O Flamengo mereceu passar

VIDA REAL: Por Maurício Saraiva

Fique à vontade quem quiser culpar um meia-atacante que, ao lado da área do adversário, tenta um drible, perde a bola, surge o contragolpe, o condutor leva a bola por mais de 80 metros pelo campo até passá-la ao autor do gol. Sarrafiore recém havia entrado no lugar de Cuesta para o Inter correr todos os riscos que evitou correr ao longo do primeiro tempo inteiro, o que enervou com razão a torcida no Beira-Rio. Não duvido que Sarrafiore tenha sido orientado mesmo a tentar o lance pessoal. Quando no campo ofensivo, acertar ou errar o drible é do jogo, muito diferente de tentar driblar na intermediária longe da zona de conclusão.

Então, percebi nas redes sociais a sede de sangue por culpados. Odair Hellmann apanhando bastante, Sarrafiore logo abaixo. Não serei eu a fazer este serviço, mas entendo que o treinador colorado poderia ter encarado de outra e melhor forma o início do jogo.

Rodrigo Caio e Guerrero em Internacional x Flamengo - Foto: Divulgação
Abrir a partida com Rafael Sobis em vez de Wellington Silva foi erro de Odair porque estava claro que esta formação não seria veloz nem contundente. O Flamengo de Jorge Jesus não marca a 20 metros do próprio gol. Troca golpes confiando na qualidade individual dos jogadores. O gol que o Inter foi tomar nos acréscimos era para ter saído antes dos 10 minutos do primeiro tempo, tanta a autoridade técnica do Flamengo fora de casa contra um Inter emasculado por falta de verticalidade.

Odair Hellmann também fez algo incompreensível na volta do intervalo. Conversou com os mesmos jogadores por 15 minutos montando uma estratégia para a segunda etapa. Com dois minutos, trocou Sobis por Nico López. Com sete minutos, Uendel por Wellington Silva. Por que não do intervalo? Rafael Sobis saiu e se recostou na placa de publicidade. Não parecia entender por que voltou do intervalo para jogar só dois minutos. Esquisito. Ainda assim, o Flamengo pagava o preço da intensidade e do desperdício do primeiro tempo e não repetia a performance.

O Inter não criava, mas pelo menos ocupava o campo do visitante como a torcida gostaria de ter visto acontecer desde o primeiro lance da partida. Foi na bola parada que Lindoso marcou o gol, mérito do trabalho da semana. Depois, o Flamengo se reassentou e o Inter, mesmo jogando no campo do Flamengo, não conseguia criar chance real contra Diego Alves. A troca de Cuesta por Sarrafiore foi daquelas que Odair nunca tinha feito antes, mas sinalizava à torcida o desejo de chegar ao segundo gol.

Então, chegamos ao episódio em que, tentando construir uma jogada de ataque, Sarrafiore perdeu a bola para Arrascaeta, que não a rifou e sim passou para Bruno Henrique. Lindoso tinha virado zagueiro, mas estava na área do Flamengo esperando cruzamento. O latifúndio percorrido em velocidade por Bruno Henrique era risco óbvio e inevitável a correr pelo anfitrião. Gabigol fez sem goleiro e a classificação flamenguista foi selada com absoluto merecimento. No conjunto da obra da jogo, o Flamengo poderia ter ido para o intervalo com 2x0 ou 3x0, tanta a roda que impôs no Inter. Como desperdiçou, deixou o jogo em aberto e só foi resolvê-lo nos acréscimos.

Odair Hellmann vai ganhar e perder em sua promissora carreira do seu jeito. E seu jeito é, prioritariamente, conservador. Quando tentou ousar, era tarde. Não creio que a direção deva sequer cogitar trocá-lo antes do fim da temporada. Há uma decisão de Copa do Brasil em perspectiva contra o Grêmio, mérito do treinador na condução do Inter até este estágio da competição.

O torcedor e a torcedora, magoados, xingaram muito nas redes sociais, amostragem não definitiva mas importante do que pensa quem vai a campo e vê futebol. O mais importante para o Inter agora é não desfocar do que ainda tem e tem muito logo adiante, confirmar a vaga contra o Cruzeiro e depois decidir a Copa do Brasil contra o Grêmio, mais provável, ou Athletico-PR. Se dentro do clube houver cobranças e turbulências fora da hora, o prejuízo pode ser maior do que só ser eliminado da Libertadores.

Odair Hellmann vai ganhar e perder em sua promissora carreira do seu jeito. E seu jeito é, prioritariamente, conservador.

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