Jorge Jesus não faz milagres, mas iniciou mudança no estilo do Fla

ENTRE AS CANETAS: Por Ricardo Gonzalez

Talvez os flamenguistas mais otimistas, quase uma redundância, imaginassem que diante do Athletico-PR o técnico Jorge Jesus transformasse o time numa máquina, que em alguns dias de trabalho o português tivesse ganho os três pontos dos paranaenses de véspera. Para esses, talvez o 1 a 1, com os sustos que o time carioca passou, tenha até decepcionado. Mas quem analisar fria e conscientemente verá que, no longo caminho para colocar um time com o tamanho do Flamengo num caminho consistente rumo a conquistas, é preciso dar um passo de cada vez. Mas é preciso dar o tal passo à vera. E Jesus deu. O primeiro. De cara.

O treinador foi humilde para começar seu primeiro jogo no novo clube (novo país, nova cultura...) com a formação que vinha sendo usada: a clássica parelha de volantes, parelha de volantes, um homem de lado pela esquerda, outro pela direita. E toda essa "segurança" não levava a lugar algum, o Athletico fez o habitual na Arena: se impôs, sufocou, atacou, e poderia ter terminado o primeiro tempo em vantagem.


O time de Tiago Nunes é muito bem montado, e os jogadores respondem intensamente porque acreditam no trabalho. Mas se aproveitam muito do excessivo respeito dos rivais. Respeita-se a pressão da Arena, respeita-se o gramado sintético, respeita-se a confiança dos anfitriões... Tudo isso apequena, salvo uma ou outra exceção, os adversários.

O tal primeiro passo começou a ser dado no vestiário, quando certamente o treinador exigiu que o Flamengo colocasse em prática o que já foi treinado. Mas antes de isso acontecer, o Athletico fez 1 a 0, o que deixou mais dúvidas sobre se já seria possível sentir o dedo do português na estreia. Tenho poucas dúvidas de que se o Flamengo fosse comandado por um treinador "convencional", a tal inhaca carioca em Curitiba - algo que, de verdade, só existe nas enciclopédias - entraria em campo e o time não apenas perderia o jogo como poderia ser goleada.

Só que Jesus não precisou nem se apressar muito. Aos 18, deixou em campo só um volante - e não era o incansável Cuellar, mas sim o, até esse jogo, indolente Arão. Poucos brasileiros fariam isso, mas como diz o ditado motivacional, Jesus não sabia que era impossível, então foi lá e fez. Tirou também Vitinho, que está longe da intensidade que o novo Flamengo vai exigir. Então, diante do intransponível Furacão, o Flamengo ousou pisar fundo no acelerador com Diego, Everton Ribeiro, Bruno Henrique, Arrascaeta e Gabigol. E Arão marcando sozinho os contra-ataques não menos intensos.

Bastou mais um minuto e o Flamengo empatou. Depois disso, foram cerca de 15 minutos absolutamente intensos, ataque de um, ataque de outro, mas diferentemente do habitual, não era mais só o Furacão quem podia ganhar. E o que mais me chamou a atenção: o Athletico atacou, sim, podia ter feito o segundo, sim. Mas Diego Alves não precisou fazer os milagres dos tempos dos técnicos brasileiros. A zaga estava bem postada, segura. Arão, inacreditavelmente, conseguia recuperar bolas ou, ao menos, dar a cara para bater primeiro, para que a bola chegasse mais simples para os zagueiros rebaterem. Essa rara intensidade de marcação de Arão foi vista literalmente até os últimos segundos de jogo.

Não dá para garantir que os jogadores vão comprar as ideias de Jesus por muito tempo - até pelo rigor intransigente do comandante quanto a responsabilidade e postura profissional. Não dá para garantir que o melhor nível do time chegue na rapidez que o calendário exige. Mas, pelo primeiro passo, é fácil de projetar que Jorge Jesus pode entrar para a seleta galeria dos técnicos à frente dos quais vamos poder usas a expressão "antes e depois de".

Bastou mais um minuto e o Flamengo empatou. Depois disso, foram cerca de 15 minutos absolutamente intensos, ataque de um, ataque de outro.

Postar um comentário

[facebook]

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget