Análise Tática: Explicando a grande fase do Flamengo de Jesus

TORCEDORES: Por Luiz Ferreira

Poucas vitórias mostraram a força do Flamengo de Jorge Jesus como a deste domingo (13). Além de vencer o Athletico Paranaense dentro da Arena de Baixada e manter de manter a diferença de oito pontos para o Palmeiras (segundo colocado do Brasileirão), o Fla também quebrou um jejum de 45 anos sem vitórias em cima do Furacão como visitante. Como Jorge Jesus já mencionou, o difícil não é chegar no topo e sem se manter lá. Mas o Flamengo vem conseguindo superar seus adversários e jogar aquele que talvez seja o futebol mais vistoso e mais eficiente do país até o momento. E existem três pontos básicos que ajudam a explicar o sucesso da equipe carioca.

O primeiro deles é a boa execução da proposta de jogo do seu treinador. Jorge Jesus gosta de equipes ofensivas e com o Flamengo (mesmo com desfalques importantes) não é diferente. O time não se deixou abater pela pressão da torcida do Athletico Paranaense e manteve seu estilo durante toda a partida. O 4-4-2 que tinha Vitinho e Lucas Silva (que fez boa partida) pelos lados e Éverton Ribeiro circulando no ataque foi intenso na marcação (tal como no primeiro gol de Bruno Henrique em bola roubada na saída de bola do Furacão) e nas transições ofensivas. Mais atrás, Willian Arão e Gerson marcam, qualificam a saída de bola e ainda chegam no ataque sempre com eficiência. Marcação alta, jogadores próximos uns dos outros, boas jogadas pela linha de fundo e muita, mas muita intensidade.


Jorge Jesus armou o Flamengo num 4-4-2 que deixava Éverton Ribeiro solto no ataque e que pressionava a saída de bola do 4-1-4-1 do Athletico Paranaense. A boa execução da estratégia de Jorge Jesus foi fundamental.

A saída de Rafinha por lesão e as lambanças do árbitro Braulio da Silva Machado (que, dentre outras “caquinhas”, anulou pênalti claro de Léo Pereira em Lucas Silva ainda no primeiro tempo após consulta ao VAR) poderiam ter minado os nervos de qualquer equipe do Brasileirão. Mas é aí que entra outra característica importante do Flamengo de Jorge Jesus: a resiliência. O Fla sentiu os problemas citados acima e quase foi vazado em chances desperdiçadas por Thonny Anderson, Rony e Léo Pereira. Mas essa mesma resiliência faz com que a equipe se recupere rápido e retome o controle da partida. Ao mesmo tempo, vale destacar a boa fase de jogadores como Pablo Marí e Diego Alves, dois que se agigantaram nos momentos em que o Flamengo mais precisou na partida.

O terceiro quesito que explica esse sucesso do time de Jorge Jesus é a maneira como o “Mister” utiliza as opções que tem no banco de reservas. Logo depois que Tiago Nunes sacou Lucho González para a entrada de Marco Ruben, o treinador português tirou Lucas Silva e mandou Piris da Motta para o jogo. Uma alteração pragmática e até conservadora demais para quem privilegia tanto o ataque. Com o paraguaio à frente da zaga, Jorge Jesus rearrumou o Flamengo num 4-1-3-2 que fechou bem o meio-campo e seguiu pressionando a saída de bola do Furacão até fechar o placar num belíssimo gol de Bruno Henrique que contou com a participação de Éverton Ribeiro e Renê na construção da jogada. Boa execução de uma estratégia bem construída, resiliência e opções no banco. A receita do Flamengo é essa. E vem rendendo bons frutos.


A entrada de Piris da Motta deu mais consistência defensiva ao Flamengo e liberou Willian Arão e Gerson para o ataque no bem construído 4-1-3-2 de Jorge Jesus. Do outro lado, Tiago Nunes tentou colocar mais força ofensiva ao Athletico Paranaense com a entrada de Marco Ruben, mas viu seu time sucumbir nos minutos finais.

A vitória sobre o Athletico Paranaense é simbólica por dois motivos. O primeiro é a quebra do jejum de 45 anos sem triunfos sobre o Furacão em Curitiba (fato digno de nota e celebração). E o segundo está no resultado em si. Este que escreve já colocou o time comandado por Tiago Nunes no Top 3 das equipes com futebol mais vistoso do país (junto com o Grêmio de Renato Gaúcho e o Flamengo de Jorge Jesus). E enfrentar o Furacão na Arena da Baixada é uma tarefa complicadíssima diante de tudo o que está envolvido num jogo como esse. No entanto, eu e você vimos um Athletico que sentiu demais a falta de Bruno Guimarães no seu meio-campo. O jogador (que está com a Seleção Olímpica) é o principal responsável por fazer a bola chegar no ataque com qualidade. Nem Léo Cittadini e nem Lucho González conseguiram exercer esse papel com a mesma eficiência.

A diferença de oito pontos para o segundo colocado é significativa e difícil de ser tirada. Mas esse mesmo Flamengo que encanta pelo futebol ofensivo e bem jogado segue com os pés no chão e com uma concentração poucas vezes vistas nesses últimos tempos. Mais uma prova de que Jorge Jesus está fazendo muito bem ao Fla.

Mais uma prova de que Jorge Jesus está fazendo muito bem ao Fla.

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