Corinthians gasta 7,6 vezes mais que o Flamengo a empresários

O GLOBO: O Corinthians gastou mais do dobro de Palmeiras e Flamengo somados no pagamento de comissão para agentes de atletas durante a temporada passada. Esse é o número levantado por estudo feito pela BDO Brasil, baseado no balanço financeiro dos clubes.

O time do Parque São Jorge lidera o ranking de pagamento para empresários de atletas entre as equipes que disputaram o Campeonato Brasileiro da Série A em 2018. No total, as equipes gastaram o equivalente a 3,59% de tudo o que arrecadaram ao longo do ano com empresários de jogadores. No Corinthians, esse percentual chegou a 7%.

Em números absolutos, o Alvinegro desembolsou R$ 33 milhões para remunerar agentes na temporada passada. Esse montante equivale a mais do dobro do que gastaram Palmeiras e Flamengo, times com o maior faturamento do país.


CUSTOS NA INTERMEDIÁRIA

O clube do Allianz Parque pagou R$ 9 milhões para agentes. Já o Flamengo gastou só R$ 4,32 milhões em comissões para empresários de atletas, mesmo fazendo a maior contratação de 2018 no país, o atacante Vitinho, que deixou o CSKA, da Rússia, por R$ 44 milhões.

— Não há uma tabela para a remuneração dos agentes, como há na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para a remuneração de advogados. A profissão é regulamentada pela Fifa, mas esse percentual não está estabelecido — comenta Carlos Aragaki, sócio da área de Esporte Total da BDO.

No total, os 20 clubes da Série A do Brasileirão gastaram R$ 185,998 milhões para remunerar os agentes.

 Outros times também desembolsaram montante razoável. Atlético-MG (R$ 28,171 milhões), São Paulo (R$ 22,564 milhões), Grêmio (R$ 21,866 milhões) e Bahia (R$ 19,157 milhões) integram o top 5 das equipes gastadoras. O América-MG, rebaixado à Série B, foi o único time que não discriminou esse tipo de despesa em seu balanço financeiro.

— É a primeira vez que incluímos esse item em nosso estudo. A questão que fica é como negociar no mercado em condições mais favoráveis financeiramente — analisa Aragaki, da BDO.

Com o dinheiro gasto pelo Corinthians em comissões a empresários de atletas seria possível contratar jogadores como os atacante Dudu ou Bruno Henrique, destaques de Palmeiras e Flamengo.

Por Dudu, o time alviverde desembolsou R$ 19 milhões em 2015. Já o rubro-negro investiu R$ 23 milhões para trazer o atacante santista no início deste ano.

OUTRO LADO

Procurado, o Corinthians justificou os gastos por conta de mudanças na legislação que configuraram nova relação com empresários.

— O Corinthians declara 100% das comissões pagas a agentes de futebol. Por conta da mudança na regra da Fifa, só clubes podem ser os detentores de diretos econômicos dos atletas — disse o Corinthians através de sua assessoria de imprensa.

— Essa alteração também fez com que o percentual de comissões pagas aos agentes aumentasse e os mesmos estão exigindo comissões nas renovações de contrato — acrescentou o clube.

O time também justificou o alto montante pelo grande número de negociações.

— Considerando o número relevante de transações de atletas realizadas em 2018, houve impacto direto no número apresentado.

MEDO DE CALOTE

Extraoficialmente, agentes costumam ganhar até 10% de comissão com a transferência de atletas. Mas o valor é muito variado.

— Cada caso é um caso. Normalmente, quanto maior é o volume da transferência, menor o percentual (de comissão). O clube dá uma chorada. Paga 7% ou 8%. Quando o negócio é menor, pagam os 10% — diz Marcelo Robalinho, agente do meia Jadson, do Corinthians, entre outros jogadores.

Os empresários de atletas ouvidos são unânimes em apontar outro problema para exercer a profissão no país: a falta ou atraso de pagamento de sua remuneração.

— O último credor que é pago é o empresário. A maioria dos clubes paga salários em dia, tenta pagar impostos, contas de luz e água... A última conta a ser paga é a comissão. Ela sempre é deixada para o final — diz Eduardo Uram, agente do volante Allan e do meia Paquetá, da seleção brasileira que disputa a Copa América.

Se há o problema do calote, do outro lado do balcão, os dirigentes acreditam que pagam uma remuneração muito alta aos empresários.

— O agente tem um papel importante dentro do mercado do futebol. Mal comparando, é como o corretor de imóveis que busca achar um comprador para uma casa — pondera Marcelo Paz, presidente do Fortaleza.

— Mas acredito que essas comissões deveriam girar em torno de 5% a 6%. E, caso o atleta não cumpra o contrato, a comissão (ao agente) deveria ser proporcional —sugere o dirigente.

A remuneração de agentes surpreende ainda mais pelo montante desembolsado pelos clubes do país.

— Como é praxe o pagamento de 10% de comissão, as negociações deveriam ter chegado a R$ 1,8 bilhão na origem. Mas em 2018, os times brasileiros investiram R$ 736 milhões em contratações — afirma César Grafietti, economista e consultor de finanças e gestão do esporte, referindo-se aos 27 principais clubes do país. (Colaborou Bruno Marinho)

O Alvinegro desembolsou R$ 33 milhões a agentes. Esse montante equivale a mais do dobro do que gastaram Palmeiras e Flamengo juntos.

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