Flamengo e Santos se unem em campanha contra o suicídio

O DIA: Cada time tem as suas cores do coração. Mas, neste sábado, o amarelo vai unir os dois clubes que disputam a liderança do Campeonato Brasileiro no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Cada uma das 66 crianças que acompanharão os jogadores do Flamengo e do Santos durante o protocolo que antecede a partida entrará em campo segurando um girassol, flor que é o símbolo da campanha "Na Direção da Vida – Depressão Sem Tabu". A iniciativa faz parte do movimento mundial Setembro Amarelo, dedicado à prevenção do suicídio.

Após a reprodução do Hino Nacional, as flores serão entregues aos torcedores pelas crianças, que também vestirão camisetas estampadas com o nome da campanha e sua hashtag, #DepressaoSemTabu. Além disso, um vídeo com depoimentos reais de jovens que vivenciaram o problema também será exibido no telão, como forma de sensibilizar o público para essa causa e convidá-lo a conhecer os canais digitais da iniciativa, como o espaço digital www.depressaosemtabu.com.br, que reúne informações educativas sobre o tema e dicas de como ajudar alguém que apresente comportamentos de risco.

Foto: Divulgação
Depressão, suicídio e homens

Mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e os transtornos de humor, entre os quais a depressão se destaca, representam o diagnóstico mais frequente nesses casos¹. Estamos falando, portanto, de doenças que podem ser tratadas. Ou seja: o suicídio é evitável em grande parte dos casos. Mas, para isso, o primeiro passo é romper com o preconceito em torno da depressão, que muitas vezes é subestimada ou confundida com falta de força, preguiça ou ausência de fé.

Atualmente, o Brasil apresenta a maior prevalência de depressão da América Latina, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS): o problema afeta 5,8% da população², uma taxa superior à média global, que é de 4,4%. Isso significa que quase 12 milhões de brasileiros enfrentam a doença, o que equivale à população inteira de uma metrópole como São Paulo, por exemplo.

Os números elevados da depressão no País também acompanham a escalada do suicídio no território nacional. Enquanto o número de pessoas que tiram a própria vida diminui mundo afora³, o Brasil vai na contramão do cenário global. Por aqui, a taxa de suicídio entre os adolescentes de 10 a 19 anos, por exemplo, aumentou 24% entre os anos de 2006 e 2015, considerando os moradores das maiores cidades brasileiras.

O aumento de casos de suicídio entre os mais novos e a prevalência do problema no sexo masculino são pontos de atenção. Trata-se, hoje, da quarta maior causa de morte em jovens no País, segundo o Ministério da Saúde, e os homens representam as principais vítimas. Por isso, o engajamento de ídolos do futebol, um universo que recebe forte atenção do universo masculino no Brasil, é de extrema importância para a conscientização desse grande problema. Hoje, a cada 46 minutos, alguém põe fim à própria vida no Brasil.

A iniciativa faz parte do movimento mundial Setembro Amarelo, dedicado à prevenção do suicídio.

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