Pai de Gerson revela seu trabalho e cuidado com o jogador do Fla

EXTRA GLOBO: Marcello Neves e Diogo Dantas

Na rua de um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, onde tem uma casa de dois andares, Marcão caminha de terno, com sapato italiano e óculos escuros. Ele orienta seu jardineiro sobre como quer a poda das plantas. O local está em reforma, pois Gerson acabou de se transferir para o Flamengo (ele chegou em julho), e seu pai e empresário aproveita para dar um banho de loja depois do fim da ponte aérea constante entre Rio de Janeiro e Roma, onde o meia jogava.

— Não confio em ninguém para fazer minhas coisas — diz, depois de sacar uma nota de R$ 100 e pagar ao funcionário, e mais uma de R$ 50, como agrado. Marcão então convida a reportagem do EXTRA a entrar em sua caminhonete e ir ao seu escritório, a cinco minutos a pé dali, e relata o prazer de voltar a morar na cidade, e no bairro, com a transferência do jogador ao clube do coração.

Marcão, pai de Gerson, do Flamengo - Foto: Divulgação
— Gosto do Recreio. Paro no posto 10, tomo meu gelinho. Tem que relaxar, se não eu infarto — brinca, antes de entrar na sala da empresa e logo se servir de café.

Aos 52 anos, Marcos Antonio da Silva, nascido em Nilópolis, na Baixada Fluminense, filho de gari e dona de casa, é pai de quatro filhos: Jessica, Jennifer, Geisi e Gerson, o caçula.

— O caçula que mudou a nossa vida — emociona-se o ex-segurança, segundo mais velho de nove irmãos, que virou o terror dos empresários ao agenciar Gérson mesmo sem ser agente Fifa registrado na CBF .

— Não sou pai mesadeiro — resume Marcão, que recebe comissão nas negociações envolvendo o filho.

— Minha mãe e meu pai sempre me ensinaram: “Filho, passe o que passar, nunca toque no que não é seu”. Esse foi meu crescimento — acrescenta.

Os ensinamentos no mundo da bola para tomar as rédeas da carreira do filho vieram de outro pai de jogador. Neymar Silva, carinhosamente chamado por Marcão de Ney “Fera”. Em conversa de seis horas na Espanha, o pai de Gérson conta que o principal conselho foi proteger o filho.

— Ele falou uma coisa: “Marcão, os empresários tem 10, 12, 13 jogadores... O cara que tem 13, se um der errado, ele ainda tem mais 12. O cara que tem 14, se um der errado, ele vai ter 13. Eu só tenho um, que é o meu filho, então tenho que cuidar dele como se estivesse cuidando de 13”. Aprendi isso — relata.

‘Me sequestraram em Xerém’

Desde então, Marcão assumiu de vez o comando dos negócios. Na negociação com o Flamengo, foi visto como importante para liberação da Roma, mas assustou os dirigentes pelo jeito um pouco imperativo.

A postura sempre foi essa. Quando Gerson despontava com 13 anos, Marcão conta que chegou a ser sequestrado e agredido pois não queria assinar a cessão de percentual de direitos a um empresário, não revelado.

— Eu estava conversando com o cidadão e ele me deu uma testada que eu sangrei como um porco, porque eu falei que não ia dar. Eles me sequestraram em Xerém, com arma, mas não dei — vibra, como quem ignora o ferimento ao proteger a cria.

No dia dos pais, Marcão dá um conselho a quem tem filho atleta.

— Os que os pais têm que fazer é, primeiramente, fechar com o filho. Na dificuldade, quando todo mundo dizer que ele não joga nada, cola com ele. Isso também deve ser feito em toda a vida.

Polêmica e sonho rubro-negro

O sorriso de Marcão dá lugar a lamentação quando o assunto é o Barcelona. A negociação que levaria o filho à Espanha, mas terminou na Itália, acabou de maneira pouco amistosa.

— Eles [Barcelona] queriam muito o Gerson, fizeram um compromisso de compra, só que um belo dia eu chego no Fluminense e o presidente [ Peter Siemsen] disse que a Roma fez uma proposta ‘espírita’. Eu falei: ‘Poxa, com contrato assinado e já definido tudo?’. Ele falou que o Fluminense estava zerado, os funcionários estavam sem receber. Eu pulei pro lado do presidente — conta.

Gerson acabou na Roma por R$ 60 milhões, sendo a maior venda da história do Fluminense, mas Marcão não escapou das críticas por parte do clube espanhol.

— Hoje estou mais experiente e talvez não faria isso — completou Marcão, que também viu Jorge Machado, empresário e ex-procurador de Gerson, entrar com uma ação na Justiça contra ele.

A repercussão negativa da vinda ao Flamengo junto aos torcedores do Fluminense também ilustra uma relação conturbada, que o pai de Gerson deixa claro que passou, mas é sincero sobre a escolha.

— Tenho duas propostas. Uma do Flamengo e outra do Fluminense. Tenho certeza que ele iria escolher o Flamengo. O Fluminense nos deu muita coisa, mas também demos ao Fluminense — afirma Marcão, lembrando lucro de quase R$ 1 milhão ao Tricolor pelo mecanismo de solidariedade.

—Toda vez que o Gerson é vendido, o Fluminense ganha o dele. Eles não podem me cobrar nada. Nós deixamos um legado no clube. Eles não podem falar nada se hoje o Gerson está jogando no clube que sempre teve vontade de jogar.

A repercussão negativa da vinda ao Flamengo junto aos torcedores do Fluminense também ilustra uma relação conturbada.

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