Flamengo agradece Zé pelos serviços prestados diante do Santos

O GLOBO: Por Igor Siqueira

Você já deve ter lido a seguinte frase em várias notas oficiais de clubes nas demissões de treinador: “O Flamengo agradece os serviços prestados e deseja sucesso aos profissionais em suas carreiras”. Foi com ela que o rubro-negro encerrou a nota publicada em 6 de agosto de 2017, anunciando a saída de Zé Ricardo e sua comissão técnica. Mas o texto não poderia ser mais atual, já que foi o empate do Fortaleza, comandado pelo mesmo Zé, que propiciou ao Fla a chance (aproveitada) de assumir a liderança do Brasileirão.

Os bons resultados nos times anteriores de Zé Ricardo não foram tão prazerosos para o torcedor rubro-negro, já que o técnico continuou a carreira nos rivais Vasco e Botafogo.

Foto: Divulgação
Quando foi demitido, após perder na Arena da Ilha para o Vitória, Zé Ricardo deixou o Flamengo em sexto — lugar no qual o time encerrou a edição daquele 2017, conquistando ao menos a vaga na Libertadores. Foi mais uma campanha digna de “cheirinho”.

A realidade com a qual o técnico lida hoje é bem diferente. Zé Ricardo herdou um trabalho até bem estruturado de Rogério Ceni, em um time que retornou este ano à elite do Brasileirão. A meta é não cair de novo. Nesse contexto, empatar fora de casa com o Santos, então líder, é algo digno de muita comemoração. Sobretudo pelo enredo do jogo, que acabou 3 a 3. O Flamengo comemorou junto.

Saiu das cinzas
Quem viu o primeiro tempo imaginaria mais um atropelamento do time de Jorge Sampaoli. Trocas de passes dinâmicas, saídas em velocidade explorando espaços e uma segurança que representava a posição ocupada na tabela. Soberania total desde o início — Marinho (aquele do “Sabia não”) balançou as redes com menos de dois minutos. Rolou até um beijo na mulher durante a comemoração.

Zé Ricardo viu a situação piorar quando o Santos ampliou graças a um golaço de um ex-jogador do Flamengo, que foi titular com o próprio treinador. O lateral-esquerdo Jorge encaixou um chute com rara felicidade, justificando o momento que lhe rendeu a convocação à seleção brasileira.

Com 31 minutos, o 3 a 0 foi desenhado, com o auxílio do VAR, já que a arbitragem inicialmente anulou o gol de Eduardo Sasha.

Zé Ricardo usou o intervalo para rearrumar o Fortaleza e dar uma injeção de ânimo. A pressão por causar um bom efeito no time já era grande diante da frustrante estreia contra o Internacional: derrota em casa por 1 a 0.

O segundo tempo ainda teve alguns minutos com o mesmo enredo do primeiro, mas o Fortaleza entendeu que precisava fechar mais espaços e, ao mesmo tempo, mostrar mais coragem.

Wellington Paulista teve papel fundamental para fazer com que Zé Ricardo pudesse comemorar ao fim do jogo. Foi o atacante quem converteu o pênalti do 3 a 1, diminuiu ainda mais o placar para 3 a 2 e participou indiretamente do 3 a 3. O empate veio lá nos 50 minutos do segundo tempo, com o lateral-direito Tinga aparecendo para finalizar na área.

Além do lado anímico, uma virtude de Zé Ricardo na Vila Belmiro foi recorrer a um sistema com o qual o Fortaleza funcionava bem nos tempos de Rogério Ceni: praticamente um 4-2-4, explorando a velocidade pelas pontas. Depois do jogo, Zé, inclusive, valorizou o legado do antecessor.

Fator carioca
A reação em Santos tem potencial para alicerçar Zé Ricardo no cargo. Detalhe é que a contratação dele pelo time cearense tem componente geográfico. O presidente Marcelo Paz disse que é interessante contar com um treinador que conhece o futebol carioca, já que irá duelar contra os times do Rio no Brasileiro, em referência à briga para não cair.

O empate que parecia impossível ao Fortaleza foi o principal resultado em uma rodada perfeita para o Flamengo. A contrapartida para a torcida do tricolor cearense foi a vitória rubro-negra horas depois, por 3 a 0, em pleno Castelão, sobre o rival Ceará.

Para completar o cenário perfeito para a liderança do Fla, o São Paulo ainda perdeu para o Vasco e viu ruir a sequência de vitórias que chegou a colocá-lo com o mesmo número de pontos que o time de Jesus. O Palmeiras folgou e não foi preocupação.

Olhando para o Santos, ficou explícito um relaxamento que não condiz com a sequência recente do time de Sampaoli. Antes do empate de ontem, foram duas derrotas (para São Paulo e Cruzeiro). A gordura foi para o ralo: em nove pontos disputados, só um conquistado.

Após a façanha na Vila Belmiro, Zé Ricardo se volta para a briga direta lá em baixo. Até o fim do turno, os adversários serão Goiás, Fluminense e Bahia. Nada mais que vá afetar a vida do Flamengo, por ora.

Dois anos após demitir Zé Ricardo, o rubro-negro abocanha a liderança em um momento crucial, sobretudo porque os próximos três jogos são contra Palmeiras, Avaí e o próprio Santos.

Compromissos pela Libertadores à parte, caberá ao próprio Flamengo mostrar rodada a rodada que a ajuda de Zé Ricardo não foi em vão. A caminhada é longa.

Quando foi demitido, após perder na Arena da Ilha para o Vitória, Zé Ricardo deixou o Flamengo em sexto.

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