Jorge Jesus implementa um verdadeiro 'regime militar' no Flamengo

GLOBO ESPORTE: Não é só dentro de campo que Jorge Jesus vem tentando revolucionar o Flamengo, com mudanças de conceitos, esquema tático e intensidade. Por mais que que dentro das quatro linhas sejam muitas as novidades, é fora dos gramados, de fato, que o jeitão do português tem chamado a atenção.

Centralizador, rigoroso, detalhista, perfeccionista, enérgico e apaixonado por futebol... todos os adjetivos fazem jus a Jorge Jesus. Alimentação, pontualidade, quilos a mais, disposição... nada passa despercebido pelo antenado treinador, que em duas semanas no Flamengo conseguiu impor seu estilo rapidamente.

Estilo esse que não é novidade. Em Portugal, os métodos de Jesus são conhecidos e, quase sempre, geraram bons resultados iniciais, mas que por vezes criou atritos a médio e longo prazo. Em alguns casos, houve saturação por parte dos atletas. No Benfica, por exemplo, havia o monitoramento do sono dos jogadores através de um relógio especial. Por ora, ainda não é o caso no Flamengo. Mas o jeitão do treinador tem dado o que falar.

Jorge Jesus e Willian Arão no Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
A tendência, no entanto, é que com a volta dos jogos, geralmente duas vezes por semana, a carga de treinos e os excessos sejam suavizados. A intensa programação tem motivo. O treinador, que acabou de chegar, quer aproveitar ao máximo o período de intertemporada para preparar o elenco para a maratona de jogos decisivos que o Flamengo terá pela frente.

Regime militar
Com Jorge Jesus, todos os jogadores precisam começar a almoçar juntos. O treinador dá a sinalização ao capitão Diego, que avisa ao restante do elenco. Antes, existia mais flexibilidade.

Quando o treino é apenas em um período, nem sempre é obrigatório almoçar no CT. Isso varia de acordo com a programação. Também não é regra, mas o elenco tem como hábito tomar café da manhã no Ninho do Urubu. A maioria dos jogadores está “madrugando” no local.

Jorge Jesus também é rigoroso com questões do peso e percentual de gordura dos atletas.

Biometria e multa para os atrasados
Multa para jogadores que se atrasam, a famosa "caixinha", não chega a ser novidade no Flamengo. Havia, por exemplo, na época de Abel Braga. Mas com Jorge Jesus o sistema é à prova de "jeitinho": biometria.

Quando chegam ao Ninho do, os jogadores colocam a digital em uma máquina, que registra o horário. Cada minuto de atraso corresponde a R$ 100 de multa.

Nos períodos entre almoço e treino da tarde, cada jogador tem seu quarto individual. E a entrada também é registrada por biometria na porta de cada acomodação. O novo módulo profissional do Ninho do Urubu possui 42 suítes, sendo 36 individuais e seis duplas. A tendência é que o elenco passe a se concentrar no local com a volta dos jogos.

Carga horária pesada
Os jogadores estão se acostumando a um ficar muito mais tempo no Ninho do Urubu, e não apenas nos dias de atividades em dois períodos. A regra é chegar no mínimo 1 hora antes do treino, mas a maioria dos atletas vem chegando até com um pouco mais de antecedência. Na última quarta-feira, por exemplo, o treino estava marcado para 9h, e os atletas foram para o campo apenas 11h, depois de atividades físicas na academia.

O almoço começou às 13h30. Religiosamente. Depois disso, o treinador ainda exibiu um vídeo, chamado por ele de "treino de sala". Apenas 14h30 o elenco foi liberado. Resta saber se tudo será mantido com a retomada dos jogos do calendário brasileiro, a partir da próxima semana.

Jorge Jesus permanece ainda mais tempo do que o restante do elenco. Chega bem cedo e se reúne com sua comissão antes e depois dos treinos, para analisar as imagens das atividades captadas por um drone.

Quando o treino é dois períodos, o que vem acontecendo com frequência durante a Inter temporada, jogadores costumam deixar o CT um pouco antes das 19h. Passam, de fato, o dia todo no Ninho do Urubu.

Jeito duro de cobrar e boa aceitação
O técnico não é de medir as palavras e nem o tom de voz. É duro na hora de cobrar, o que em sua trajetória em alguns momentos criou alguns problemas de relacionamento. Seu auxiliar João de Deus tem estilo semelhante de ser enérgico.

Por todos motivos citados acima, não seria estranho encontrar rejeição dentro do elenco aos métodos do português. Mas apesar do choque de realidade, os relatos são positivos e a aceitação tem sido boa, pelo menos em um primeiro momento.

Os jogadores entendem como diferente, mas não estão vendo como problema. Há relatos que que a vida social foi reduzida, em um primeiro momento. Cinema com as esposas, jantares com familiares e amigos têm sido raros nas últimas semanas. A maioria prefere descansar e se recuperar em casa. Há, no entanto, a expectativa de como será a rotina de treinos quando começar a maratona de jogos.

- O Jorge traz essa exigência e a busca pela excelência. Nem sempre é confortável, requer muita dedicação, mas o resultado geralmente é muito prazeroso. Particularmente, gosto dessa exigência, precisa ser assim. Quando o Jorge chegou, questionaram qual seria a atitude dos jogadores - comentou Diego.

É bom que fique em claro que essa equipe nunca teve problema em trabalhar e nunca vai ter. Quando chega um treinador, o mínimo que vamos é ter respeito. Temos a consciência que é um treinador que vamos abraçar e comprar a ideia. Estamos aqui para vencer e sabemos da oportunidade que temos. Estamos muito motivados, em alguns momentos muito cansados, mas é assim que tem que ser – completou o capitão do Flamengo.

Com Jorge Jesus, todos os jogadores precisam começar a almoçar juntos.

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