Enderson Moreira revela encanto de Jorge Jesus com o Brasileirão

ESPN: Na rodada em que o Flamengo derrotou o Ceará por 3 a 0, em Fortaleza, e assumiu a liderança do Campeonato Brasileiro, o técnico Jorge Jesus confidenciou a Enderson Moreira, treinador rival, seu sentimento em relação à competição.

"Depois do jogo, ficamos próximo da sala de imprensa. Eu tinha terminado a minha entrevista coletiva e ele estava chegando. Eu fui cumprimentá-lo e ele falou: 'As pessoas não tem ideia do que é esse campeonato'", relembrou Moreira.

"Foi uma festa maravilhosa das duas torcidas. Foi inesquecível para quem assistiu, independente de torcer para A, B ou C. Quem estava no Castelão ficou muito mexido. Não foi o jogo de uma equipe que atacou e outra que se defendeu. Foi uma equipe que atacou e que teve de se defender. Houve domínio do Flamengo em determinados momentos e também do Ceará em outros".

Foto: Divulgação
A recordação boa de Enderson Moreira é de um dia duro para o treinador e para o Ceará. Aquela derrota faz parte de uma sequência de três jogos do time sem triunfos no Brasileirão. Também perdeu para São Paulo e Athletico-PR.

Os resultados criaram uma enorme pressão nos jogadores do Vozão para o confronto diante do Corinthians, neste sábado, às 11h, em Itaquera, pela penúltima rodada do primeiro turno do Brasileirão.

Mas o treinador é do tipo que não se apega aos números para trabalhar com os jogadores. Nem se deixa pressionar pelos três jogos sem vencer nem se anima ao saber que o Ceará jamais perdeu em Itaquera (uma vitória e um empate).

"O que conta é o que a equipe está executando e uma sequência ruim em um campeonato tão difícil quanto o nosso faz parte. Todos passam por isso na competição", disse o técnico, que atendeu a equipe da ESPN, em um hotel em Guarulhos.

A partida contra o Corinthians será 11h, horário ainda incomum no futebol. É difícil, em um campeonato como o Brasileiro, com viagens longas, se adaptar para compromissos assim?

Enderson Moreira - É um horário muito crítico para a prática de qualquer esporte. Principalmente porque faz parte do horário de almoço. Mas são atletas profissionais e estão preparados para muito frio, muito calo,. A gente tem de se adaptar.

Como projeta o confronto com o Corinthians, que está invicto há 12 jogos?
Enderson Moreira - Por mais que o Carille tenha saído por um tempo, o Corinthians tem um trabalho duradouro. Conseguiram manter uma linha, com uma perspectiva muito bem definida. E a torcida entende bem o jogo do Corinthians. É uma equipe que te dá pouquíssimas oportunidades. Em determinados momentos do jogo, abdica da posse de bola. Sabe se defender bem, explorar os espaços do adversário e oferecer perigo quando está com a posse. É um jogo difícil. O Ceará sabe dessa dificuldade, mas nesse campeonato não tem como escolher. Você faz um jogo difícil e depois pega um mais difícil ainda. E o Corinthians, depois da Copa América, vem de uma sequência de bons resultados, boas atuações.

Ceará chegou a jogar bem contra o São Paulo, mas perdeu (0x1). Foi assim também em outros jogos deste campeonato. Por quê?
Enderson Moreira - Acho que a equipe do Ceará tem feito bons jogos. Até na derrota em casa para o Flamengo, que as pessoas enaltecem muito o resultado [0x3], a gente criou muitas situações, tivemos dois gols anulados, corretamente, tivemos uma bola tirada em cima da linha... Acho que temos desempenhado bem. Exceção feita a dois jogos: Athletico Paranaense, que é uma equipe que sabe jogar no próprio campo, e Vasco. Tirando esses dois jogos, o Ceará tem feito um ótimo campeonato em questão de desempenho, qualidade de jogo, mas os resultados não condizem com isso. Você precisa construir e terminar aquilo que construiu. A equipe marca pressão nos adversários, sobe a linha. Joga com jogo apoioado. Temos uma equipe caminhando para aquilo que eu acredito. Espero que, acima de tudo, a gente possa oferecer uma boa classificação.

Três jogos sem vencer aumenta o quanto a pressão no Ceará?
Enderson Moreira - Sempre tem pressão. Mas a imprensa.... eu sei que cada um tem uma cabeça diferente, mas a grande maiora [dos jornalistas] da imprensa fala contra a troca de treinadores, que não é benefico, critica quando acontece, mas enquanto não acontece hipervaloriza a sequência de resultados ruins. Todos passam. Ninguém vive o Campeonato Brasileiro sem enfrentar isso. Pegamos o São Paulo fora de casa. Tivemos um erro absurdo [pênalti não marcado]. Não foi normal. Você tem de fazer força para não enxergar. Só não achou que foi pênalti quem trabalhou efetivamente no jogo como árbitro e como VAR. A derrota é um resultado ruim, mas, vamos colocar a verdade, é um resultado normal.

Depois veio o Flamengo...
Enderson Moreira - Jogamos com o Flamengo, uma equipe que é difícil em casa e fora. Acho que fizemos um jogo para tentar algo. Se o Ceará consegue o empate na bola que ficou em cima da linha e eles tiraram, poderíamos ter feito outro jogo. Depois pegamos o Athletico Parananese, fora. Por mais que a gente tenha três resultados ruins, a tabela mostrou dificuldades momentâneas, como será esse jogo em Itaquera. Poucas equipes saem dali com bom resultado. A gente vai fazer o quarto jogo nessa série e dos quatro só o Flamengo, líder do campeonato, foi em casa. As pessoas olha para essas três derrotas seguidas e olham pouco para o que acho que importante, que é a produtividade, aquilo que a equipe tem executado. A gente começa a somatizar as derrotas e daqui a pouco o treinador é demitido sem uma boa avaliação daquilo que está sendo executado. Uma coisa é se o time está perdendo e não reage. Mas da forma como é avaliado não é bom para o futebol.

Depois do jogo no Morumbi, o espanhol Juanfran, estreante pelo São Paulo, disse aos jornalistas que tinha ficado impressionado com a atuação do Ceará e a dificuldade oferecida. Você sabia disso?
Enderson Moreira - Não sabia, mas não me surpreende. Tive uma conversa com o Jorge Jesus nesse sentido. Depois do jogo com o Flamengo, ficamos próximo da sala de imprensa. Eu tinha terminado a minha entrevista e ele estava chegando. Eu fui cumprimentá-lo e ele falou: 'As pessoas não tem ideia do que é esse campeonato'. Foi uma festa maravilhosa das duas torcidas. Foi inesquecível para quem assistiu, independente de torcer para A, B ou C. Quem estava no Castelão ficou muito mexido. Não foi o jogo de uma equipe que atacou e outra que se defendeu. Foi uma equipe que atacou e que teve de se defender. Houve domínio do Flamengo em determinados momentos e do Ceará em outros. Eu acho que a gente valoriza pouco isso. Temos um olhar para os campeonatos de fora --acompanho a liga inglesa e outras ligas--, e acho que a gente vê os grandes jogos que são muitos bons, mas tem outros que são sofridos. Quem defende muito essa linha que lá está tudo certo e aqui errado, precisa repensar um pouquinho na hora de assistir outros jogos. Se for pegar jogos aqui, por mais dificuldade técnicas que as equipes possam ter aqui, são jogos mais bem jogados em termos de ofensividade, de tentar jogar, de tentar chegar ao gol.

Não te preocupa a cobrança em cima de resultados, risco de demissão?
Enderson Moreira - Estou no futebol há muito tempo e não tenho essa expectativa que muitos têm de chegar em um time gigante. Eu tenho caminhado muito para participar de bons projetos. O que são bons projetos? São equipes bem organizadas, bem montadas, com infraestrutrura boa de trabalhar, com atletas de bom nível. Acho que tenho feito bons trabalhos e com um futebol interessante. Temos conseguido fazer coisas que são muito prazerosas para quem trabalha nessa área do futebol. Já passei por muita dificuldade e por isso falo com muita tranquilidade.

Já que estamos falando de números, o Ceará pode se gabar de algo incomum no futebol. Jamais perdeu em Itaquera. Tem um empate e uma vitória. Isso pode ser aproveitado?
Enderson Moreira - São situações diferentes, jogos e momentos diferentes. Ano passado eu enfrentei o Corinthians contra o Bahia. O Corinthians estava com o Osmar Loss e numa classificação intermediária. Chegamos a empatar, mas perdemos por 2 a 1, em dia que o Danilo fez dois gols, nos minutos finais. O Ceará venceu [em abril] com outro treinador [Lisca], outros titulares. Já fizemos sete mudanças no time titular. Estatisticamente é interessante esse tipo de números, mas não é determinante.

Jogamos com o Flamengo, uma equipe que é difícil em casa e fora. Acho que fizemos um jogo para tentar algo.

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