Jorge Jesus admite chance de comandar Fla: "Não procuro dinheiro"

GOAL: Por Bruno Andrade

É cada vez maior a possibilidade de Jorge Jesus ser o novo treinador do Flamengo. A caminho de Madrid, onde nas próximas horas tem uma reunião com o presidente rubro-negro Rodolfo Landim, o treinador português concedeu no aeroporto de Lisboa uma longa entrevista que contou com a presença da Goal. Fugiu de alguns temas, é verdade, mas por diversas vezes falou quase como se já tivesse tudo muito bem encaminhado para trabalhar no futebol brasileiro.

Por intermédio do vice-presidente Marcos Braz, com participação de Lucca Bertolucci, filho e sócio do influente empresário Giuliano Bertolucci, o clube carioca já traçou a proposta para Jesus, que está desempregado desde janeiro, quando deixou o Al Hilal, da Arábia Saudita: contrato válido até junho de 2020, com um salário de aproximadamente R$ 1,5 milhão por mês (existe ainda a possibilidade de bônus por metas atingidas).

Técnico Jorge Jesus - Foto: Getty Images
No esperançoso planejamento de Landim, o treinador de 64 anos, que, vale destacar, ainda tem como principal meta assumir um projeto de ponta na Europa, chegaria para assumir o time deixado por Abel Braga de forma efetiva a partir do dia 17 de junho.

Com que ambições é que parte para essa reunião com o presidente do Flamengo?
Não sei, ainda não sei quais são as ideias das pessoas do Flamengo... mas as ideias devem ser boas. Para falar comigo, têm que ser boas. Porém, ainda não sei o que é que vai acontecer. Vou a Madrid para um encontro com o presidente do Flamengo, que não conheço pessoalmente. É a primeira vez que vou falar oficialmente com alguém ligado ao Flamengo.

Acha que o seu futuro pode ser decidido nesse encontro?
Pode ser. Não sei se vai ficar resolvido. Pode acontecer, mas... Tudo é possível numa negociação com um clube de futebol. Ou você tem vários dias ou tem poucos dias para resolver. Neste caso, tendo em vista o momento do Flamengo na temporada, não há muito tempo.

O que há de concreto com o Flamengo?
É a primeira vez que vou falar com o presidente do Flamengo e com os dirigentes do clube. Nunca os vi, nem mais gordos e nem mais magros [risos].

Mas os seus representantes já tiveram conversas com o Flamengo...
Isso é uma coisa, oficialmente é outra. Olha, quando existe um clube atrás de um novo treinador, logo aparecem 20 agentes de futebol dizendo que são eles que vão resolver tudo.

Sabe pelo menos o que o Flamengo tem para oferecer?
Não. Não sei nada.

Quais são as suas exigências para fechar com o clube carioca?
Não vou fazer exigência alguma, porque não sei se vou ser o treinador do Flamengo. Seguramente, por exemplo, não vou aceitar um contrato válido por um ano e meio. Tenho uma ideia do que quero, mas preciso ver o que o Flamengo quer.

O que você mudaria no time do Flamengo? Por tudo aquilo que já viu, ouviu...
Vou colocar as minhas ideias, tentar introduzir uma proposta para os jogadores. É assim que penso.

Quer sair de Madrid já como novo treinador do Flamengo? Pode acontecer?
Não sei. Isso vai depender de como as pessoas que estão comigo vão resolver a possibilidade de ter mais dias para resolver, de analisar outras alternativas...

Mas fechar agora com o Flamengo é o seu desejo?
Se as condições me agradarem... porque elas não vão ser financeiras, visto que, se fossem financeiras, o Flamengo não teria hipótese. Tenho outras possibilidades que nem se comparam. Mas não vou a procura disso (dinheiro). Vou a procurar de um projeto esportivo dentro de um grande clube que é o Flamengo. Se for possível, tudo bem. Se não for possível, vou continuar a minha caminhada.

Te agrada a ideia de trabalhar no Flamengo?
Claro. Flamengo é Flamengo, no plano esportivo tem tudo o que quero. O Flamengo é um dos maiores clubes do mundo. Mas, pronto, nada está certo. Tenho em cima da mesa outras propostas, que esportivamente não são iguais, mas financeiramente, numa comparação possível, são maiores.

Que propostas são essas?
Tem a ver com o mundo árabe.

O Flamengo, pelo visto, tem tudo o que você precisa...
No plano esportivo, sim. O plano financeiro, para mim, é segunda hipótese.

Um acordo então está fácil de acontecer...
Não sei, vamos ver [risos].

Já falou com Abel Braga?
Não tenho nada o que falar com o Abel. Tenho alguma amizade, mas, neste momento, o que sei é que o Abel Braga não é mais treinador do Flamengo. O que sei também é que eu não sou treinador do Flamengo.

A sua prioridade ainda é treinar um grande clube da Europa?
A prioridade é ter uma equipe que me proporcione a possibilidade ganhar títulos, que é o caso do Flamengo. Na Europa é exatamente a mesma coisa. Aquilo que falei com quem me representa foi o seguinte: só aceito equipes que disputam títulos. Flamengo, neste caso, é uma equipe que disputa títulos, e eu até posso disputar o final do Mundial de Clubes.

Mas trabalhar no Brasil é um plano B?
Não há plano B, nem plano A. O Flamengo não pode ser tratado como plano B, o Flamengo precisa ser plano A. É um dos quatro maiores clubes do mundo.

O mercado português já ficou muito pequeno para você?
Não, não vejo assim. A carreira de um treinador tem momentos. Neste momento, o mercado em Portugal está fechado e tenho que continuar a minha carreira. Portanto vou procurar uma melhor solução.

Por quanto tempo espera ficar no Brasil? Já tem uma ideia?
[Risos] Treinador nunca espera tempo nenhum. Tanto pode ficar muito tempo, quanto pode fica pouco tempo. Vivemos em função dos resultados.

O que mais te agrada no futebol brasileiro?
Bem, como vocês sabem, se eu fizer, sei lá, uma seleção de jogadores brasileiros que já trabalharam comigo, seguramente são mais de 100. Quantos jogadores brasileiros tive a oportunidade de ajudar a entrar na seleção brasileira? Também muitos. O Brasileirão é um dos campeonatos mais competitivos do mundo. Aqui em Portugal vocês não têm conhecimento, nem sabem muito bem o que é o futebol brasileiro. Como não sabem, acham que é um campeonato normal.

O Flamengo pode ser uma eventual entrada para assumir a seleção brasileira?
Não, não vejo entrada alguma, até porque nem sequer entrei ainda. Não sei o que vai acontecer. O meu encontro com o presidente do Flamengo já é algo público. Ainda não sei o que vai acontecer na reunião...

Como acha que vai ser a adaptação ao futebol brasileiro?
Nós, quando saímos, precisamos nos adaptar. O futebol brasileiro é o mais procurado por todos os agentes esportivos, é o futebol que mais talento produz no mundo. Ninguém tem dúvida disso. É um futebol que sempre me apaixonou. Se eu for mesmo para o Brasil, acredito que vocês [jornalistas portugueses] vão começar a acompanhar um campeonato de grande qualidade.

Há possibilidade de levar algum jogador português para o Brasil?
É difícil, porque o mercado português é muito mais caro. Não vou para o Flamengo por questões financeiras, porque se fosse por questões financeiras não iria. Primeiro vou analisar se a proposta me agrada, e digo isso mais pela paixão, pelo conhecimento que vou adquirir e porque acho que o Brasileirão é dos campeonatos mais competitivos do mundo. Dos 20 times, dez já foram campeões. Isso não existe na Europa.

A prioridade é ter uma equipe que me proporcione a possibilidade ganhar títulos, que é o caso do Flamengo.

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