Em adaptação a Jesus, Flamengo lucra com empate na Baixada

O GLOBO: Por Carlos Eduardo Mansur

Não foi uma surpresa ver o Flamengo passar longo tempo dominado na Arena da Baixada. Primeiro, porque jogos em Curitiba contra este Athletico-PR costumam ser assim mesmo. Mas a análise fundamental neste momento é entender que são tantas as alterações de comportamento que o modelo de jogo de Jorge Jesus impõe, que será natural o período de adaptação incluir percalços.

Neste cenário, e diante do que foi o jogo, há motivos para o Flamengo celebrar o 1 a 1 de ontem. Na quarta-feira, no Maracanã, uma vitória levará o time à semifinal da Copa do Brasil. Mas é também possível se preocupar pela forma como a partida expôs que mudanças tão drásticas de ideias de futebol exigem adaptação. Em especial porque este Flamengo é um clube ansioso por títulos, mas se vê diante de uma assimilação que pode necessitar tempo. A princípio, é uma contradição contida na escolha pelo português. Mas a qualidade técnica do elenco e a experiência de Jorge Jesus podem apresentar atalhos. Os próximos jogos dirão. É tudo muito precoce.

Renê em Athletico-PR x Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
Ontem, o saldo do placar foi positivo. Diego Alves foi exigido e o time paranaense teve três gols anulados. Todos corretamente, diga-se, mas o dado expõe o risco que o Flamengo correu. Foi um ótimo jogo, de dois times dispostos a atacar.

Mas onde residiram as dificuldades? Primeiro, parece inegociável para Jesus que a linha defensiva do Flamengo jogue o mais avançada possível. O que impõe uma reeducação dos defensores, mas também exige que todo o time esteja condicionado a pressionar o rival o tempo todo. Assim que o Flamengo perdeu a intensidade dos minutos iniciais, os meias paranaenses passaram a ter tempo e certa liberdade para executar lançamentos às costas dos defensores e laterais.

Outra questão é a execução do 4-1-3-2. Cuéllar era o volante, com Arão à sua frente. Fechando a linha de três meias, estavam Vitinho e Arrascaeta, ambos pendentes da marcação dos pontas e laterais rivais, o que deixou o time carioca inferiorizado no centro do campo. O Athletico usava e abusava das inversões de jogo, ora mantendo seus pontas abertos, ora fazendo-os buscar o centro do ataque, abrindo o corredor para os laterais.

Assim, a surpresa foi o primeiro gol só sair de um córner no início do segundo tempo. O Flamengo adiara o pior até Léo Pereira marcar. E vale dizer que a arbitragem poderia ter expulsado Diego Alves no primeiro tempo, em lance em que o goleiro pegou a bola fora da área.

Com a bola, o Flamengo também implementa mudanças: tenta ser mais direto, menos cadenciado. E terminou sendo impreciso em boa parte do tempo.

Mas teve virtudes, a maior delas a da coragem. O curioso é que o gol saiu com a formação mais ousada do time no jogo, logo após Cuéllar e Vitinho darem lugar a Éverton Ribeiro e Diego. Mas dois substitutos haviam acabado de pisar o campo quando Renê bateu lateral e achou Gabigol.

A parte final foi aberta, franca como raramente se vê. O Flamengo teve até chance de virar, mas era o Athletico quem criava mais diante de um time carioca que abrira de vez o centro do campo. De um lado, havia um trabalho de um ano contra outro de 20 dias. Nada fora do roteiro. Jesus pode acertar este Flamengo rapidamente, mas o clube deve estar pronto caso seja necessário esperar. Ao menos, saiu no lucro de Curitiba.

Jesus pode acertar este Flamengo rapidamente, mas o clube deve estar pronto caso seja necessário esperar. Ao menos, saiu no lucro de Curitiba.

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