Jorge Jesus pode fazer bem ao Flamengo e ao futebol brasileiro

COSME RIMOLI: A grande expectativa para a quarta-feira que marcava o futebol nacional, depois da Copa América, estava na arena da Baixada.

Era a estreia do treinador português Jorge Jesus no Flamengo.

Contra o Athletico Paranaense, um adversário que costuma ser dos piores para o clube carioca, ainda mais no gramado artificial da gelada Curitiba.

Carismático, polêmico, criativo, ousado e, por vezes, confuso, tantas são suas ideias durante um jogo, o português mostrava pela primeira vez a sua versão do clube mais popular do Brasil.

E sua estreia justificou a expectativa.

No primeiro jogo das quartas da Copa do Brasil.

Jorge Jesus, do Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
Não houve nada da mesmice tática que o país se acostumou. Nada de zona de conforto. Até pelo contrário. O Flamengo fez uma partida de alto risco.

A começar pela defesa alta, que tanto Jorge Jesus gosta e que marcou seus trabalhos no Velho Continente. Os defensores ficam da intermediária para a frente, com a intenção de compactar o time, ter mais a posse de bola, ir em bloco pressionando o adversário.

Foi muito interessante assistir à esta movimentação de Rodinei, Léo Duarte, Rodrigo Caio e Renê.

Mas o ótimo Tiago Nunes sabia que isso aconteceria. E tratou de preparar sua equipe para usar e abusar das bolas longas, nas costas da zaga. O que complicou muito o jogo do Flamengo, principalmente no primeiro tempo.

A ponto de provocar um erro crucial da arbitragem.

Aos dez minutos, Márcio Azevedo lançou Marcelo Cirino, por cima da defesa alta de Jorge Jesus. Ele chegaria na bola. Diego Alves percebeu e se antecipou.

E tratou de segurar a bola fora da área. É um lance clássico que a Fifa recomenda a expulsão do goleiro.  Mesmo sem o VAR foi perceptível. Fica incompreensível porque os árbitros de vídeo em Curitiba não chamaram Anderson Daronco para rever o lance.

A expulsão mudaria o desenho tático da partida.

O Flamengo foi beneficiado porque ficaria com atleta a menos, se a lei fosse cumprida.

O jogo seguiu.

E foi nítida a função de Vitinho, pela direita, e Arrascaeta, pela esquerda. Os dois tinham de acompanhar os laterais do Athletico. E como segunda função atacar.

O time carioca chegava a marcar com seis jogadores.

Só que havia a falha da sobra, algumas vezes, o sistema defensivo ficava em linha.

Cuellar e Willian Arão também tinham de se desdobrar. Marcando e saindo em velocidade da defesa para o ataque.

Gabriel e Bruno Henrique acabaram isolados, mas jamais parados. Trocando de posição, buscando a bola na intermediária, participando do jogo.

Mas na primeira etapa, o Athletico foi muito melhor. Se aproveitou do seu caldeirão e foi mais forte, atacando em altíssima velocidade e em bloco. Criou perigo constante para o Flamengo.

Jorge Jesus fazia seu time tentar jogar mais adiantado, para tentar acabar com o sufoco paranaense.

Só que aos quatro minutos, Nikão cobrou escanteio, Arão tentou desviar e acabou ajeitando para o toque fatal de Léo Pereira. 1 a 0, Athletico.

Mesmo perdendo, o português tentou manter o mesmo esquema. O que facilitou as coisas para o adversário que seguiu forçando, usando a velocidade, as bolas longas em diagonais.

Jorge Jesus reagiu muito bem. Tratou de tirar os improdutivos Cuellar e Vitinho. Colocou Everton Ribeiro e Diego.

O Flamengo ganhou o meio de campo, com trocas de passe, controle da bola.

A mudança de proposta de jogo foi inesperada. Era outra maneira de atuar.

O time mostrava ousadia fora de casa, situação tão cobrada com Abel Braga.

E em um minuto depois, empatou.

Mérito de Gabigo, que recebeu lateral de Renê, virou o corpo, ganhou de Léo Pereira, e tocou, com sabedoria, na saída de Santos. 1 a 1.

A partir, daí, o Flamengo segui buscando a virada. O Atlhetico comprou o duelo, atacando com muita objetividade.

Teve gols corretamente anulados, um pênalti marcado que, depois de sete minutos, o VAR obrigou Daronco a voltar atrás.

E Rodrigo Caio ainda salvou uma bola em cima da linha.

No final, o empate.

Teoricamente, resultado muito bom para o Flamengo, que decidirá sua vaga na Rio de Janeiro.

"Não saio satisfeito com o empate, mas na primeira parte da eliminatória é um resultado que serve mais ao Flamengo.

"Viemos com uma ideia de jogo para poder disputar aqui e ganhar. Adotamos um sistema de jogo com muita autoridade", disse Jorge Jesus.

O que se viu no Flamengo foi animador.

O técnico europeu busca novas soluções táticas para o milionário elenco. Obriga o time a ter duas formas distintas de jogar.

Atletas com duplas funções.

Isso é importante.

O time mostrou muita intensidade.

Mas há falhas defensivas graves.

De maneira geral, a estreia foi auspiciosa.

Ainda mais diante de um grande adversário.

Jorge Jesus, ainda no seu primeiro jogo, demonstrou porque é tão importante o intercâmbio.

O futebol deste país precisa de novas ideias, estratégias.

O português pode fazer bem ao Flamengo.

Para o futebol brasileiro...

Jorge Jesus, ainda no seu primeiro jogo, demonstrou porque é tão importante o intercâmbio.

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