O medo de assumir o favoritismo no futebol brasileiro

GLOBO ESPORTE: Por Humberto Peron

Não entendo. Não importa o campeonato ou o jogo, mas no futebol brasileiro, jogadores ou técnicos – e até torcedores – não gostam de declarar que o seu time é o favorito. Há o medo demasiado de assumir a condição de que é melhor, pois é possível que o adversário irá ganhar uma motivação extra, com uma possível posição de suposta arrogância.

Ao não assumir a condição de favorito, o time melhor diminui o seu valor. Iguala, pelo menos no lado psicológico, a relação de forças. Com esse comportamento estranho se dá uma força descomunal aos fracos e enfraquece os grandes.

Por isso, por aqui, temos inúmeras “zebras”, mais do que qualquer torneio no planeta, com os times melhores não sabendo se impor como favoritos. No Brasileiro é muito mais comum os últimos colocados vencerem os líderes do que nas grandes ligas do Velho Continente. Lá o melhor time chega, respeita o adversário se impondo em campo.

Foto: Divulgação
Tudo bem, sei que você está lembrando de eventos em que as equipes eram superiores e favoritas e acabaram perdendo partidas e muitos se recordam de declarações ou atos que acabaram inflamando o time mais fraco e o levando a um triunfo histórico. Penso que qualquer momento que seja lembrado agora ele é exceção e não pode ser usado como regra. E não podemos esquecer que no futebol o imponderável pode sempre aparecer.

Aconteceram casos como a final da Copa de 1950, entre Brasil e Uruguai, a imitação de porco que Viola fez na primeira final do Campeonato Paulista de 1993, entre Corinthians e Palmeiras, mas esquecemos que na maioria das vezes o melhor time quase sempre vence. Como foi nesses dois casos. O time uruguaio no famoso Maracanazo não era pior do que a seleção brasileira e a diferença entre o Palmeiras e o Corinthians de 1993 era tremenda. E, quando o time pior vence, mais do que uma simples declaração do adversário, o que fez ele ganhar é que ele foi melhor no jogo ou mais eficiente.

Talvez, também evita-se falar em superioridade, principalmente nos dias de hoje, porque não temos times que realmente sejam esquadrões. Temos bons times – alguns caros demais pela qualidade dos atletas -, é verdade, mas nenhum que esteja muito próximo de fazer tremer os adversários.

Todos os nossos melhores clubes do momento têm deficiências bem marcantes e, se fosse realmente salientada a condição de favoritismo, seria difícil para os profissionais explicarem como, com melhores condições, não conseguiram montar suas equipes para vencer adversário bem inferiores tecnicamente.

Sim, no futebol é preciso ter motivação e vontade sempre e é preciso sempre não menosprezar o adversário. Mas, não custa nada lembrar ao adversário que o seu time é melhor.

Não custa nada lembrar ao adversário que o seu time é melhor.

Postar um comentário

[facebook]

FlamengoResenha

{facebook#https://www.facebook.com/xresenhacrf} {twitter#https://twitter.com/FlaResenhaNews} {google-plus#https://plus.google.com/u/0/107993712547525207446} {youtube#https://www.youtube.com/channel/UCiHkjDj2ljgIbiv_zUvdG6g/videos}

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget