Maurício Prado critica entrevistas de Gabigol pelo Flamengo

RENATO MAURÍCIO PRADO: Por que em toda a entrevista que dá após jogos do Flamengo Gabigol se preocupa em dizer que está aproveitando seus últimos jogos pelo Rubro-negro? Últimos como? Seu empréstimo vai até o fim do ano e, além da Libertadores, o time tem ainda quatro rodadas do primeiro turno do Campeonato Brasileiro e todas as 19 do segundo!

É verdade que há, no contrato de cessão temporária, uma cláusula que permite à Inter de Milão vender o jogador a qualquer momento caso o clube italiano receba uma proposta que lhe agrade. Mas, ao menos até onde se sabe, nenhum interessado se manifestou efetivamente apesar da ótima fase do artilheiro.

Então, voltamos ao ponto de partida. Por que últimos jogos? E, principalmente, qual a razão de insistir nisso todas as vezes que um microfone lhe chega à boca?

Comemoração de Gabigol pelo Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
Conversei rapidamente por WhatsApp com o vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz, no momento em que ele estava embarcando da Europa para o Brasil no domingo à noite. Com a promessa de explicações mais detalhadas quando aqui chegar, o dirigente soltou uma frase enigmática a respeito dessa estranha história.

"Ele (Gabigol) está fazendo o jogo dele. Eu estou fazendo o do Flamengo".

Ora, depois do fracasso nas negociações por Balotelli (pessoalmente, acho que foi ótimo para o Mais Querido que o controvertido e problemático atacante tenha preferido o Brescia), o natural seria que o Flamengo tratasse o mais rapidamente possível de comprar Gabigol da Inter - sem a fortuna que seria despendida com o "Ballo", isso ficou financeiramente mais fácil.

Mas, afinal, que "jogos" distintos são esses que Braz diz que o craque e ele (pelo clube) estão fazendo? Faz parte deles outro tipo de declaração que o jogador já deu também, dizendo que gostaria de voltar à Europa para provar lá o seu valor?

A sensação que tenho é que tudo se resume à grana que o artilheiro pretende receber na saída da Inter, seja para um clube do exterior, seja para o Flamengo (ou até para outro clube daqui). E aí residiria a queda de braço entre o jogador e o dirigente.

Duelo no qual Marcos Braz precisa ter bem claro que uma eventual saída de Gabigol seria desastrosa para o time dirigido por Jorge Jesus. Basta ver a dificuldade para contratar o tal "nove" que o técnico português vive pedindo.

"Gelo no sangue" é a expressão que o outrora sanguíneo vice de futebol costuma repetir quando se refere à postura que vem adotando nas bem-sucedidas negociações recentes (Arrascaeta, Bruno Henrique, o próprio Gabigol, Rafinha e Filipe Luís).

Seja qual for a temperatura desse imbróglio, o que a maior torcida do país espera que o seu novo artilheiro e xodó esteja bem longe de estar fazendo os seus últimos jogos com a camisa rubro-negra.

Por que em toda a entrevista Gabigol se preocupa em dizer que está aproveitando seus últimos jogos pelo Rubro-negro?

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