Cuéllar dá sinais de que deixará o Flamengo em breve

GLOBO ESPORTE: Com a camisa 8 do Flamengo, seu nome nas costas, e uma bola em mãos, Paolo nos recebe. Abre a porta do apartamento em um condomínio na Barra da Tijuca e nos deixa entrar. De fato, a estrela da casa é ele. Aos dois anos e meio, corre, joga futebol, anda de patinete, como o verdadeiro dono da casa.

Paolo Cuéllar é o filho mais velho de um ídolo da torcida rubro-negra – Mateo, o mais novo, chegou há dois meses. Se em casa é ele quem dá as cartas, no Flamengo é seu pai, Gustavo, o intocável. Em meio a tantos nomes balados, Cuéllar alcançou um status inimaginável para quem acompanhou sua primeira temporada no Brasil. Hoje, seja nas arquibancadas ou em redes sociais, o colombiano é unanimidade entre os flamenguistas.

- Nunca imaginei. Sempre dou o meu máximo em campo para representar a nação rubro-negra. Eu e minha família estarmos vivendo esse momento é algo que me enche de muito orgulho. É um sonho. Sentir o carinho da nação não tem preço, sentir o carinho na rua que o torcedor tem por mim me deixa orgulhoso e me faz sentir que estou no caminho certo.

Cuélalr se lamentando no Flamengo - Foto: Gabriel Machado/ASC Press
Há três anos e meio na Gávea, Gustavo Cuéllar já experimentou os dois lados no Flamengo. Do ostracismo dos tempos de Zé Ricardo, esteve a um passo de retornar para a Colômbia, em negociação com o Atlético Nacional, em 2017. Um gol contra o Santos mudou seu destino e hoje, mesmo sem ainda ter um título de expressão, já pode ser chamado de ídolo. A pergunta é: até quando?

O grande momento não passa despercebido, e Cuéllar talvez certamente é um nome cobiçado no mercado. O contrato até 2022, com multa de 70 milhões de Euros, de certa forma, dá tranquilidade à direção do Flamengo. Mas não ao torcedor. Cuéllar, que se apresenta nesta segunda à seleção colombiana para a Copa América, admite que pode ter feito seu último jogo sábado, contra o Fortaleza. Não esconde, jogar na Europa é um sonho que ele talvez esteja próximo de se tornar realidade.

Antes de viajar para a Colômbia, recebeu o Globo Esporte em sua casa conversou conosco por cerca de 50 minutos. Falou dos filhos, da relação com a torcida, do grande amigo Rodinei, de Zé Ricardo, de Rueda, de Abel, da Copa América, sobre um pouco de tudo que viveu nesses mais de três anos no Flamengo e, claro, sobre o futuro.

Confira o bate papo com Cuéllar

Pai de cariocas e flamenguista

Todos dias o Paolo me pede a camisa do “gol”. Ele a veste todos os dias. Também gosta de vestir o uniforme da Colômbia. Vai ser flamenguista. O pai já está virando flamenguista, tenho um carinho muito grande pelo clube, e ele está pegando esse sentimento do pai.

O Paolo mudou minha vida. E agora o Matheus. São momentos inesquecíveis que estou vivendo agora, e estou curtindo demais esse papel de pai. É o papel mais importante da minha vida. Eles são a motivação para eu acordar todos os dias e buscar uma vida melhor para eles.

E como é o Cuéllar pai?

Ajudo muito em casa com as crianças. Com o Paolo, eu chegava em casa e já o pegava para minha mulher descansar. Agora com o Matheus. É uma fase que as mulheres sofrem um pouco. Acho que eu ajudo muito. Mas tem que perguntar para a minha mulher se ela acha isso (risos)

Como é sua rotina no Rio?

Passo o dia no CT, chego em casa, fico no sofá, brinco com as crianças. Minha vida é muito simples. Assisto muito futebol. Minha mulher fica brava (risos). Vejo até os VTs. Acho que a gente aprende, gosto de assistir.

Você já se considera carioca?

Não, sou colombiano (risos). Mas tenho muito do jeito carioca de falar até pela convivência. Meus dois filhos são cariocas. Estou muito bem adaptado ao Brasil, o brasileiro é muito alegre como o colombiano. Não foi difícil me adaptar nesse aspecto. Mas sou colombiano e tenho orgulho da minha origem. Mas me sinto em casa no Rio de Janeiro.

Qual é o segredo da sua regularidade?

Sempre entro em campo muito concentrado, atento ao que o treinador passa. A concentração é fundamental. O pensamento tem que ser esse. É o meu ponto forte. Além do trabalho do dia a dia que ajuda a manter o alto nível. São 75 partidas por ano, é difícil, mas sempre tento dar o meu melhor para ajudar o Flamengo.

É o melhor momento da carreira?

Acho que sim. Desde que comecei a ter uma continuidade, tenho vivido momento muito bons. Mas agora estou em um nível que eu não esperava que quero manter, sempre com muito trabalho, pensando em me consolidar no Flamengo e na seleção colombiana.

Quando foi sua virada no Flamengo?

O treinador que me deu a confiança foi o Reinaldo Rueda. Ele já conhecia minha qualidade da Colômbia e me deu oportunidades quando chegou ao Flamengo. É claro que eu soube aproveitar a chance. Mas o Rueda me ajudou a recuperar a confiança.

Tive um período de adaptação muito difícil no Brasil, joguei pouco quando cheguei. Sempre soube que tinha muito ainda a melhorar. E a chegada dele foi um momento chave para mim no Flamengo.

Seu início foi complicado, na reserva do Márcio Araújo, poucas chances com o Zé Ricardo e você quase deixou o Flamengo.

Foi um ano muito complicado para mim e para minha mulher. Éramos recém-casados, ela estava grávida do Paolo, em um país com outra língua, eu viajava muito porque estávamos sem o Maracanã (fechado para as Olimpíadas) e ficava pouco em casa. Vim na expectativa de jogar e ser olhado pela seleção. Foi um período complexo.

O treinador (Zé Ricardo) tinha uma convicção, confiava muito em quem estava jogando (Márcio Araújo). Eu respeitei. Os treinadores têm seus gostos. Acho o Zé Ricardo um cara muito inteligente, gente boa demais. Foi um período difícil, mas que me fortaleceu.

Você quase voltou para a Colômbia. Já pensou que tudo poderia ser diferente?

Sim, já pensei. Tudo seria diferente. Deus me ajudou no momento de dificuldade. Eu estava praticamente negociado (com o Atlético Nacional) e fiz aquele gol contra o Santos. Foi um jogo chave. Mudou tudo, o Flamengo mudou de ideia, acabei ficando no clube, mais um tempo na reserva e depois comecei a ganhar oportunidades e tudo mudou.

O Flamengo hoje tem grandes jogadores de frente. Mas você parece ser o jogador de quem a torcida mais gosta.

É um time repleto de estrelas... Diego, Arrascaeta, Everton... são caras de altíssima qualidade. Nunca tinha tido essa oportunidade de jogar com caras que já ganharam tudo, como o Diego Alves, o Juan. Isso me enche de muito orgulho de estar em um time como o Flamengo.

Os caras têm qualidade demais. E ser reconhecido pela torcida em um time com tanta qualidade... Olho para um lado tem o Bruno Henrique, olho para o outro tem o Gabriel, olho para trás tem o Diego Alves, o Rodrigo Caio, que é sensacional. O time está muito bem arrumado.

Você quase não foi para o Flamengo. Esteve muito perto do Cruzeiro, foi questão de horas...

Quando eu estava no Junior Barranquila chegou uma proposta do Cruzeiro. Estávamos estudando, mas de uma hora para outra apareceu o Flamengo. Graças a Deus deu tudo certo e no dia seguinte eu já estava no Rio de Janeiro. Foi algo muito bonito, as coisas acontecem como tem que ser na vida. Estou em um grande clube demonstrando a minha qualidade.

Isso faz parte do futebol, essas trocas rápidas. Não deu nem tempo para pensar. Estávamos analisando a proposta do Cruzeiro, apareceu o Flamengo, não pensei duas vezes e peguei um voo para o Rio.

Você falou do Zé Ricardo e do Rueda, mas sua melhor fase foi com Abel.

Assim como o Rueda, o Abel foi um cara que me deu muita confiança. Falei para ele que o considero como um pai para mim. Um cara de muito caráter, falava o que tinha que ser falado. Um cara importante na minha carreira, que com certeza vou lembrar para sempre. Foi um dos treinadores que mais percebeu minha qualidade e me deu muita confiança.

Abre janela, fecha janela e seu nome é sempre especulado em negociações. Como lida com isso?

Lido com muita tranquilidade. Estou em um clube que fez muito por mim na minha carreira na na minha vida pessoal. Vou ficar eternamente agradecido por tudo o que o Flamengo fez pela minha vida. Obviamente tenho sonhos a cumprir. Penso no Flamengo, na seleção e no futuro. Tenho metas e sonhos. Mas o Flamengo é um clube que sempre vou levar no coração.

Jogar na Europa é um sonho?

Jogar na Europa é um sonho, sim. Acho que para todos jogadores sul-americanos. O futebol brasileiro é muito competitivo. Quem joga aqui joga em qualquer lugar do mundo. Jogar na Europa é um sonho que espero cumprir. Obviamente, se sair algum dia do Flamengo, quero sair pela porta da frente.

Já passou pela sua cabeça que o jogo contra o Fortaleza pode ter sido seu último pelo Flamengo?

Não pensei ainda nisso, mas alguma coisa passou pela minha cabeça. A troca de clubes faz parte do futebol. Eu não estou à parte sim. Pode ser o último jogo, como também pode não ser. Tenho contrato com o Flamengo até 2022. Vamos ver se a gente vale fazer valer esse contrato. Estou muito feliz no Flamengo. É um clube que ficará no resto da vida no meu coração. Mas tenho sonhos para cumprir. Estou vivendo um sonho no Flamengo. É gratificante jogar aqui.

Já chegou algo concreto nessa janela, há conversas?

Na janela passada chegou algo concreto sim. O clube não aceitou, decidimos que era melhor não ir. Agora a janela está vindo. Meu representante está cuidando disso e com certeza ele vai me falar se chegou ou não chegou. Mas agora estou concentrado no Flamengo e na seleção.

Você está no Brasil desde 2016, ano em que o Flamengo começou a brigar por títulos de grandes competições, e ainda busca um título de expressão. Isso é uma obsessão? É algo que pode adiar o seu sonho de jogar na Europa?

Depende... Se me derem um documento para assinar garantindo que eu ganharia um título aqui, eu assinava na hora. Um título de expressão no Flamengo me marcaria pela vida toda. É muito importante até para mudar o patamar, entrar para a história desse grande clube.

E sua relação com o Rodinei? Vocês dois estão sempre brincando.

Concentro há três anos e meio com ele. Não aguento mais (rs). É um cara sensacional. A energia dele... Chego no CT e já o procuro para rir um pouco. É um cara extrovertido demais, brinco muito com ele. No início foi difícil para nós, porque não jogávamos. Sempre concentramos juntos. Vivemos muitos momentos felizes e outros nem todos. Mas é um relacionamento que vai ficar para sempre marcado.

Naquele jogo na Colômbia, que ele colocou a mão no peito durante o hino (contra o Santa Fé, em Bogotá, em 2017), ele disse que queria me dar uma moral (risos). É um cara sensacional que faz tudo de forma espontaneamente, sempre muito sincero.

Tem alguma história entre vocês que possa contar?

Tem muitas. Tem essa do hino. Teve uma vez na Bahia, ele levantou da mesa do restaurante para pegar algo e deixou o suco. Peguei um pouco de pimenta e joguei no copo. Até hoje ele não sabe que fui eu. Ele acha que foi o Piris (gargalhada). Foi muito engraçado, ele ficou com os lábios vermelhos, foi lavar a boca. Não vou pedir desculpa (gargalhada).
Após ficar fora da Copa do Mundo da Rússia, jogar a Copa América é um sonho?


Um sonho... Ainda não caiu a ficha. Já estive em outras convocações, mas sempre quis representar o meu país. É um sonho jogar e representar o meu país ao lado de caras que já ganharam tudo no futebol. Jogadores conhecidos mundialmente. Espero fazer um bom papel com a Colômbia nesse sonho que é jogar um torneio oficial pelo meu país.

E de certa forma você vai jogar a Copa América em casa...

Sim, me sinto assim. Espero que a Colômbia jogue no Rio de Janeiro e que o Maracanã esteja lotado de flamenguistas. Vai ser algo lindo se passarmos de fase e jogarmos no Rio de Janeiro.

Você se lembra do último título da Colômbia, na Copa América de 2001?

Lembro, foi na Colômbia. Temos muita qualidade para repetir aquele time. Vai ser muito difícil, mas temos muitos bons jogadores que já demonstraram qualidade.

Está preparado para enfrentar o Messi, logo na estreia, dia 15, em Salvador?

Tomara que eu esteja em campo e consiga marcá-lo. Tem que ser um trabalho de grupo, ninguém consegue marcar o Messi.

E essa nova tatuagem no braço?

Tem um significado. Os leões são eu e minha esposa, o Paolo de olhos abertos e o Matheus de olhos fechados. Significado de luta, guerra...o leão é o rei da selva.

E você se considera um leão em campo?

Me considero um cara muito agressivo em campo, como um leão (risos).

Não esconde, jogar na Europa é um sonho que ele talvez esteja próximo de se tornar realidade.

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