Reinier é exceção num Flamengo caro e estrelado

GOAL: Tauan Ambrósio

Jogando um futebol intenso, envolvente e com resultados para dar e vender o Flamengo treinado por Jorge Jesus já levantou o debate: é a melhor versão do Rubro-Negro desde a era Zico? Na última quinta-feira (10) a pergunta voltou às cabeças de torcedores e analistas, mesmo que nenhum título ainda tenha chegado, depois da vitória por 3 a 1 sobre o Atlético-MG, que deixou o Clube da Gávea com oito pontos de vantagem na liderança do Brasileirão.

Foi um resultado que voltou a mostrar a nova realidade do Flamengo, que parece jogar em outro ritmo em relação aos seus adversários. Outra realidade também na escalação titular: na equipe base que vai entrando em campo tanto na Libertadores quanto no Brasileirão, nenhum dos titulares é revelado nas categorias de base rubro-negras. Algo raro em meio à tradição do time. A exceção da última quinta-feira foi a presença do jovem Reinier, meia-atacante de 17 anos que é a nova joia criada dentro do clube.

Reinier comemorando gol no Flamengo - Foto: Marcelo Cortes
E que baita exceção é Reinier. Ao menos para os parâmetros de sua idade. Em 2018, por exemplo, o meia-atacante foi eleito melhor jogador sub-16 do mundo, o que explica a multa rescisória de 70 milhões de euros (cerca de R$ 317 mi). A estreia pela equipe principal aconteceu no duelo contra o Emelec, pelas quartas de final da Libertadores da América, quando esteve em campo por menos de 20 minutos. E cada vez que vai ganhando mais tempo, mais o camisa 19 começa a mostrar o seu talento.

Reinier fez o seu primeiro gol na vitória por 3 a 0 sobre o Avaí, em Brasília, duelo onde também contribuiu com assistência. Foram 76 minutos em campo naquela ocasião. Mas contra o Atlético-MG, o meia esteve no gramado do Maracanã quase até o apito final e, assim como Vitinho, teve uma noite mágica. No seu caso específico, um batismo: fez o seu primeiro gol como profissional no estádio que é a casa rubro-negra.

Com o time de Jorge Jesus desfalcado de Arrascaeta (lesionado) e Gabigol (com a seleção brasileira) na frente, Reinier e Vitinho ocuparam as vagas disponíveis – enquanto Bruno Henrique fez o papel de centroavante mais avançado – e mantiveram o alto nível que o time vinha apresentando coletivamente.

Craque o Flamengo ainda faz em casa?

Na reta final da partida, Jorge Jesus lançou a campo outros dois jovens revelados na base flamenguista: Vinícius, meio-campista que vai encantando o técnico português, e Lucas Silva. Mas titular mesmo, só Reinier, que sequer tem o seu lugar garantido em um onze inicial marcado por contratações caras e nomes experientes.

Isso, contudo, não quer dizer que o Flamengo tenha fechado sua fábrica de boas revelações. E não é preciso voltar muito no tempo para atestar isso: Vinícius Júnior e Lucas Paquetá estiveram, recentemente, na mesma situação de Reinier. Hoje, são jogadores de seleção brasileira e defendem times de peso no futebol europeu.

Existem duas respostas mais obvias a serem dadas para explicar a falta de mais nomes vindo da base no time titular: a primeira é a saída, cada vez mais precoce, de atletas jovens para o exterior, uma realidade que também vem aumentando; a segunda, que ganha ainda mais força no contexto deste Flamengo 2019, é o nível da concorrência. Com tanta qualidade disponível, um garoto do Ninho precisa ser ainda mais diferente para provar que pode jogar em meio a nomes tão bons.

A realidade de 1979, quando o jornalista Geraldo Mainenti cunhou a frase “craque o Flamengo faz em casa”, que viria a ser uma espécie de tatuagem do clube, não é mais a de hoje. Isso não quer dizer que o Rubro-Negro não forme bons jogadores. Os exemplos estão aí, e Reinier é o mais novo deles. Se vai virar craque ou não, é outra pergunta. Mas a expectativa é alta.

“Tem muito a aprender, mas é acima para idade. É um jogador evoluído, mas uma coisa é a técnica individual e outra o jogo. Essa é minha responsabilidade como treinador, passar mensagens todos os dias. É um menino que aceita com muita facilidade as notas que damos para ele”, disse Jorge Jesus sobre o jovem rubro-negro, um suprassumo da base rubro-negra em meio às estrelas contratadas.

Os exemplos estão aí, e Reinier é o mais novo deles. Se vai virar craque ou não, é outra pergunta. Mas a expectativa é alta.

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