Fla prova que é possível gastar muito, mas com responsabilidade

UOL: Os principais clubes do Brasil tentam se adequar ao mercado. Para conseguir competir com rivais e contratar jogadores de renome é preciso investir pesado. Assim, salários na casa de R$ 1 milhão têm se tornado comuns. Mas essas altas cifras estão dentro da realidade do país? Quais impactos os clubes podem sofrer diante de tanto dinheiro gasto e da dificuldade de gerar receitas?

Quando dirigentes comentam essas negociações suntuosas, como foi recentemente a de Daniel Alves no São Paulo, passam a sensação de que gastar mais de R$ 1 milhão por mês para bancar um jogador é algo natural, simples. Mas o que esse valor representa na vida real? É mais uma das perguntas que o UOL Esporte tenta responder.

Um comparativo: segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), em 2017, uma franquia do conhecido mercado "Dia%" faturava por mês, em média, R$ 891 mil. Ou seja, um comércio com alto fluxo de venda de produtos não cruzava a linha do milhão em faturamento. E ainda seria preciso pensar em todos os gastos mensais para saber o quanto o dono dessa franquia costumava ter de lucro.

Jogadores do Flamengo e Jorge Jesus - Foto: Alexandre Vidal
No futebol brasileiro, há clubes que se estruturaram a ponto de conseguir, de fato, tornar "banal" um salário tão alto assim. Flamengo e Palmeiras dão provas de que é possível gastar muito, mas com responsabilidade e retorno financeiro. É por isso que, pelo menos a curto prazo, será cada vez mais normal ver estrelas como Gabigol atuando no país e outras, como Dudu, aceitando atuar no mercado interno mesmo diante do assédio estrangeiro.

Fred, no Cruzeiro, Hernanes, no São Paulo, Diego Tardelli, no Grêmio, e Ramires, no Palmeiras, se juntam ao "time do milhão". Nomes como os do cruzeirense Pedro Rocha e dos rubro-negros Vitinho, Filipe Luis e Rafinha chegam bem perto aos sete dígitos nos vencimentos.

Flamengo e Palmeiras dão passos seguros, conta especialista

Flamengo e Palmeiras são donos das maiores arrecadações e folhas de pagamento do futebol brasileiro e investiram pesado em contratações em 2019. O clube carioca comprou Rodrigo Caio (São Paulo), Arrascaeta (Cruzeiro), Bruno Henrique (Santos) e Gerson (Roma), enquanto os paulistas desembolsaram valores importantes por Carlos Eduardo (Pyramids), Matheus Fernandes (Botafogo), Zé Rafael (Bahia), Vitor Hugo (Fiorentina) e Luiz Adriano (Spartak Moscou).

Embora as cifras dos dois clubes sejam elevadas, tanto em relação às contratações, quanto aos salários, existe uma segurança para isso acontecer. Hoje, os dois clubes se sobressaem no futebol brasileiro e impõem um "abismo financeiro" diante dos grandes rivais. Os palmeirenses tiveram receita recorde em 2018: R$ 654 milhões, contra R$ 536 milhões dos rubro-negros - o terceiro colocado, o São Paulo, atingiu "apenas" R$ 399 milhões.

O fôlego financeiro dos rivais foi conquistado de formas distintas. O Palmeiras "virou a chave" a partir de 2015, com dois acontecimentos praticamente simultâneos: a abertura do Allianz Parque, em novembro de 2014, que ajudou a potencializar as receitas de bilheteria e sócio-torcedor, e o acerto com a Crefisa, patrocinadora sólida do clube. No Flamengo, a virada se deu no começo de 2013, na gestão de Eduardo Bandeira de Mello, marcada pela política de austeridade financeira do clube. Nesse período, os rubro-negros conseguiram reduzir a dívida e ainda aumentar receitas, como a de direitos de TV.

“O movimento que foi feito foi dentro de um respeito ao orçamento. Eles tinham essa folga, pois 2018 ajudou nisso, a fazer esses tipos de contratações com salários elevados” - Cesar Grafietti, Consultor financeiro, responsável pela Análise Econômico-Finaceira dos Clubes Brasileiros de Futebol, do Itaú BBA.

De onde vem o dinheiro?
Veja como os clubes mais ricos do país compõem as receitas, segundo balanços financeiros referentes a 2018

Palmeiras
No ano passado, o Palmeiras arrecadou R$ 654 milhões. A maior parcela desse valor veio da venda de jogadores (R$ 180 milhões), com as receitas de bilheteria e sócio-torcedor logo atrás (R$ 160 milhões). Ao contrário do que a maioria pensa, o patrocínio da Crefisa foi apenas a quarta maior fonte de renda do clube, com R$ 100 milhões arrecadados, abaixo do que foi recebido em direitos de TV (R$ 137 milhões). O pacote é fechado ainda por R$ 51 milhões do clube social e mais R$ 36 milhões de outras fontes.

Flamengo
O Flamengo, também em 2018, arrecadou R$ 536 milhões, com grande destaque para a receita de direitos de TV. Foram recebidos R$ 222 milhões, o que representa mais de 41% do faturamento total. A segunda melhor fonte de renda vem de bilheteria e programa de sócio-torcedor, totalizando R$ 93 milhões. Um pouco abaixo, com R$ 90 milhões, aparecem os investimentos dos patrocinadores. A venda de jogadores gerou R$ 57 milhões, já o clube social levantou R$ 52 milhões. Ainda houve R$ 22 milhões arrecadados de outras fontes.

Os outros clubes precisam ser criativos
Mas e no caso dos outros clubes que fizeram contratações com salários tão altos e não são enquadrados como seguros financeiramente?

De acordo com especialistas, São Paulo, Grêmio e Cruzeiro precisam gerar novas receitas ou terão de potencializar as que já fazem parte da realidade. Os salários atingiram um patamar que exigirá alternativas. "As receitas tímidas com sócio-torcedor mostram aos clubes um potencial inexplorado, que é a receita direta do torcedor. Outro caminho são os direitos de transmissão em reinvenção. Os clubes têm que aproveitar a chance de falar diretamente com o torcedor", aponta João Henrique Areias, ex-diretor de marketing do Flamengo e do Clube dos 13, hoje professor e consultor de marketing esportivo.

“O core business (parte central do negócio) do futebol é a torcida. Você agrada e aumenta sua torcida com títulos e ídolos. Então, sem dúvida, é importante contratar uma grande estrela: ela aumenta sua clientela” - João Henrique Areias.

O São Paulo, que agora tem o jogador com salários mais elevados do futebol brasileiro, busca uma solução já usada por outras equipes no passado. A ideia é que a imagem do atleta possa ser utilizada em publicidade. Assim, as empresas parceiras ficam responsáveis por pagar parte do salário de Daniel Alves - até um terço do valor. O problema é que o São Paulo, há pouco mais de um mês, chamou a atenção no noticiário por causa de atrasos no pagamento de direitos de imagens dos jogadores. Ou seja: ou novas receitas são geradas ou o endividamento será inevitável.

Flamengo e Palmeiras dão provas de que é possível gastar muito, mas com responsabilidade e retorno financeiro.

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