Jorge Jesus não poupa ninguém e evita "oba oba" no Flamengo

BLOG DO ANDRÉ ROCHA: A "noite de Cabañas" nos 3 a 0 para o América do México no Maracanã é o maior vexame do Flamengo neste século e também a história mais simbólica de uma cultura própria do clube de se entregar tantas vezes ao "oba oba". Difícil mensurar o absurdo que foi a festa de título estadual e despedida de Joel Santana em um jogo eliminatório de Libertadores, independentemente da vantagem.

Mas há outros casos clássicos de relaxamento que terminaram em duros reveses. Em 1968, o time rubro-negro chegou a dar uma volta olímpica improvisada comemorando o título "antecipado" da Taça Guanabara depois do empate sem gols com o Botafogo, então campeão do torneio que era disputado em separado do Carioca. Bastava vencer o Bonsucesso para confirmar o título. Nem o rival alvinegro fez fé e partiu para uma excursão no Norte e Nordeste. Precisou voltar porque o Fla conseguiu perder de 2 a 0 e, no jogo extra, o Bota venceu por 4 a 1.

Diego na reserva do Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
Em 1985, a volta de Zico ao clube depois de dois anos na Udinese criou uma espécie de "Carnaval fora de época" no Rio de Janeiro. Amistoso festivo na sexta-feira e 3 a 0 no Bahia, com gol do Galinho de falta, na estreia oficial no domingo. O Brasileiro tinha virado um mero detalhe, mesmo com as boas chances de título. Bastaria empatar fora de casa com o Brasil de Pelotas e vencer o Ceará no Maracanã para se classificar para a semifinal contra o Bangu. Vencendo, a decisão seria contra o Coritiba. Mas o revés para o time gaúcho por 2 a 0 foi o choque de realidade e a eliminação veio com os 2 a 2 contra os cearenses.

O jogo contra o CSA tinha todos os elementos para se configurar em mais um tropeço depois da euforia. Maracanã lotado, clima de delírio coletivo depois da catarse dos 5 a 0 sobre o Grêmio no jogo mais importante da história do clube nos últimos 38 anos. Ainda dez pontos de vantagem na liderança do Brasileiro. Tudo muito perfeito. Cenário propício para escorregar.

Mas desta vez havia Jorge Jesus no meio do caminho. Ao escalar a força máxima, com exceção do suspenso Pablo Marí, o treinador português deixava um recado para time e torcida: o jogo da competição por pontos corridos contra um clube lutando contra o rebaixamento é tão importante quanto a semifinal da Libertadores.

A desconcentração no primeiro tempo depois do belo gol de Arrascaeta, com chances claras desperdiçadas, e o cansaço na segunda etapa foram naturais. Tudo que aconteceu na quarta-feira foi muito intenso. E é preciso reconhecer os méritos do CSA de Argel Fucks, que apostou na velocidade de Apodi contra Rafinha e fez Diego Alves trabalhar muito mais que o esperado.

O líder do Brasileiro, porém, foi sério o tempo todo. Inclusive para reconhecer as dificuldades e administrar o 1 a 0 que mantinha a vantagem na ponta da tabela. Depois do apito final, Jesus orientou ainda no campo de jogo o jovem volante Vinicius que entrou no final e também Thuler, o substituto de Marí que sentiu um pouco o peso da partida. Aliviado, mas mostrando que não ficou satisfeito com o desempenho.

Dificuldades fundamentais para retomar a concentração no campeonato nacional. Afinal, faltam 24 dias para a decisão do torneio continental contra o River Plate. Sete jogos pelo Brasileiro até lá. A vitória magra serve também para diminuir a euforia e também as comparações com times históricos, do clube e do futebol mundial. Até porque são os títulos que vão chancelar o grande futebol da equipe.

Jorge Jesus sabe e, por isso, prefere arriscar o desgaste dos titulares, mas deixar claro que não há espaço para priorizar, nem relaxar antes das conquistas. O técnico é o antídoto para o "oba oba" tão nocivo à história do Flamengo.

Jorge Jesus prefere arriscar o desgaste dos titulares, mas deixar claro que não há espaço para priorizar, nem relaxar antes das conquistas.

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