Nas receitas, Flamengo se aproxima do padrão Benfica

O GLOBO: Adalberto Leister Filho

Palmeiras e Flamengo se destacam ainda mais em relação aos outros clubes brasileiros na arrecadação durante a temporada passada e se aproximam do faturamento de um clube como o Benfica, atual campeão português.

Esse é um dos dados obtidos pelo estudo “Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol”, feito pelo Itaú BBA.

No ano passado, o Palmeiras liderou o faturamento entre os 27 principais clubes brasileiros, com arrecadação total de R$ 654 milhões. Já o Flamengo, que liderou o futebol nacional em 2017, obteve R$ 536 milhões para ficar na segunda posição.

Se compararmos com a situação dos 30 principais clubes europeus, o Palmeiras ocupa a 30ª posição, desbancando o Benfica. Usando como base a moeda da União Europeia, o Alviverde arrecadou € 156 milhões, ou € 5 milhões a mais do que o atual campeão português. Já o Flamengo estaria um pouco atrás, com faturamento de € 128 milhões.

— O Palmeiras, no ano passado, tem receita em euros superior a de clubes como Benfica, Zenit (Rússia) e Crystal Palace (Inglaterra). Esses clubes não têm tanta capacidade de gerar receitas — afirma César Grafietti, consultor do Itaú BBA.


Mercado da bola

Um dado importante para a competitividade do dois gigantes financeiros brasileiros em relação aos europeus é a arrecadação com venda de jogadores. No ano passado, o Palmeiras obteve R$ 170 milhões com a negociação de jogadores como Keno, Roger Guedes e Tchê Tchê.

Já o Flamengo obteve apenas R$ 57 milhões com vendas em 2018. Nesse montante não está contabilizada a negociação de Paquetá com o Milan, pela qual recebeu € 25 milhões (R$ 105 milhões no câmbio atual), que entra no balanço de 2019.

Quando contabilizadas as receitas recorrentes, ou seja, descontadas as vendas de atletas, o Flamengo se aproxima bastante do Palmeiras no faturamento. O Rubro-Negro, mesmo sem ter conquistado título no ano passado, arrecadou R$ 479 milhões, apenas R$ 5 milhões a menos do que o Palmeiras.

— Os clubes deveriam olhar mais as receitas recorrentes, já que a venda de atletas é mais inconstante. Quando olho esse total, Flamengo e Palmeiras estão bem próximos e se descolam dos demais clubes — afirma Grafietti.

De fato, o São Paulo, terceiro colocado na lista, faturou apenas R$ 310 milhões em receitas recorrentes, ou 35% a menos que Flamengo e 36% atrás do Palmeiras.

— A discussão que se tinha no passado era da espanholização do Campeonato Brasileiro por causa dos direitos de TV. A gente observa que ela chegou, mas por outras origens. Flamengo e Palmeiras mostram capacidade de aumentar sua base de receitas, com menor dependência dos direitos de transmissão — analisa o consultor do Itaú BBA.

Flamengo e Palmeiras desfazem mitos

O Flamengo é mais dependente dos direitos de TV. O clube carioca obteve R$ 22 milhões desse setor, que responde por 41% da arrecadação do clube em 2018. É a mesma porcentagem dos rivais cariocas Vasco e Fluminense (também 41%) e inferior à do Botafogo (52%).

Já o Palmeiras tem arrecadação mais diversificada e, ao contrário do que diz o senso comum, é cada vez menos dependente do dinheiro da patrocinadora Crefisa.

Em publicidade total (contando todos os patrocinadores), o clube conseguiu R$ 100 milhões ao longo de 2018. Isso representa apenas 15,3% do faturamento total do Palmeiras. Mesmo se descontarmos os bons números obtidos com venda de atletas, ainda assim, a Crefisa e demais patrocinadores irão representar apenas 20,6% da arrecadação.

— Houve grande aporte de dinheiro da Crefisa para formar o elenco atual. Mas esse número estancou. Se precisar, hoje o Palmeiras tem atletas no elenco que cobrem três vezes a dívida com a patrocinadora por contratação de jogadores — analisa Grafietti.

— Se a Crefisa sair e entrar outro patrocinador, não acredito que vá ser um grande problema. O Palmeiras hoje é um clube sólido, que já conseguiu outras fontes de receita.

Nos últimos anos cresceu a rivalidade entre os dois gigantes financeiros do futebol brasileiro, com acusações mútuas. O palmeirense diz que o Flamengo é beneficiado pelas cotas de TV. Já os rubro-negros acusam o Alviverde de receber valores de patrocínio fora da realidade brasileira.

— Olha, não é uma coisa nem outra. No fundo, Flamengo e Palmeiras têm o benefício de boas gestões — conclui Grafietti.

O Flamengo, que liderou o futebol nacional em 2017, obteve R$ 536 milhões para ficar na segunda posição.

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