Jorge Jesus completa 100 dias ‘revolucionários’ no Flamengo

GOAL: Jorge Jesus foi anunciado como treinador do Flamengo no início de junho, mas comandou a primeira sessão de treinamentos apenas no final daquele mês. De lá para cá, já passaram 100 dias, completados justamente nesta sexta-feira (27), e a impressão é de que uma verdadeira revolução tomou conta dos corredores do CT Ninho do Urubu.

O aproveitamento de 74%, obtidos com 12 vitórias e quatro empates nos 18 jogos em que esteve à frente do clube, é o melhor na comparação com outros técnicos da história recente flamenguista. Mas a impressão é de que nem isso ajuda a explicar o impacto do português no comando da instituição mais popular do esporte brasileiro.

Desde a sua chegada, para ocupar a vaga de um contestadíssimo Abel Braga, o Flamengo conseguiu resultados históricos: voltou a uma semifinal de Libertadores da América após 35 anos, e alcançou a liderança incontestável no Brasileirão graças a uma sequência recorde de vitórias: já são oito seguidas, igualando o histórico Cruzeiro de 2003 e 2013, e superando inclusive as suas marcas obtidas nos Brasileirões de 1978, 1982 e 2015. Se conquistar mais três triunfos seguidos, o Rubro-Negro iguala o recorde do Guarani, que em 1978 emplacou 11 vitórias seguidas e desde então se orgulha de ser o detentor do recorde.

Jorge Jesus e Bruno Henrique no Flamengo - Foto: Paula Reis
Confiante em seu método de trabalho, Jorge Jesus primeiro procurou convencer seus novos comandados: se seguissem a sua cartilha, o resultado apareceria. Gabigol diminuiu o número de grandes chances desperdiçadas (passou a converter a gol 31,7% de todas suas finalizações na Série A, em comparação aos 22% sob o comando de Abel), e hoje é disparado o melhor atacante atuando no Brasil. Arrascaeta, Bruno Henrique e praticamente todo o elenco também evoluíram.

A ótica mais europeia também encaixou graças à chegada de atletas vindos do Velho Continente, como os casos dos laterais Rafinha e Filipe Luís, assim como a contratação do zagueiro espanhol Pablo Marí. A chegada dos três defensores ajuda, também, a explicar como a defesa rubro-negra passou a ter uma segurança que não era vista anteriormente. O famoso caso em que boas peças individuais, contratadas também graças à grande capacidade de investimento da instituição (por causa dos altos salários), acabam contribuindo para toda a estrutura. Não é só o treinador, embora o trabalho de JJ seja de fato impressionante.

Salto no desempenho
E isso é visto no desempenho de seu time. Especialmente a partir da goleada por 4 a 1 aplicada no Vasco, a impressão é que o Flamengo disputa um esporte diferente em relação aos 19 adversários presentes na disputa do Brasileirão. Números da Opta Sport, do certame de pontos corridos, ilustram muito bem esta evolução gigante no desempenho do time.


Não foi apenas a média de gols que cresceu, de 1,79 com Abel para 2,16 por jogo com Jesus. O Flamengo acerta mais passes em média, estufa mais as redes em suas finalizações e também está mais seguro defensivamente. É um pacote completo dentro dos fatores que ditam o poder de competitividade de uma equipe.

Não é novidade na história do Fla
Jorge Jesus insiste que precisa de títulos para coroar tudo o que está fazendo. Evidente que em um clube como Flamengo, que ainda tem o agravante da carência por grandes taças, isso é verdade. Mas não é exagero dizer que o português mudou a cara do clube. Talvez seja mais fácil dizer que JJ tenha aberto as portas rubro-negras à modernização do futebol no Século XXI. Se o Flamengo vai converter isso em troféus, é outra história, mas o desempenho está nítido para que todos vejam.

Trazer um estrangeiro para modernizar a sua prática futebolística, aliás, não é novidade no histórico flamenguista. No final da década de 1930, o presidente rubro-negro José Bastos Padilha trouxe o húngaro Dori Kürschner (que no Brasil teve o sobrenome “alterado” para Kruschner), que sedimentou as bases do que havia de mais moderno na cultura tática, apresentando o esquema em WM ao nosso futebol. A falta de comunicação não ajudou tanto nos resultados, e o húngaro venceu apenas 54% de seus compromissos. Ainda assim, deixou um legado no Flamengo e no Brasil. Com resultados melhores, Jorge Jesus faz algo ligeiramente semelhante. E tendo apenas 100 dias de trabalho.

O Flamengo acerta mais passes em média, estufa mais as redes em suas finalizações e também está mais seguro defensivamente.

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