Elinton lamenta falta de organização no beach soccer brasileiro

LANCE: O futevôlei, vôlei de praia e até mesmo o futebol de areia são levados como uma brincadeira, momento de diversão. Contudo, o personagem da nossa história descorda do assunto. Para quem não conhece: Elinton Andrade. Ele foi medalha ouro com a seleção de Portugal e eleito duas vezes melhor do mundo da modalidade. No momento, joga pelo Flamengo, porém como não há uma sequência de jogos, foca na seleção e ainda até atua pelo Catânia, da Itália.

Antes de firmar na modalidade, Elinton atuou pelo futebol de campo, onde vestiu a camisa do Vasco, Fluminense e até teve uma experiência que todo jogador deseja: jogar a Liga dos Campeões. Foi pelas quartas de final da competição, que sentiu uma de suas melhores sensações. Também teve passagem pelo Ascoli, da Itália, e pelos modestos Moto Club e Duque de Caxias. De lá foi contratado pelo Rapid Bucuresti, onde atingiu o status de ídolo a partir de 2006. E seu último clube foi o Goa, da Índia, em 2015.

Foto: Divulgação
Com este breve histórico, o LANCE! conversou com o atleta sobre a sua carreira. Primeiramente, o goleiro falou das atuais condições que o futebol de areia do Brasil passa. Ele destacou que há uma discrepância entre o investimento na Europa e no país da América do Sul. Mesmo sabendo das dificuldades da Confederação Brasileira de Beach Soccer (CBSB), salientou que está abandonado.

- A gente sente essa falta de calendário para os meninos que ficam no Rio. Eles treinam para... ponto de interrogação. Por contatos fora do Brasil, a gente consegue fazer com que o Flamengo participe de alguns campeonatos extras CBSB (Confederação Brasileira de Beach Soccer). O ideal é que tivesse uma liga. Eu nunca me programei para um calendário brasileiro. Clubes europeus e seleções o tempo inteiro. Poderíamos dizer que houve evolução do futebol de praia aqui na Europa. Na Rússia, por exemplo, eles recebem salário mensalmente e a infraestrutura também é muito boa. Na Itália, onde eu também jogo no Catânia, atual campeão italiana e tem um campeonato bem forte, e as pessoas também estão indo para Israel. Enquanto no Brasil é ponto de interrogação, mas é o atual campeão do mundo. E nem estou culpando a Confederação, porque sei das dificuldades para realizar campeonatos por faltar apoiadores, os clubes também ajudarem. Por que se não o dinheiro sai de onde? Eu não saberia te explicar isso. Eu não estou tirando a culpa deles, mas não sei se a CBF poderia intervir. Enfim, é uma pena o futebol de praia está abandonado no Brasil. Tivemos uma Olimpíada 2016 e não teve nenhuma partida amistosa, que fosse uma exibição. Não teve absolutamente nada. Espero que isso mude o mais rápido possível, pois temos uma modalidade forte - disse o jogador.

Elinton Andrade teve uma ascensão meteórica na areia. Além do título mundial por Portugal, o goleiro foi eleito o melhor do mundo na posição nos anos de 2016 e 2018. Aos 40 anos, ele afirmou que deseja mais conquistas. 

- Muito trabalho. Essa é minha filosofia. A energia que a gente atrai também é uma coisa fundamental. A forma que eu treino, desde 15 anos. É aquela velha história: plantar o bem, para colher o bem. Eu sempre tive muita paciência para conquistar meus objetivos. Hoje, com 40 anos, quero sempre algo a mais. No final do ano, não escondo de ninguém, quero ser eleito pela terceira vez ser o melhor do mundo. Esse ano a gente tem Copa do Mundo, em novembro, mas primeiro precisamos nos classificar, em julho, em Moscou. Sempre almejando voos maiores - afirmou.

O goleiro também comentou da amizade com Romário. O baixinho foi responsável de levar o goleiro para o Fluminense e Vasco, mas não teve um grande sequência. Segundo ele, os dois se conheceram por meio do futevôlei na Barra da Tijuca e Ipanema, zona Oeste e Sul do Rio de Janeiro, respectivamente.

- O Romário, eu conheci do futevôlei, na Barra da Tijuca e Ipanema. Eu jogo futevôlei e vôlei de praia desde os meus 10 anos de idade. E nesse momento que começa minha história com a praia, sempre tive muita intimidade com a areia e me ajudou muito como goleiro. Um local que te dá muita força, no joelho, tornozelo e sem contar as outras valências, que me proporcionaram, muita impulsão e potência. E muitos jogadores famosos acabam praticando e onde conheci o Romário. Em 1994, chorei muito, e em 2004 eu fui ver e era amigo dele. Ele me levou para o Fluminense primeiro e depois o Vasco, Hoje, em dia a gente não se encontra tanto por conta da nossa vida. Tenho muita admiração por ele - declarou.

Nem só de vitórias vive um atleta. No dia 27 de julho de 2005, o Athlético-PR venceu o Vasco por 7 a 2 na Arena da Baixada e impunha ao Cruz-Maltino uma de suas piores derrotas em Campeonato Brasileiros. Elinton estava na meta, mas afirmou que não pensou em desistir de jogar futebol naquele momento.

- O 7 a 2 foi um desastre, mas só me deu força. Longe de me culparem. Eu tenho muita autocrítica da minha carreira. Tenho o jogo na minha mente e tenho até DVD. Mas eu falo isso para muita gente: ainda bem que fui eu. Tenho uma força mental impressionante. Se fosse outro, poderia até abandonar a carreira.

Porém, para compensar, teve uma das melhores experiências na carreira. Em 2009, disputou a Liga dos Campeões pelo Olympique de Marseille. No clube francês, conquistou o campeonato nacioanal, duas Copas da Liga Francesa e duas Supercopas da França.

- Liga dos Campeões é para contar até os 100 anos. Antes de entrar no gramado tem aquela música e passa tudo na sua cabeça. É emocionante. Muita gente vivencia isso jogando vídeo game. Até quando assisto um jogo eu fico emocionado, porque é um desejo de todo atleta chegar nessa competição. Não sejamos hipócritas que o jogador estaria satisfeito em atuar pelo Estadual. Se o jogador pensa desta forma, ele está perdendo tempo. Tem que se dedicar ao máximo. Quando eu estava no Olympique de Marseille joguei às quartas de final contra o Bayern de Munique e as lembranças estão vivas até hoje. E uso sempre como motivação.

Um fato curioso é a troca da modalidade de Elinton. Como já estava acostumado com futevôlei, ele "tirou de letra" o desafio ao se adaptar nas areias. Além disso, afirma que não volta aos gramados por conta das conquistas. Recentemente, o atleta conseguiu a medalha de ouro nos Jogos Europeus.

Com o Flamengo retornando ao projeto de futebol de areia em 2019, Elinton conquistou o vice do Campeonato Brasileiro, terceiro lugar no Mundialito de Clubes e campeão carioca.

- A minha troca do campo para a areia aconteceu em 2014, quando eu fui manter forma no Flamengo. Depois disso, disputei campeonatos e pintou a sondagem da Seleção Brasileira e portuguesa, onde acabei ganhando os principais torneios. Fica difícil voltar ao campo, mas sempre surge um convite, principalmente, em Campeonato Estadual. No futebol de praia tem sempre esse rótulo de ex-jogadores e quando está de férias, infelizmente. Eu não vou largar Portugal, onde conquistei o ouro para jogar nessas equipes menores. Eu já passei dessa fase.

Outro ponto que se pode destacar é como ele chegou à seleção de Portugal. Elinton recebeu sondagem da Seleção Brasileira após conquistar o título de melhor goleiro do mundo, em 2018. Mas Alan Cavalcanti, que está no Sporting do futebol areia, indicou Elinton para os portugueses e resolveu aceitar.

- O convite surgiu por meio do Alan, brasileiro naturalizado português e que hoje joga só no Sporting. E o futevôlei me ajudou bastante, porque se eu goleiro saber jogar com os pés, ele pode surpreender os adversários. Então, ele já tinha falado com o nosso staff. Antes de vir, a seleção brasileira, depois de ser eleito melhor goleiro no campeonato no Espírito Santo, pelo Flamengo. Mas o que prevaleceu foi o carinho de Portugal.

Fora das areias da Europa, Elinton Andrade comentou de seu projeto. É uma empresa que cuida parte física dos atletas, mas que no final acaba auxiliando a carreira. Diferente de muitos outros, ele não pensa em se tornar um treinador.

- Hoje, eu tenho minha empresa de auto-rendimento, onde engloba todas as modalidades de treinamento, sempre com a parte física. Dentro das análises, a gente sempre trabalha daquilo que o atleta necessita. Com isso, a gente acaba agenciando um atleta para indicar aos clubes. Deste modo, essa parceira entrew clubes pode acontecer, já que tenho conhecimento aqui na Europa. A Olympique de Marseille, por exemplo, pode vir a ser um captador de atletas do Brasil juntamento com a minha empresa. Mas em ser treinador, eu não penso. Me vejo na empresa de auto-rendimento. Brincadeiras à parte, eu e Cristiano Ronaldo devemos está no mesmo patamar de treinos. Mas agora é focar nas competições que estão por vir - concluiu.

No momento, ele está disputando a Liga Europeia de futebol de areia. Os adversários da primeira fase serão: Polônia, Ucrânia e Suíça. Como destacado pelo goleiro, a Europa é o melhor caminho para os meninos que gostam e que pensam em entrar no futebol de areia. A não ser, que a Confederação Brasileira de Beach Soccer altere sua forma de organização.

Com o Flamengo, Elinton conquistou o vice do Campeonato Brasileiro, terceiro lugar no Mundialito de Clubes e campeão carioca.

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