Flamengo e Grêmio dividem no Brasil protagonismo com a Base

GLOBO ESPORTE: De 2017 para cá, ninguém usufruiu tanto das categorias de base no Brasil quanto Flamengo e Grêmio. Os semifinalistas do país na Copa Libertadores da América souberam fazer sucesso com suas revelações em campo e também fora dele. As cifras milionárias de pomposas vendas ajudaram os dois clubes a turbinarem seus atuais elencos.

De um lado, o Rubro-Negro de Reinier – e que já foi de Vinicius Junior, Paquetá e companhia – movimentou R$ 441 milhões com seis pratas da casa no período. Do outro, o Tricolor de Everton Cebolinha – e que já foi de Arthur, Marcelo Grohe e Cia – também negociou seis revelações nesse intervalo por R$ 271 milhões. Números que aproximam a dupla do Santos, maior vendedor da década com mais de R$ 500 milhões.

Foto: Divulgação
Após o 1 a 1 no jogo de ida, em Porto Alegre, Flamengo e Grêmio voltam a campo nesta quarta-feira, às 21h30 (de Brasília) no Maracanã, para decidir qual "fábrica de talentos" estará na grande final da Libertadores. A dos galáticos rubro-negros, que têm a base como carta na manga, ou a dos imortais tricolores, que apostam nas crias como destaques do time?


A REESTRUTURAÇÃO DO FLAMENGO
"Craque o Flamengo faz em casa". O lema inspirado na geração de ouro de Zico, Tita e companhia sempre foi levado a sério na Gávea para a montagem dos times, até pelas difíceis realidades financeiras que o clube atravessou desde o fim do século passado. Mas apenas nos últimos anos é que a base começou a dar frutos também fora de campo.

Entre 2013 e 2018, na gestão Eduardo Bandeira de Mello, o clube se reestruturou: equacionou as dívidas, adotou austeridade nos investimentos e aumentou a integração com a base. Samir e Luiz Antonio, por exemplo, foram peças-chave na conquista da Copa do Brasil de 2013. No ano seguinte, surge Jorge, campeão carioca em 2014 e vendido para o Monaco por quase R$ 30 milhões em 2017.

Foi a temporada do reequilíbrio financeiro. O clube promoveu e vendeu Vinicius Junior, aos 16 anos e com apenas dois jogos no profissional, para o Real Madrid por R$ 164 milhões, na sua maior negociação da história. A joia ainda ficou no Flamengo até o meio de 2018 e disputou 70 jogos com a camisa rubro-negra, embora não tenha levantado títulos. Na mesma época, a diretoria deu início à reforma do Ninho do Urubu e criou uma estrutura de ponta com um novo módulo profissional.

Já Paquetá foi campeão estadual em 2017 antes de ser vendido por R$ 146 milhões para o Milan, que esse ano levou Léo Duarte, titular da zaga na conquista do Carioca 2019. Negociações que mudaram o patamar do Flamengo para a gestão Rodolfo Landim. Com o cofre cheio, o novo presidente investiu pesado em reforços: foram cerca de R$ 200 milhões em oito contratações para serem titulares: Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí, Filipe Luís, Gerson, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol.

Tanto que no time atual não há ninguém da base. Mas nem por isso os garotos do Ninho não têm espaço. Jorge Jesus tem usado cada vez mais os jovens, até por conviver com muitos desfalques. Entre os relacionados contra o Grêmio estarão Lincoln, Thuler, Vinicius Souza, Vitor Gabriel e Reinier, sua maior joia com 17 anos e multa de € 70 milhões (cerca de R$ 317 milhões). Espécie de 12º jogador, ele já tem três gols e duas assistências em oito jogos no profissional.

A REFORMULAÇÃO DO GRÊMIO
Ao analisar o sucesso do Grêmio nos últimos anos com um lupa, claramente se encontra o papel crucial das categorias de base em todo o processo. A atual gestão, com Romildo Bolzan como presidente, assumiu no início de 2015 com a obrigação de diminuir os gastos. A reestruturação teve a saída de jogadores importantes e a promoção de muitos jovens sob o comando do então técnico Felipão.

Já estavam no elenco nomes como Luan, Everton Cebolinha, Walace... E se somou a eles Pedro Rocha. Todos importantes no título da Copa do Brasil em dezembro de 2016, conquista que deu esteio para uma gestão com gastos controlados. Tudo porque havia a base. Apenas o volante foi negociado, vendido para o Hamburgo por R$ 33,7 milhões.

Na sequência, vem 2017 e a revelação de Arthur, outro jogador formado no clube e peça-chave em todo esse processo. Não só pela sua qualidade técnica superior e participação na campanha do título da Libertadores no mesmo ano e da Recopa em 2018. Mas também porque é vendido por mais de R$ 100 milhões e faz o Grêmio pagar uma série de dívidas. O reequilíbrio financeiro permitiu ao clube recusar propostas milionárias por Luan e Cebolinha nos últimos anos.

A lista de revelações seguiu em 2019 com Matheus Henrique e Jean Pyerre, próximos candidatos a encher o cofre. Esse ano, além de Grohe, o Grêmio também negociou o meia-atacante Tetê, que chamou a atenção na base e sequer estreou no profissional. Parte do dinheiro das vendas foi usada para iniciar uma reforma no CT Hélio Dourado, utilizado apenas pela... Base. O bom uso dos recursos faz com que o ciclo possa continuar a render frutos, seja financeiros ou esportivos.

Com contratações pontuais na temporada e uma espinha já montada há alguns anos, o Grêmio que enfrenta o Flamengo aposta alto no seu trio caseiro: Matheus Henrique, Jean Pyerre e Cebolinha, sua maior joia de 23 anos e multa de € 80 milhões (cerca de R$ 356,8 milhões) – Luan, com dores no pé, é desfalque para a partida. Uma eventual passagem para a final da Libertadores certamente valorizaria ainda mais o elenco e coroaria o trabalho que vem dando atenção especial para a base.

Jorge Jesus tem usado cada vez mais os jovens, até por conviver com muitos desfalques.

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