Palmeiras volta à velha tática da 'grande conspiração pró-Flamengo'

O GLOBO: Por Igor Siqueira

Sem diminuir a distância para o Flamengo, o discurso no Palmeiras foi incisivo.

— O VAR não pode ter camisa — disse o técnico Mano Menezes, após o empate com o Internacional.

O presidente do Palmeiras foi além na reclamação e inseriu pitadas de ironia:

— Ontem, parece que o VAR estava desligado — disse Maurício Galiotte, referindo-se ao Fla 0x0 São Paulo.

Mais do que provar que os jogos do Flamengo têm muita audiência entre os rivais na disputa pelo título, a gritaria palmeirense gera um alarmismo em relação à arbitragem no Brasileirão.

Foto: Reprodução
O gancho dos protestos foi a anulação — graças à intervenção do VAR — do gol do alviverde Bruno Henrique. Seria a virada paulista sobre o Inter no Beira-Rio. A diferença para o Flamengo cairia para um ponto, já que o rubro-negro empatara na noite anterior. Não rolou.

O lance foi invalidado porque, na revisão, a arbitragem identificou um toque da bola na mão do atacante Willian Bigode, provocado por uma chegada faltosa de um marcador colorado.

A regra determina que qualquer toque de mão de um jogador de ataque invalide o lance. O árbitro anulou. Injusto, já que o Bigode sofreu a falta? Pode ser,e a regra pode ser debatida. Mas é o texto que está em vigor.

A situação revoltou os palmeirenses, que meteram o Flamengo na discussão por entender que Gabigol deveria ter sido expulso após falta dura em Daniel Alves.

— Nós assistimos a todos os jogos, uma hora é uma coisa e outra hora outra. Vimos lance de cartão vermelho que o VAR não chamou. Isso decide um campeonato — disse Mano Menezes, que tomou cartão amarelo por reclamação e será suspenso.

Galiotte foi mais longe: disse que “é fato" que o VAR não tem atuado em jogos do Flamengo”.

Ver dirigentes reclamarem da arbitragem não é novidade. Muito menos inédito é o sentimento de vitimismo e favorecimento ao concorrente. Até o Flamengo já reclamou, por exemplo, quando o apito não deu pênalti em Bruno Henrique, na vitória sobre o Grêmio. A experiência aponta também que o alarmismo some quando o prejuízo com o erro recai sobre outro time.

A insinuação palmeirense é a de que há ajuda da arbitragem da CBF ao Flamengo, mas nem isso para em pé. A convocação de Tite vai desfalcar o líder na data Fifa que se aproxima, tirando-lhe Rodrigo Caio e Gabigol. O Palmeiras só perderá o goleiro Weverton. Se a CBF quisesse ajudar tanto o Flamengo, faria mais sentido deixar o artilheiro do Brasileiro sossegado no Ninho.

O VAR precisa evoluir: critérios, tempo gasto e interpretação. Mas a cada escândalo na base do“sempre contra nós, nunca contra eles”, o foco da questão, que é como melhorar o uso da tecnologia, acaba esquecido por mero casuísmo.

A insinuação palmeirense é a de que há ajuda da arbitragem da CBF ao Flamengo, mas nem isso para em pé.

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