Mansur: O Flamengo mais preparado dos últimos 35 anos

O GLOBO: Por Carlos Eduardo Mansur

Foram 35 anos e muitos desapontamentos desde a última fase semifinal de Libertadores da história do Flamengo. Em todos os tropeços desde então, talvez nunca o rubro-negro, como time e como clube, tenha se mostrado tão preparado para voltar a conquistar a América, algo que não consegue há 38 anos.

Esta sensação de time organizado, com altas doses de qualidade técnica e experiência para o padrão sul-americano atual, consciente para controlar uma partida em território adverso como o Beira-Rio cheio, tudo isso foi confirmado num primeiro tempo em que o time poderia ter definido o confronto.

No segundo, o Flamengo lembrou sua torcida que é um time de formação recente, que começou o jogo com oito reforços de 2019, quatro deles trazidos no segundo semestre, assim como o treinador. Tudo isso, junto com o crescimento do Internacional e variações de humor tão próprias de um jogo decisivo, talvez explique a perda de controle até Gabigol sacramentar o 1 a 1 e a classificação. O Flamengo ainda oscila, mas a fartura de seu elenco estrelado parece sempre prestes a decidir jogos. Uma imposição de hierarquia.

Time do Flamengo na Libertadores 2019 - Foto: Alexandre Vidal
Nos dias 2 e 23 de outubro, o Brasil e a América do Sul verão 180 minutos de Flamengo x Grêmio, duas equipes que privilegiam o futebol técnico e ofensivo.

Ao sair para o intervalo no Beira-Rio, o time do Flamengo poderia ter duas sensações. Uma delas, o orgulho por ter seguido a receita deste tipo de jogo: não se deixar pressionar, controlar a bola longe do próprio gol e, aproveitando os espaços deixados por um rival pressionado pela necessidade de atacar, criar as melhores chances.

Por outro lado, estas chances, em especial as duas que Gabigol perdeu, deixavam a incômoda sensação de que o Flamengo poderia ter encerrado ali a eliminatória. O domínio fora amplo.

Jorge Jesus decidira por um 4-2-3-1, com Gérson de segundo volante, no lugar de Willian Arão. Pela direita, jogava Arrascaeta, com Bruno Henrique na esquerda e Éverton Ribeiro de meia central, por trás de Gabigol. Sempre que tinha a bola, a proximidade de opções fazia o Flamengo acumular passes e ampliar a ansiedade colorada. Os movimentos de Bruno Henrique e Arrascaeta, deixando a ponta e se posicionando às costas dos meias rivais, geravam linhas de passe. As jogadas iniciavam nas laterais e terminavam pelo meio do ataque. Gabigol desperdiçou no segundo minuto um passe de Cuéllar e, aos 43, perdeu outro gol em passe de Bruno Henrique.

Internacional assusta
Sem a bola, a linha defensiva compactava o time e impedia um recuo excessivo. Com isso, a marcação sufocava os meias do rival. Tanto que Odair Helmann mexeu peças ainda na primeira etapa: tirou D’ Alessandro da meia e devolveu Patrick ao setor, buscando mais imposição.

Mas futebol é um jogo traiçoeiro e aquele Flamengo confortável não apareceria mais. Helmann trocou Sóbis por Nico López e, em seguida, o lateral Uendel pelo atacante Wellington Silva. Acumulou homens na frente e pressionou a saída de bola do Flamengo. Fez o estádio crescer e impediu o rubro-negro de construir à vontade.

O Internacional nunca foi um time com fluência em sua troca de passes, mas ocupava o campo e gerava volume até chegar ao gol numa bola parada, em cabeçada de Rodrigo Lindoso. Eram 16 minutos do segundo tempo, ainda, e o Flamengo flertou com o desastre, ainda que em jogadas isoladas, como um desvio de Pablo Marí.

Mas quando o colorado tirou um zagueiro e lançou Sarrafiorie, o golpe de ousadia se mostrou demasiado. Uma roubada de Arrascaeta achou Bruno Henrique com campo livre. O passe deu o gol a Gabriel, aos 39 minutos do segudo tempo. O 2019 rubro-negro ainda é candidato a um lugar na história.

O 2019 rubro-negro ainda é candidato a um lugar na história.

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