Ricardo Gonzalez sugere Rogério Ceni ao Flamengo

ENTRE AS CANETAS: Por Ricardo Gonzalez

Tive o privilégio de participar, na manhã desta quarta-feira, da bancada do Sportv News. Hoje estou comentarista, e a brilhante Janaína Xavier está apresentadora. Mas ambos não perdemos o faro da notícia, continuamos repórteres. Ao tratar do Flamengo, Janaína me perguntou sobre a informação de que a diretoria havia deixado claro a Abel que ele deveria mandar força máxima contra o Fortaleza - e o técnico declarara que era "óbvio" que o time deveria ser misto.

"Quando dirigente começa a dar palpite no time, alguma coisa está errada. E agora o problema está criado. Porque mesmo que Abel reflita, mude de ideia, e acabe entendendo que deve mandar a campo a força máxima, a versão que ficará é que Abel aceitou a pressão e a interferência externa. Mas que não seja isso". E devolvi a pergunta: "Você consegue imaginar algum dirigente do Grêmio dizer a Renato quem ele deve escalar? Você consegue imaginar algum dirigente do Palmeiras dizer a Felipão quem ele deve ou não escalar?" Janaína foi premonitória: "Na verdade eu não consigo ver alguém fazer isso com Abel..."


O presidente do clube ou diretores até podem, internamente, informalmente, conversar e trocar ideias com o treinador. Mas quando uma diretoria deixa vazar que fez isso, é a hora de o treinador mostrar o seu tamanho. E estava na cara que Abel faria isso. Menos de duas horas depois do News, Abel anunciava sua saída.

Mas sua reação de surpresa é incompreensível. Vamos lá: dos grandes clubes do Rio, Abel só não jogou no Flamengo. Criou-se no Fluminense e nunca escondeu sua condição de tricolor - assim como Luxemburgo sempre admitiu ser flamenguista. Conquistou seus maiores títulos trabalhando no Rio no Fluminense. No Flamengo, ganhou o Estadual de 2004, mas tinha a respaldá-lo e escorá-lo um dos maiores ídolos da história rubro-negra, o Maestro Júnior. Mas sua marca maior foi a perda da Copa do Brasil, no Maracanã, para o modesto Santo André.

Nesta fase, Abel irritou a torcida ao dizer que o Beira-Rio era o estádio mais belo do país. Domingo, no Maracanã, ninguém me disse, eu vi e ouvi 52 mil torcedores pedido sua queda e ofendendo-o com pesados palavrões, apesar da vitória heróica. A média de gols sofridos pelo time com Abel é de 0,9 por jogo - é como se o Flamengo entrasse em todos os jogos perdendo por 1 a 0. E, com o elenco milionário que o clube montou, as vitórias têm vindo com enorme sofrimento. Na cultura do Flamengo, não basta vencer, tem que jogar bem, jogar bonito, dar espetáculo. Abel não entendeu isso.

Ou seja, poucos técnicos estiveram um dia tão maduros para cair. E Abel caiu. E ainda não entendeu o que aconteceu.

A melhor opção que vejo no mercado para seu lugar seria Jorge Jesus. Comentei muito tempo o Campeonato Português e sei que ele monta baitas times, seja o milionário Benfica ou o problemático Sporting. O problema é: se vier, Jesus vai precisar de um mês para conhecer o elenco, um mês para fazer a mudança, outro mês para conhecer o campeonato, e mais um para alguma coisa, e no fim virá a sentença: "Título é só para o próximo ano." Só que o Flamengo precisa de título ontem, e três derrotas vão derrubar Jesus, também é óbvio.

Se eu fosse cartola rubro-negro, avaliando tudo, tentaria Rogério Ceni.

Só que o Flamengo precisa de título ontem, e três derrotas vão derrubar Jesus, também é óbvio.

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