do Flamengo. O Marcelo agrega a parte tática com a motivação dos treinadores com quem trabalhou junto. Acho que está na hora de ele dar uma decolada. E vai dar. Infelizmente o Abel quis sair, é um cara que eu adoro. Para essa situação rápida, acho que foi uma escolha inteligente – opinou Joel.

Formado em Educação Física, o "Fera" também fez curso de coaching e tem um estilo mais "paizão", costuma falar que gosta muito de ouvir os jogadores. É ainda "raiz", daqueles que curtem rachão e ainda tinha o hábito de apitá-lo. Após seis anos longe, retornou ao Flamengo nesta temporada a convite do vice-presidente de futebol Marcos Braz, com quem trabalhou junto em 2009.

– No rachão eu acabo não agradando a nenhuma das duas equipes. Desagrado as duas mesmo, mas é o que sempre falo para eles: pelo menos eu não sou ladrão, tenho é uma deficiência técnica com o apito (risos) – declarou em entrevista ao site oficial em 2010.

Marcelo "Fera" Salles sempre teve como meta comandar uma equipe na Série A do Brasileiro. Ele chegou a dirigir o Flamengo uma vez em 2010, em amistoso vencido pelos reservas rubro-negros por 3 a 0 sobre o Brasília, no Mané Garrincha. Agora, está prestes a realizar seu sonho, mas antes recebeu conselhos de seus "veteranos" de Gávea:

– Ele chega no maior momento dele protegido pela honestidade e simplicidade. É um cara de grupo, sempre esteve dentro do futebol, está batalhando anos e anos para ter uma oportunidade como essa. Então calma, não avança nas uvas – brincou Joel.

– Ele é uma boa pessoa, bom profissional, e deve seguir suas intuições, não permitir que outros se intrometam no seu trabalho. Tem que ter coragem de fazer o que precisa ser feito. Vai ter que mexer em algumas peças que são importantes, não tem jeito. Não pode se preocupar com isso ou aquilo – advertiu Andrade.

"Fera" em busca de afirmação
Embora seja novo para a profissão, Marcelo "Fera" Salles já tem seis anos de "carreira solo" como técnico no mercado e oito clubes dirigidos por ele no currículo. Mas ainda busca sua afirmação com um trabalho de sucesso. Sua primeira experiência na função foi no Rio Branco-ES em 2013, onde disputou oito jogos, teve 25% de aproveitamento e acabou rebaixado para a Série B do Capixabão.

Após voltar a ser auxiliar no Bahia, ele assumiu o seu segundo time como técnico: o Nova Iguaçu, ainda em 2013, para a disputa da Série D do Brasileiro. Foram mais oito partidas, com 37,5% de aproveitamento, e não conseguiu passar da primeira fase. Retornou para a própria equipe no ano seguinte para jogar a Copa Rio e estava invicto, com 55,5% depois de três rodadas, quando aceitou convite para se juntar a Joel no Vasco.

Com Joel operado, auxiliar virou interino em um jogo: Vasco 2 x 2 Bragantino — Foto: Marcelo Sadio/Vasco.com.br Com Joel operado, auxiliar virou interino em um jogo: Vasco 2 x 2 Bragantino — Foto: Marcelo Sadio/Vasco.com.br
Com Joel operado, auxiliar virou interino em um jogo: Vasco 2 x 2 Bragantino — Foto: Marcelo Sadio/Vasco.com.br

Em 2015, chegou ao Bonsucesso para disputar a Primeira Divisão do Carioca. Conseguiu escapar do rebaixamento, mas com um aproveitamento de apenas 21,2% em 11 jogos, tendo só uma vitória. Na mesma temporada, ele assumiu o Audax-RJ na Taça Corcovado, segundo turno da Série B do Estadual, e teve 33,3% de rendimento depois de cinco partidas.

Retornou ao Bonsucesso no fim de 2015 e deu início ao seu melhor desempenho em termos de resultado até hoje em sua curta carreira como treinador: disputou a Copa Rio e classificou o time para a segunda fase do torneio como líder do grupo. Porém, não conseguiu chegar à semifinal. Seu aproveitamento na ocasião foi de 57,5% em 11 jogos.

Em 2016, o "Fera" voltou a trabalhar fora do Rio e foi chamado para dirigir o Imperatriz-MA tanto no Campeonato Maranhense, na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil. Mas ele jogou só o Estadual e acabou desligado do cargo após três jogos, nenhuma vitória e um aproveitamento de 22,2%. No mesmo ano, virou técnico da Portuguesa-RJ no Carioca e teve rendimento de 29,1% após oito jogos.

Ainda em 2016, assumiu o Sampaio Corrêa-RJ para a disputa da Taça Corcovado. Mas de novo teve uma passagem relâmpago: foram três derrotas em três jogos que forçaram sua saída. No fim de 2017, voltou ao Bonsucesso para disputar a seletiva do Carioca, mas não se classificou com 40% de rendimento em cinco partidas.


No ano passado, desta vez no Volta Redonda, o "Fera" comandou o time na Série C do Brasileiro e na elite do Carioca, quando escapou do rebaixamento com 30,7% de aproveitamento após 13 jogos. Seu último trabalho foi no início de 2019, de volta ao Nova Iguaçu para a seletiva do Estadual. Porém, ele não só não se classificou para a Taça Guanabara como foi parar no Grupo X da briga contra o rebaixamento, com 29,1% em oito partidas. Acabou saindo antes do fim.

Ele é auxiliar fixo da comissão técnica e vai assumir o time provisoriamente nos últimos quatro jogos antes da Copa América.

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