Vitinho decide para o Flamengo

GLOBO ESPORTE: “Um por todos e todos por um”. O escritor francês Alexandre Dumas, do clássico “Três Mosqueteiros” que me perdoe pelo clichê e também pela licença poética de somar até 11 o número de mosqueteiros para um Flamengo que nada de braçada e coloca oito corpos de vantagem na disputa pelo título do Brasileirão. A analogia, na verdade, seria: Vitinho por todos, e todos por Vitinho.

A vitória contundente por 3 a 1 diante de um Atlético-MG bem armado, mas não menos acuado no Maracanã, passa muito pelos pés do camisa 11. Ou melhor: passa totalmente pelos seus pés. O Flamengo, como de costume, foi impositivo. Amassou o Galo, e os 71% de posse de bola evidenciam isso. Mas foi o talento de Vitinho - que ousaram vaiar - que fez a diferença para que o time de Jorge Jesus chegasse a 55 pontos em 24 jogos na tabela.

Vitinho comemorando gol em Flamengo x Atlético-MG - Foto: Marcelo Cortes
A predominância tática e técnica diante de um adversário do quilate do Atlético-MG deixa claro o quanto é impressionante o trabalho de Jorge Jesus até aqui. Mesmo com quatro desfalques importantes, o Flamengo acurralou o adversário em atuação de quem é muito bem montado coletivamente. Faltava, então, quem fizesse a diferente. Faltavam Arrascaeta e Gabriel. E Vitinho exerceu esse papel.

O gol e as duas assistências premiaram quem mais chamou o jogo para si no Maracanã. Com Bruno Henrique e Éverton Ribeiro em nova noite abaixo da média, Vitinho foi participativo como pouco se viu até então com a camisa do Flamengo, e objetivo como sempre vimos. O um contra um fatal foi a solução para boa parte das jogadas (ninguém no elenco rubro-negro é tão bom neste quesito quanto ele) e a qualidade na batida da bola foi determinante para o triunfo.

Flamengo x Atlético-MG
Posse de bola: 71% x 29%
Finalizações: 18 x 5
Chances reais: 9 x 1
Escanteios: 9 x 2
Passes trocados: 415 x 218

Dominante, o Flamengo esbarrava em um Atlético-MG bem postado e carecia de criatividade para encontrar espaços. Era preciso repertório, que surgiu em chutes de meia distância e bolas paradas. Numa delas, Vitinho cobrou escanteio para Arão abrir o placar. O Rubro-Negro, que desperdiçou nove tiros de canto contra o São Paulo, soube usar a arma até óbvia contra a retranca mineira.

O somatório vantagem no placar + performance avassaladora apontava para um segundo tempo tranquilo. Não foi o que aconteceu. Desligado, o Flamengo viu Nathan (herói contra o Palmeiras) virar vilão e empatar. Foi quando Vitinho voltou a entrar em ação.

Se a bola parada é uma alternativa óbvia, a capacidade individual não é menos eficaz. Assim, o camisa 11 fez um a diferença. Cortou, pedalou, limpou e chapou. Golaço! Pintura. E os dedos dos companheiros apontados pediam aplausos para um herói que, mesmo sendo disparado o melhor em campo, sofria com tímidas vaias.

O golpe foi fatal para um Atlético que se defendia como podia diante do volume rubro-negro. Escapadas em velocidade faziam parte de uma estratégia improvável contra um rival que tinha na posse de bola a principal maneira de não sofrer risco.

Vitinho ainda apareceu novamente em disputa de cabeça pelo alto para servir Reinier. O jovem de 17 anos fez o terceiro e decretou o placar final.

Com um coletivo que permite um novo herói a cada três dias, o Flamengo abre oito pontos para Santos e Palmeiras, e caminha a passos largos para o sétimo título do Brasileirão. Domingo, o rival é o sempre temido Athletico-PR, na Arena da Baixada. Mas pelo andar a carruagem não será surpresa se surgirem cartazes em Curitiba com os dizeres:

“Hoje tem assistência (ou gol) do Vitinho”.

A vitória contundente por 3 a 1 diante de um Atlético-MG bem armado, mas não menos acuado no Maracanã, passa muito pelos pés do camisa 11.

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