O banco que pode custar caro ao Flamengo

ANDRÉ ROCHA: O primeiro sinal foi no jogo de volta contra o Internacional pelas quartas da Libertadores. Cuéllar estava de saída em um processo conturbado, que incomodou o treinador Jorge Jesus, e, mesmo assim, foi convencido a substituir o suspenso Willian Arão. Piris da Motta iniciou no banco de reservas e só entrou no segundo tempo em Porto Alegre.

Depois na "decisão" do turno contra o Santos no Maracanã. Mesmo com a alta intensidade do jogo, as dificuldades impostas pelo adversário e Bruno Henrique e De Arrascaeta desgastados pelas viagens e participações nos jogos de seleções da data FIFA, Jesus só fez a primeira substituição aos 37 minutos do segundo tempo: Berrío na vaga de Arrascaeta. Depois Renê descansou Filipe Luís aos 44 e a partida acabou com Piris da Motta à beira do campo sem efetivar a substituição.

Rafinha no túnel do Maracanã - Foto: Marcelo Cortes
Agora a necessidade por conta dos jogos seguidos, dois por semana. Um problema que na sequência de oito vitórias no Brasileiro só aconteceu duas vezes, justamente nos jogos contra o Inter na Libertadores. Jesus resolveu poupar, mais iniciando no banco, três titulares mais desgastados: os laterais veteranos Rafinha e Filipe Luís, mais Gerson, jovem de 22 anos, porém o meio-campista que quase sempre cobre um grande espaço entre as intermediárias.

Entraram Rodinei, Renê e Piris da Motta. E foi impossível não ter a sensação de que o líder do campeonato perdeu 45 minutos no empate sem gols com o São Paulo no Maracanã. Perdendo os 100% em casa e encerrando a série de triunfos. Uma primeira etapa em que era nítida a insegurança dos companheiros de passar a bola para os reservas, especialmente Rodinei e Piris, com suas já conhecidas dificuldades técnicas quando pressionados.

Mesmo considerando as 27 faltas, a catimba e o 4-1-4-1 pragmático e tirando a velocidade do jogo praticados pela equipe paulista na estreia de Fernando Diniz, a atuação rubro-negra novamente não foi boa, apesar do domínio nos 90 minutos. No segundo tempo com Rafinha e Gerson voltando já no intervalo e Filipe Luís entrando mais à frente. Porque os titulares vão sentindo o desgaste, até pelo gramado molhado pela chuva no Maracanã. Também as dificuldades naturais da dedicação dos rivais contra "o time da moda" e, principalmente, a falta de peças de nível ao menos parecido em um elenco longe de ser homogêneo.

Do time titular, só Diego Alves, Willian Arão e Everton Ribeiro são contratações da gestão anterior. De Eduardo Bandeira de Mello e Rodrigo Caetano, este demitido em março de 2018, mas o diretor executivo responsável pela maioria das contratações no período. Dos que ficaram, apenas Piris da Motta e Vitinho chegaram depois da saída de Caetano.

A realidade é que o Flamengo tem o melhor time titular do país, com alguma vantagem sobre os demais. Uma equipe técnica, habilidosa, veloz e intensa, que gera jogo por todos os atletas, até o goleiro com bons recursos utilizando os pés. Mas se precisar mudar o panorama em uma partida difícil, Jorge Jesus hoje não tem a quem recorrer.

O mais próximo disso é o menino Reinier, 17 anos. Mais um acima da média vindo da base, assim como Vinicius Júnior e Lucas Paquetá, mas ainda muito verde para garantir uma transformação da equipe em jogo grande. No banco contra o São Paulo, Jesus ainda contava com o goleiro Gabriel Batista, Thuler, Vinicius e Vitor Gabriel com o mesmo perfil. Jovens que são atletas em desenvolvimento e que não podem, nem merecem ser queimados com entradas prematuras.

O que resta? Além de César, que joga pouco porque Diego Alves não dá brecha, sobram Rodinei, Rhodolfo, Renê, Piris, Berrío e Vitinho. Todos dignos, trabalhadores e comprometidos com a nova gestão, mas longe de manter o nível dos titulares. Uma espécie de "herança maldita" dos tempos em que se investiu muito em qualidade duvidosa. Vitinho, o mais talentoso, nunca se firmou e agora não consegue se adaptar à intensidade exigida pelo treinador português. Fora de sintonia depois de um bom início, saiu no intervalo da vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro no Mineirão.

Além de Cuéllar, Diego Ribas, que fraturou o tornozelo e só volta em 2020, faz muita falta. Se sua presença era questionável como titular absoluto, capitão, dono do vestiário e o time melhorou sem ele e ficou com o jogo mais fluido, o meia agora poderia ser útil em vários momentos para rodar o elenco mantendo um certo nível de desempenho.

Nos 3 a 1 sobre o Internacional, mesmo com dois homens a mais, Jesus só colocou Reinier com 23 minutos do segundo tempo na vaga de Arão, com 2 a 1 no placar, e Berrío e Vitinho apenas a partir dos 40 minutos, com a vitória mais que garantida. Mais uma chance de descansar por mais tempo desperdiçada por insegurança na hora de trocar.

As forças vão se esvaindo. Na coletiva depois do empate, Jorge Jesus falou em equipe "pesada", não cansada. Mas a realidade é que jogadores vão perdendo a intensidade, a lucidez para a tomada de decisão e o automatismo dos movimentos coletivos. Sem repouso e treinamento, a queda é natural.

Justo no momento decisivo da temporada, com a ida da semifinal da Libertadores contra o Grêmio em Porto Alegre chegando. Com titulares em campo. E se Jesus precisar dos reservas para tirar a equipe do sufoco? Incógnita. Tanto quanto a ausência do suspenso Gabriel contra a Chapecoense na próxima rodada do Brasileiro e, principalmente, nas datas FIFA com jogadores servindo suas seleções.

Pode custar bem caro ao Flamengo. Talvez mais um ano sem grandes títulos. Para a nova diretoria, que acertou em cheio nas contratações de oito titulares indiscutíveis, a missão é formar o elenco equilibrado que o clube precisa e está fazendo falta em 2019.

Depois Renê descansou Filipe Luís aos 44 e a partida acabou com Piris da Motta à beira do campo sem efetivar a substituição.

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