Como a torcida do Flamengo reagirá após um investimento tão alto?

O GLOBO: Por Marcelo Barreto

O Flamengo é o encontro do mar com o sertão. Nasceu rico, de uma dissidência no seio do Fluminense, o clube que o folclore do futebol carioca associou à aristocracia. E se tornou o preferido dos pobres, num longo processo que historiadores do esporte atribuem a vários fatores: aos treinos na praia, abertos ao público, quando os fundadores ainda não tinham conseguido comprar um campo; às ondas do rádio, que espalharam a popularidade pelo Brasil; e até à inclusão do personagem Duda, jogador que sai do interior para tentar a sorte no time, no roteiro da novela “Irmãos Coragem”, de Janete Clair. Por um motivo ou por outro, decolou — segundo a última pesquisa sobre tamanhos de torcida, encomendada pelo "Diário LANCE!" ao Ibope em 2017, os rubro-negros já passam de 32 milhões e são maioria em todas as classes sociais.

Faltava a essa história ser rico entre os clubes brasileiros. Depois da implosão do Clube dos 13, que fez aumentar a diferença no valor dos direitos de TV, passando pelo saneamento financeiro da gestão Bandeira de Mello, essa hora chegou.

Rodolfo Landim com torcedor do Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
A administração atual começou o mandato com dinheiro em caixa, abriu os trabalhos com contratações de impacto no cenário nacional (Arrascaeta, Rodrigo Caio, Bruno Henrique, Gabigol) e mandou um mochilão de dirigentes à Europa para fechar o elenco. Rafinha, já esperado, foi recebido com aplausos. Mas logo em seguida veio a desconfiança.

Gerson, conhecido do torcedor rubro-negro como adversário pelo Fluminense, caiu na conta de Jorge Jesus. Com uma carreira internacional que não decolou, chega indicado pelo treinador, convencido de que pode transformá-lo no segundo volante de seu esquema. Pablo Marí continua sendo mais difícil de entender: um zagueiro espanhol que jamais jogou pela Série A de seu país e não foi utilizado pelo Manchester City (#marlosmorenofeelings).

Dúvidas com relação ao potencial de qualquer contratado se resolvem no campo. Se o cara joga bem, a dúvida some. Mas Gerson e Marí caíram no emaranhado de críticas das redes sociais e das mesas de bar por outro motivo: os custos das transações. O meia que vai virar volante é o brasileiro mais caro já contratado por um clube brasileiro; o zagueiro custou seis vezes o valor que o bilionário time de Guardiola pagou por ele. O torcedor costuma ser o último a se preocupar com um balanço no azul (para ele, um título zera todas as contas). A reação aos gastos do Flamengo pode estar inaugurando um novo capítulo na relação da arquibancada com a contabilidade. Ou talvez seja só falta de costume mesmo.

Para clubes em dificuldade financeira, como o Flamengo foi por muito tempo, contratação cara tem de ser para resolver. Se é para buscar reforços no varejo, comprando de baciada para ver se um dá certo, melhor sair de casa com dinheiro contado. Investir alto para tirar qualidade da quantidade era algo que até agora só o Palmeiras tinha feito — e já trouxe resultados, com uma Copa do Brasil e dois Brasileiros num período em que o primo rico carioca só ganhou o Estadual.

O clube dos pobres hoje gasta como rico, mas ainda não fez o sertão virar mar nem o mar virar sertão.

O clube dos pobres hoje gasta como rico, mas ainda não fez o sertão virar mar nem o mar virar sertão.

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