Flamengo aquece a economia do Rio de Janeiro

EXTRA GLOBO: Karen Garcia e Tatiana Furtado

Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Praia de Copacabana, Maracanã e... Flamengo . O clube com maior torcida do Brasil sempre foi um atrativo da cidade, mas, este ano, tem se firmado como um novo ponto turístico do Rio. Na última quarta-feira, na semifinal contra o Grêmio, o fenômeno teve seu auge: 13 mil torcedores rubro-negros de diversos estados do país invadiram as ruas trajados de vermelho e preto para ver a goleada na Libertadores.

O programa de sócio-torcedor e o ótimo momento do time ajudam a explicar as "invasões" rubro-negras em dias de jogos no Maracanã. Elas aquecem a economia em épocas fora da alta temporada. Para a última partida, por exemplo, a ocupação da rede hoteleira do centro da cidade foi de 100%, segundo a Associação de Hotéis do Rio de Janeiro (Hotéis Rio). No mesmo período, no ano passado, a taxa de ocupação variava entre 40 e 60%.

Ola da torcida do Flamengo na Libertadores - Foto: Marcelo Cortes
— O clube hoje é uma peça importante para a venda da cidade do Rio enquanto destino turístico. O turismo corporativo foi pego de surpresa. As empresas geralmente se programam com uma semana de antecedência e, nesta semana, por conta do jogo do Flamengo, se depararam com ausência de vagas nos hotéis — conta o vice-presidente da entidade, José Camaano.

O baiano Adison Gomes, de 44 anos, e mais de 20 amigos foram alguns dos que ocuparam os hotéis do centro. Há 16 anos, ele faz a rota Salvador-Rio para ver o Flamengo. Graças ao amor ao clube já conheceu praticamente toda a cidade e até outros pontos do estado. Este ano já foram cinco jogos no Rio. No sábado passado, antes do clássico de domingo com o Fluminense, ele viajou a Cabo Frio.

Retornou ao Rio no dia da semifinal da Libertadores. Agora, vai fazer turismo em Santiago, no Chile.

— Já comprei passagem e ingresso. Temos a embaixada Fla-Bahia, sempre estamos juntos nos jogos. Alguns ficaram para a partida com o CSA — diz.

A abrangência do Flamengo se traduz nos números. O programa sócio-torcedor tem mais de 104 mil associados espalhados nos 26 estados e no Distrito Federal. Destes, 81% estão concentrados no Sudeste. Para termos de comparação, o Internacional, líder com 126 mil sócios, concentra 96% no Sul. Em apenas quatro estados há mais de mil torcedores com carteirinha. Já os rubro-negros chegam a essa quantidade em dez estados, com representantes de todas as regiões do Brasil.

Os amigos Thyago Fernandes, Lucas Pacheco e João Zormitta, de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, fazem parte dessas estatísticas. Os três percorreram a distância de cerca de 1.500 quilômetros para vivenciar essa experiência.

COMÉRCIO AQUECIDO

Hospedado em um hotel em Copacabana, o grupo teve como primeiro ponto turístico o calçadão na praia. Ainda que não conhecessem outros torcedores cariocas, foram recepcionados por uma comitiva de rubro-negros: em todo quiosque havia algum batuque e um grupo de flamenguistas. O almoço, na orla, foi regado a alguns chopes antes de seguirem para o estádio.

— Viemos apenas pensando no jogo, mas queremos conhecer a cidade — comentou Thyago Ferreira, de 25 anos.

Adison, Thyago e os outros milhares que têm vindo aos jogos —com média de público superior a 50 mil — costumam fazer roteiro bem carioca: metrô e esquenta nos arredores.

Os estabelecimentos agradecem. O SindRio (Sindicato de Bares e Restaurantes) não tem uma estatística específica, mas no olho o aumento é visível. Taíssa Faustino, gerente de Marketing do Food Park Carioca, na Tijuca, conta que nos dias de jogo o local vira point para os com e sem ingressos.

— O público vem aumentando. Os torcedores estão mais animados e engajados. Estão fazendo questão de ir ao Maracanã. Isso para o comércio é muito bom.

13 mil torcedores rubro-negros de diversos estados do país invadiram as ruas trajados de vermelho e preto contra o Grêmio.

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