Por que Trauco serve para o Peru, mas não para o Flamengo?

O GLOBO: Por Carlos Eduardo Mansur

Bastou o Peru chegar à final da Copa América para que algumas questões pipocassem. A principal delas: se foi titular de um time que bateu o Uruguai com uma proposta defensiva, e depois venceu o Chile pressionando no campo ofensivo, por que Miguel Trauco não consegue ser titular do Flamengo?

O diagnóstico de que é um jogador transformado na seleção peruana não é totalmente correto. No futebol, salvo alguns fenômenos, as individualidades dependem do contexto coletivo e interagem com ele. Trauco é um caso claro de jogador submetido a contextos distintos no clube e na seleção.

Alguns traços se mantêm. É perceptível, seja na Peru ou no Flamengo, a qualidade técnica. E também a boa capacidade ofensiva, atacando por fora ou, principalmente, pelo centro, buscando dar passes em profundidade. Mas as semelhanças terminam aí.

Trauco na Seleção peruana - Foto: Divulgação
São frequentes os jogos em que o Peru se defende mais atrás para apostar em transições rápidas. E passa um período maior do jogo compactado atrás. O que, naturalmente, protege o lateral-esquerdo. Quando apoia, também encontra um sistema que o sustenta.

Ao contrário do Flamengo, o Peru joga um 4-2-3-1 com dois volantes de bom vigor. E o que joga mais pela esquerda, Yotún, é lateral de origem — atuou na posição pelo Vasco, por exemplo. Quando Trauco apoia, seja pela lateral ou por um corredor mais central, Yotún faz uma vigilância às suas costas. A semifinal da Copa América com o Chile deixou claro tal comportamento.

O mesmo jogo mostrou que, quando a seleção peruana aceitou mais a pressão rival e defendeu perto de sua área, Trauco tinha a constante proteção dos pontas. Primeiro com Carrillo ou Flores, depois com Christofer Gonzales, que entrou na segunda etapa.

Time compacto
Neste período do jogo, foi possível ver o Peru quase com uma linha de seis defensores: Advíncula e Trauco, os dois laterais, formavam com os zagueiros centrais uma linha de quatro homens bem fechada, ou seja, bloqueando mais o interior da área. Raramente Trauco se via isolado num duelo individual com um atacante chileno.

Com um time compacto, Trauco participa também dos momentos em que o time tenta pressionar no campo ofensivo, posicionando-se por trás da linha de meias para manter o time agrupado.

Mas nada disso significa que o lateral rubro-negro se transforma num grande marcador somente por estar com a camisa peruana. O que, inclusive, pode gerar algumas oportunidades para o Brasil hoje. Se as escalações recentes forem mantidas, ele terá pela frente Gabriel Jesus e Daniel Alves.

A agressividade de Jesus, caso a seleção de Tite consiga isolá-lo num confronto com Trauco, pode permitir o 9 ganhar profundidade e aparecer às costas do lateral. Ou mesmo seu movimento de buscar a área pode arrastar Trauco para o meio e abrir o corredor.

No jogo com o Chile, durante o primeiro tempo, Fuenzalida conseguiu fazer isso algumas vezes: Trauco saiu a persegui-lo e Isla criou a melhor chance dos chilenos, quando estes já perdiam por 1 a 0.

Mais tarde, Ricardo Gareca parece ter corrigido a estratégia e Trauco passou a guardar mais posição, defendendo sua zona. E o fez bem, com bom posicionamento

Alguns traços se mantêm. É perceptível, seja na Peru ou no Flamengo, a qualidade técnica.

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