PVC: Primeiro turno foi dos técnicos estrangeiros

FOLHA DE SÃO PAULO: Por PVC

Nenhum técnico nascido na Inglaterra é campeão inglês desde 1992, quando Howard Wilkinson levou o Leeds United ao troféu. Nesses 27 anos, o English Team teve dois treinadores estrangeiros.

Sven Goran Eriksson caiu nas quartas da Copa do Mundo de 2006, contra Portugal, dirigido por Felipão.

Em 2010, Fabio Capello foi eliminado nas oitavas, levando 4 a 1 da Alemanha. Na última Copa, a Inglaterra chegou às semifinais pela primeira vez em 28 anos. O técnico era Gareth Southgate, nascido em Watford, região metropolitana de Londres.

Jorge Jesus - Foto: Alexandre Vidal
Imagine que alguém dissesse que os técnicos europeus estão ultrapassados, porque os ingleses não ganham nada há 27 anos. Generalizar é quase sinônimo de errar.

Jorge Jesus disse, há um ano, que os técnicos brasileiros estavam ultrapassados. Imediatamente após a repercussão, bombeiros apressaram-se em explicar que a declaração aconteceu quando estava na Arábia Saudita. Muito pior.

Se tivesse dito depois de chegar ao Brasil e perceber o estrago, sua declaração seria muito mais respeitável do que antes de estar dentro do problema.

Justo é não fugir do debate. O primeiro turno do Brasileiro foi decidido entre o Flamengo de Jorge Jesus e o Santos de Jorge Sampaoli. Um português e um argentino, com mentalidade ofensiva e capacidade de transformação. Quem acompanha futebol sabe que Sampaoli é um dos melhores do continente desde o início da década. Mesmo assim, houve quem o criticasse por sua passagem ruim pela seleção argentina. Só conhecia Jesus quem acompanhava futebol português.

A direção do Flamengo contratou-o sem nem sequer lembrar-se da cena do técnico caindo de joelhos no estádio do Dragão, no Porto, ao ver o gol de Kelvin que o fez perder o Campeonato Português que liderou por 17 rodadas, em 2013. A imagem passou por todos os programas esportivos do Brasil. Se acontecesse aqui, Jesus correria o risco de ser demitido no vestiário. No Benfica, ficou mais duas temporadas.

O trabalho de Jesus no Flamengo é excelente, como foi no Benfica, onde conquistou três títulos portugueses em seis temporadas e ajudou o clube a se tornar hegemônico em Portugal. Sei que há léguas a nos separar, tanto mar, tanto mar...

Tantas léguas, que pouca gente olha para o futebol português, quando diz que o estilo que se joga na Europa é outro esporte em comparação com o Brasil. Jesus diz que o Flamengo ganharia o Campeonato Português a brincar.

Então, Portugal deve ficar em outro continente, distante do futebol da Inglaterra, da Espanha e da Alemanha.

O clássico Benfica x Porto, duas semanas atrás, passou ao vivo no Brasil. O Benfica, do jovem e brilhante técnico Bruno Lage, começou o campeonato a voar. Mas, desfalcado de João Félix, vendido ao Atlético de Madrid, a maior contratação da Europa nesta temporada, perdeu o confronto com o Porto.

Portugal investiu na parte teórica e tornou-se um centro de conhecimento. Mano Menezes, por exemplo, estudou na cidade do Porto. Aqui, há particularidades, como os 56 jogadores que começaram o Brasileiro e foram para o exterior.

Jesus e Sampaoli brilham e acrescentam-nos cultura. Mas não se diga que o futebol brasileiro não funciona porque os técnicos estão ultrapassados, sem detalhar o que significa essa palavrinha surrada.

O Brasil não foi uma ilha nos últimos 15 anos e por aqui passaram Passarella, Gareca, Paulo Bento e Juan Carlos Osorio, todos estrangeiros e com Copa do Mundo no currículo. Fracassaram? Não! Fracassamos todos os que avaliamos na terceira derrota. Jesus e Sampaoli ainda correm esse risco.

O trabalho de Jesus no Flamengo é excelente, como foi no Benfica, onde conquistou três títulos portugueses em seis temporadas.

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